“Você não vai morrer, meu amigo...”
Mais um dia de tédio para Saulo e ele não via a hora de anoitecer e seguir para a faculdade. Desde que ajudara os amigos a salvar a caloura Emili, sempre tivera conversas pra lá de agradáveis com os amigos, por agora eles realmente partilharem um “Segredo de Aliança”. Nem todos os membros da Aliança Histórica sabiam do ocorrido naquela noite, com exceção dos presentes no evento e a amiga Patrícia, que sem querer havia descoberto a Magia de Tiago.
Saulo revirou-se preguiçosamente em uma poltrona no seu apartamento e depois se espreguiçou. Ele estava curtindo o tédio quando o seu celular tocou. Saulo olhou quem era e constatou que era seu colega de matilha, o Leonardo.
- Diz Léo. – falou Saulo.
- Sivirino! Venha até o refúgio... Temos problemas. – falou Leonardo.
- Que tipo de problema? – perguntou Saulo.
- O ancião foi assassinado... – falou tristemente Leonardo.
- Fezes! – xingou Saulo – Chego o mais rápido possível!
- Estamos aguardando! – falou Leonardo e desligou.
Saulo olhou para o relógio e constatou ser 14h26min, e então saiu apressado do seu apartamento em Neópolis e seguiu para o “refúgio”, que era localizado no Parque das Dunas, mas pelo antigo “Bosque dos Namorados”. Demorou alguns minutos até que seu ônibus passasse e então estava a caminho.
*****
Tiago estava em seu apartamento contando os minutos. Estava quase na hora de uma de suas alunas de magia chegar. A garota, segundo o que ele pensava, estava muitíssimo bem. Ela já conhecia as principais magias e tinha uma incrível força em todas, mas sua maior habilidade era na criação de poções, diferente do mestre que preferia a conjuração e os encantamentos. As aulas sempre eram divertidas e construtivas, pois além de uma ótima aluda de magia, a garota era amante da História, e rendiam muitos debates. Ela ainda estava no ensino médio, mas prestaria em breve o vestibular para a UFRN.
Duas batidas na porta. Tiago levantou-se com um salto da sua mesa de estudos, onde preparava o exercício do dia, além dos detalhes da aula. Ele atendeu a porta animado e viu sua aluna, e sorriu em boas vindas.
- Bem vinda, Pérola. Hoje teremos algumas lições para rever e um teste para fazer. – falou lentamente o mestre enquanto abria a grade para a aprendiza adentrar o apartamento.
*****
Rodrigo estava no meio de um treinamento quando seu celular tocou. Ele parou imediatamente os exercícios e seguiu para atender seu telefone. Antes de pegar o aparelho, enxugou o suor do rosto e das mãos.
- Alô? – atendeu Rodrigo.
- Hei Bambush! É Tyego. – falou em resposta Tyego ao telefone.
- Diga corintiano! – falou Rodrigo com desdém.
- Ares pediu pra avisar que hoje tem reunião da Aliança no intervalo. – falou Tyego.
- Beleza. Eu não tenho a 2ª aula hoje. Vocês vão ter? – perguntou Rodrigo.
- Não teremos. Gilliard avisou que o professor está doente.
- Ah... Então beleza! – falou Rodrigo.
- Ok! Tchau Bambush! – falou Tyego.
- Tchau corintiano! – falou Rodrigo e desligou o telefone.
Ele olhou para seu local de treinamento, onde seu pai encontrava-se de braços cruzados observando-o. Rodrigo olhou desconsolado para o pai, que apenas sorriu pra ele, e voltou aos exercícios. Treinou vários golpes em bonecos de carvalho.
*****
Saulo estava apreensivo. “Quem diabos mataria nosso ancião? Sanguessugas?”, pensava ele enquanto seguia para o seu destino. Ele estava ficando impaciente com a demora do ônibus e ficava constantemente olhando o seu celular pra ver as horas e se Leonardo havia ligado novamente, mas constatou que poucos minutos haviam corrido e nenhuma ligação do colega.
Dez minutos depois ele chega à parada que desceu para seguir a é uns 800m até o parque das dunas. Chegou lá e dirigiu-se à guarita da portaria.
- Boa tarde, Roney. – falou Saulo.
- Boa tarde, irmão Saulo. – respondeu Roney.
- Que polêmica foi essa? – perguntou Saulo escorando-se na janela da guarita.
- Léo está investigando... Essa notícia me deixou muito triste, irmão. – falou Roney baixando a cabeça.
- Não só você irmão. Todos nós! – falou Saulo francamente e com pesar nas palavras.
- Entre aí... Vá vê-lo e falar com o pessoal... – pediu Roney.
- Você já o viu? – perguntou Saulo.
- Já... E ele parecia estar apenas dormindo... – falou Roney sem conseguir esconder uma lágrima que percorreu sua face esquerda.
- Tudo bem irmão. Vamos descobrir quem fez isso e vamos também fazê-lo pagar! – falou Saulo. Roney ocupou-se apenas em sorrir.
Saulo passou pela lateral da roleta e seguiu adentrando o bosque, indo em direção ao portão da trilha mais longa do parque das dunas. Chegando lá, os portões estavam fechados, como de costume na semana. Seguiu para a parte de trás do prédio onde geralmente marcava-se a trilha e lá encontrou uma mulher. Ela era alta, magra, cabelos ondulados e negros, tinha pele morena, olhos castanhos e um corpo bem definido. Seu rosto também era bonito, a pesar de uma cicatriz abaixo do olho direito como se fosse um corte, e ela também tinha uma expressão dura.
- Fala filhote! – falou a mulher com um sorriso.
- Digaí Ana. Posso entrar? – perguntou Saulo.
- Claro que sim, filhote! – falou Ana pegando uma chave e entregando a Saulo. – Mesmo esquema de sempre, heim?
- Beleza, valeu! – falou Saulo pegando a chave e depois seguindo para o portão fechado.
Ele abriu o cadeado, abriu o portão e depois que passou, fechou-o novamente como havia encontrado. Essa era a regra: deixar tudo como foi encontrado para que os humanos normais não desconfiassem da existência do refúgio.
Saulo seguiu o caminho convencional da trilha até chegar à floresta que havia nas dunas, e lá modificou o seu caminho, seguindo para a direita e adentrando a mata fechada. Minutos depois avistou a primeira cabana do refúgio. Chegando lá, foi recebido por colegas que demonstravam um enorme pesar, e então seguiu para a cabana do ancião, onde lá encontrou o ritual fúnebre dos garou. O ancião estava deitado no chão, vestindo roupas brancas, mãos juntas como se estivesse rezando e rodeado de ramos e rosas de todas as cores. Montando guarda estavam quatro lobos que uivavam em determinado limite de tempo. Um pouco mais adiante de onde estava o ancião, podia ser encontrado o totem do refúgio representado em menor tamanho.
Saulo posicionou-se ajoelhado próximo ao ancião e olhou sua face tranqüila. Aquele velho sempre foi como um avô para ele. E então ele deixou que algumas lágrimas molhassem seu rosto. Enxugou-as brevemente e levantou-se, seguido em direção à saída. Lá fora ele encontrou Leonardo.
- Olá Léo. – falou Saulo apertando a mão do colega.
- Olá Saulo. Viu nosso querido vovô? – falou Léo apertando também a mão de Saulo.
- Vi... Realmente é como o Roney disse... Parece que está dormindo. – falou tristemente Saulo.
- Pois é. Vamos descobrir quem fez isso! – falou Léo.
- Alguma evidência? – perguntou Saulo.
- Algumas, mas temo não ser suficiente. – respondeu tristemente Leonardo.
- Sanguessugas talvez?
- É possível... Mas, parece que ele foi envenenado. – falou Léo.
- Hmmm... Que tipo de veneno? – perguntou com interesse Saulo.
- Meus irmãos de tribo tão verificando. Já que alguns de nós são usuários de magia e criadores de poções, pode ser que detectamos o veneno. – explicou Leonardo.
- E conseqüentemente ter uma idéia de quem possa tê-lo envenenado. – deduziu Saulo.
- Exatamente.
- Então vamos aguardar a posição deles... E continuar a homenagem ao nosso ancião. – falou Saulo e seguiu para dentro da cabana.
O tempo passou e ao fim da tarde foi concluído o ritual fúnebre com a cremação do ancião e então sugerida a data do novo conclave, onde iriam escolher o novo ancião dentre os mais velhos. Os representantes do conselho e candidatos a ancião falaram sobre seus sonhos e premonições. E então decidiram que o conclave seria no dia posterior. Saulo despediu-se dos companheiros e pediu que Leonardo o ligasse, caso os irmãos de tribo dele descobrissem algo, e então seguiu caminho de volta para o parque das dunas pra ir pra faculdade.
*****
A noite começou belíssima e Paulo César estava no circular lotado da UFRN. Muito calor humano e do lado de fora, aquela garoa que deixava o clima gostoso. Como sempre, acompanhado por seu guarda-chuva e escutando umas músicas no seu MP4. Algumas pessoas conversavam animadas no circular, outros reclamavam do motorista e outros apenas ignoravam o que se passava ao redor, que era o caso de Paulo César.
Chegando ao setor II, ele desceu e seguiu para sua sala de aula para deixar a bolsa, pois ainda faltava mais de 1 hora pra iniciar a aula. Como ele e os amigos combinavam de chegar mais cedo para jogar partidas e UNO e muita conversa fora, ele tava chegando a ótimo horário. Paulo César entrou na sala sem muita cerimônia e jogou a bolsa sobre uma das cadeiras, e só depois observou o local, constatando a presença de sua amiga Diana.
- Boa noite Paulo Júlio! – falou animadamente Diana.
- Boa! – respondeu Paulo César. – Beleza?
- Tudo ótimo! – falou sorrindo a garota. – E você?? Como está?
- De pé na sua frente! Hehehehe... – falou Paulo César.
- Aii! Seu chato! – falou Diana sorrindo e dando leves tapinhas no braço de PC.
- Hahahahaha... Eu to bem... Viu algum dos meninos por aí? Tiago ou o Tapuia? – perguntou Paulo César.
- O Tiago eu não vi não... Mas, o Tyego ta lá no corredor junto com Helaine e Lampreia. – respondeu Diana.
- Ah... Beleza. – falou Paulo César fazendo um sinal de “positivo” com o dedo (pose Nice Guy) e saindo logo em seguida para o corredor do setor.
Chegando ao corredor, ele encontra logo os amigos sentados bem próximos a sala de aula dos calouros. No grupo estavam: Tyego, Helaine, Emili, Luiz Lampreia, Almir e Pedin. Estavam num papo animado e rendendo muitas risadas. E pelo que Paulo César notou, pareciam estar contando histórias da vida e fatos engraçados das mesmas. E então ele chega rindo.
- De que é que estamos rindo mesmo? – pergunta Paulo César, ocasionando quase uma crise de riso de Helaine.
- O aprovado Almir aí falando de uma das resenhas da vida de moleque dele... Tis, tis, tis... – falou Tyego.
- Mas é isso mermo, boy! Foi onda demais! – falou o calouro Almir.
- Só você mesmo, viu Almir? – falou Emili ainda rindo.
- Ah ta... Sim, paz do Senhor irmão! – falou Paulo César para o calouro Almir.
- Paz do Senhor irmão! O Senhor seja louvado! – respondeu o calouro Almir.
- Amém... – falou Paulo César. – E aí? Vamos pra cantina? – chamou Helaine, Tyego e Lampreia.
- Vamos. – disse Tyego, e Helaine concordou com um aceno de cabeça.
Os amigos seguiram para a cantina e deixaram os calouros na conversa animada. Ao chegar à cantina, encontraram os veteranos Henrique, Rodrigo-Sensei e Miguel.
- Yo, mans! – saudou Henrique.
- Yo! – falaram todos em resposta, com exceção de Helaine que olhou atravessado para o amigo. O que ocasionou o riso de todos com exceção da mesma.
- Já disse que não sou man! – falou Helaine.
- Lá vem ele com essas viadagens... – falou Henrique. – Helâine man! Vamos parando com a viadagem aí!
- E aí? Beleza? – pergunta Miguel, adiantando-se a apertando na mão dos amigos, logo depois com a saudação da Aliança.
- Beleza. – falou Paulo César saudando o amigo e depois dando um soco fictício em Miguel.
- Viram o Ares por aí? – perguntou Miguel.
- A gente já ia perguntar a vocês. – falou Helaine.
- Se bem que ele sempre chega um pouco tarde. – falou Tyego.
- É verdade... – concordou Sensei.
- Mas, tipo... Pelo horário ele já devia ter chegado. – observou Patrícia que estava chegando e ouviu a conversa.
- Isso é... – falou Tyego olhando pro relógio. – Daqui a pouco começa a aula.
- Será que aconteceu alguma coisa? – falou Helaine.
- Duvido. Ele teria entrado em contato conosco. – falou Sensei.
- Talvez não tenha podido. – observou Patrícia, e mal sabia ela que estava correta.
- Acho que não, pessoal. Vamos pensar positivo. Provavelmente alguma gripe, ou os pais dele estão em Natal. São muitas possibilidades. – falou Miguel.
- Bem... É... – falou PC.
Pouco tempo depois o sinal tocou para começar a primeira aula. Os amigos começaram a se despedir para seguirem para suas respectivas salas de aula, quando Luiz Lampreia tocou o braço de Paulo César.
- Opa... Diz aí Lampreia. – falou Paulo César.
- Cara... Eu nunca vi aquela menina aqui... – falou Lampreia apontando para uma garota totalmente estranha para PC, pois ele nunca a havia visto na UFRN.
- Votz. Sei quem é não. – falou PC.
- Pois é... Mas, parece que ela sabe quem é você. – falou Lampreia mais uma vez apontando para a garota que agora se aproximava de Paulo César. – Se não conhece, vai perguntar alguma coisa, ou vai querer conhecer agora.
Eles aguardaram ela chegar, e então ela saudou os dois.
- Boa noite rapazes. – falou a garota. Ela era loira, 1,65m de altura mais ou menos, magra e belíssimos olhos castanhos e penetrantes, rosto afilado e também era uma garota bonita. Ela emanava poder em sua aparência inocente. Paulo César podia sentir.
- Boa noite. – responderam os rapazes em uníssono.
- Vocês fazem que curso? – perguntou a garota com voz poderosa e melodiosa.
- História. – respondeu Lampreia.
- Ah! Que bom! Conhecem Tiago? – perguntou a garota.
- Que Tiago? – perguntou Paulo César.
- Tiago Gladuriel. – respondeu a garota, que ocasionou em Lampreia levantar a sobrancelha.
- Sim! Conhecemos! – falou Lampreia. – Mas, parece que ele não veio hoje...
- Não veio mesmo! – falou a garota, que assustou os garotos. – Ele quem me enviou pra falar com o pessoal da Aliança.
- Ah... Aí é assunto de vocês. – falou Lampreia. – Vou assistir aula, até logo.
- Até e obrigada! – falou a garota, mas PC permaneceu em silêncio analisando a garota. – Bem, você deve ser o Paulo César, correto?
- Talvez seja. Quem fala comigo? – falou Paulo César.
- Tiago chama-me de Pérola. E pede que eu não revele o nome original. – responde Pérola.
- Pérola você disse? Ah, uma das alunas dele. – falou Paulo César. – Mas, por que ele não veio?
- Houve um pequeno problema... Ele foi envenenado e está correndo risco de vida... – falou tristemente a garota.
- O QUÊ?! – gritou Paulo César, o que chamou a atenção de algumas pessoas ao redor.
- Calma... Ele ainda está bem... Mas, precisa de vocês. E rápido. – falou a garota.
- Puta que pariu! – xingou Paulo César. – Vou chamar o pessoal!
E saiu correndo, deixando Pérola no lugar onde estava próxima à cantina. Ela só moveu-se para a lateral da cantina, num lugar um pouco mais afastado.
Paulo César entrou correndo na sala de aula e relatou brevemente aos amigos Helaine e Tyego o que estava acontecendo. Patrícia havia saído para atender o celular e sumira... Não poderiam contar com ela. Então Helaine e Tyego seguiram Paulo César para fora da sala. Procuraram por Sensei, Henrique e Miguel, localizaram-nos logo em seguida.
- Pessoal, foi isso que a garota Pérola falou. – disse Paulo César.
- Então é mais sério do que eu pensei. – disse Helaine.
- Concordo. Vamos ter que fazer algo. – observou Miguel. – Mas, cadê o restante do pessoal da Aliança?
- Saulo ainda não chegou... – falou Sensei.
- Opa! Cheguei sim! – falou Saulo chegando de repente.
- Ótimo! Agora temos toda a ajuda necessária. – falou PC.
- Ajuda? O que houve? – perguntou Saulo.
- O Tiago foi envenenado. – respondeu Henrique.
- É... E segundo Pérola a gente tem que agir rápido. – falou PC.
- Quem raios é Pérola? – perguntou Saulo.
- A aluna de Tiago. – falou Tyego.
- Ah... Mas, cadê essa Pérola? É bom falarmos logo com ela. – falou Saulo.
- Segundo PC, ela está ali próxima à cantina. Vamos lá! – chamou Miguel
Os amigos então caminharam até a garota, que só havia se afastado um pouco pra um local mais reservado, onde poderiam conversar mais a vontade. O pessoal foi chegando e ela reconhecendo a todos. Tyego se concentrou nos olhos da garota e adentrou a sua mente. Foi mais fácil do que imaginava, para uma aluna de magia.
A mente dela não era tão escorregadia quanto à do seu amigo Tiago, e pareceu muito simples o ingresso. Verificou que ela obteve as imagens de cada um dos Aliados. Imagens até de como se portavam. Praticamente uma garantia de que ela reconheceria a todos assim que os visse.
- Ela já sabe quem somos. – falou Tyego. – Não precisam apresentar-se.
- Como você sabe?! – perguntou Helaine espantada.
- Eu consigo ler mentes. A dela foi muito clara em me revelar que ela sabia quem somos. – falou calmamente Tyego, sendo observado por todos, inclusive a garota.
- O que mais você sabe fazer, Tapuia? – perguntou Rodrigo.
- Não temos tempo pra isso! – interrompeu Henrique. – O cara ta precisando da gente!
- Isso é... – falou Paulo César.
- Bem Pérola... Conte-nos o que houve. – falou Miguel.
- Estávamos no meio da aula de magia... – começou a narrativa a garota. – Quando ele foi beber água e se sentiu mal. Ele disse que provavelmente algum veneno que desconhecia e pediu que investigássemos.
- Como assim “investigássemos”?! Ele te mandou para essa missão?! Uma aluna?! – falou Henrique.
- Sou uma aluna, mas não sou fraca Henrique. Posso ser de grande ajuda, principalmente com relação a preparar o antídoto. – respondeu Pérola. – Já coletei uma amostra de sangue dele e analisei. Ele não conhece o veneno, mas eu conheço. É o veneno da “Planta Azul”. Um veneno eficiente que mata em algumas horas... Depende da dosagem.
- E como saberemos quanto tempo nos resta? – perguntou Helaine.
- Eu já verifiquei... Temos até 1 hora da manhã pra conseguir o antídoto. – falou calmamente Pérola.
- E o que combateria esse veneno? A própria planta? – perguntou Miguel.
- Não. Um fungo. O “cogumelo negro”. Ele só existe na penumbra e em dois locais: Dinamarca e aqui em Natal... No Morro do Careca. – falou Pérola.
- Caralho! – xingou Henrique. – Daqui pro Morro do Careca, haja chão.
- Exatamente. Temos que seguir logo pra praia de Ponta Negra e entrar na penumbra de lá. – falou Pérola.
- Tem como? – perguntou Paulo César.
- Tem. – respondeu Saulo. – Eu posso fazer a travessia de vocês.
- Então temos que ir logo. Estamos perdendo tempo. – falou Tyego.
- Concordo. – falaram o restante.
- Pessoal... Eu não vou poder ir... – falou Rodrigo.
- Por que primo? – perguntou Helaine
- Eu tenho que apresentar um seminário agora... – falou meio sem jeito Rodrigo.
- É verdade. Nosso grupo depende de você mesmo, que foi o designado pra apresentar. Se tu num aparecer, é zero pra todo mundo. – falou Henrique, concordando que Rodrigo deveria mesmo ficar.
- É... Eu quero ir, afinal é para salvar um amigo! – falou Rodrigo.
- A gente fará de tudo pra ajudá-lo, Sensei. Pode deixar com a gente. – falou Paulo César.
- Beleza. Sucesso pra vocês e não deixem o Ares morrer! – recomendou Rodrigo, pesaroso com a própria brincadeira e por não poder participar da empreitada.
- Pode deixar! A gente cuida de tudo! – falou Helaine, e então se despediram. Rodrigo ficou e o restante do grupo seguiu.
Eles saíram do setor e seguiram para a parada do circular. Todos notaram um pouco de tristeza em Saulo, mas era melhor não perguntar por hora, pois talvez ele não quisesse falar sobre o assunto.
O circular passou alguns minutos depois e eles seguiram para o shopping Via Direta. Por incrível que parecesse, o circular da UFRN estava praticamente vazio. Quando o pessoal embarcou, estavam apenas o motorista e um casal no fundo do ônibus.
Chegando ao Via Direta, apelidado de “Mercado Feudal” pelo pessoal da Aliança, eles seguiram sem conversar até o Natal Shopping, onde pegariam algum ônibus para a praia de Ponta Negra. Demorou aproximadamente 10 minutos para que a condução chegasse, e então estavam a caminho da praia. Pérola olhava impaciente para o relógio, pois o tempo estava correndo como nunca. Já eram quase 20h e eles ainda nem estavam no destino, pois segundo o que ela pesquisara, aquele local na penumbra era imenso e totalmente diferente do que esse pessoal era acostumado a ver. Não havia mapas, fotos ou nada do tipo, apenas narrações em livros antigos de magia, que seu mestre ignorara, por não entender a penumbra, mas ela havia se aprofundado e sabia muita coisa, inclusive o que causou o seu envenenamento.
O caminho foi longo e demorado. O pessoal trocou apenas algumas palavras, pois o ambiente estava pesado, até que um senhor levando um isopor adentrou no ônibus pela porta de trás e começou uma propaganda.
- Boa noite minha gente! – falou o homem com voz de locutor de rádio. – Estou aqui nesse momento para oferecer a vocês uma revolução da culinária mundial! A maior delícia e mais milagrosa do mundo, não tenham dúvidas!
- Esse aí eu conheço! – falou PC baixo apenas pra os amigos ouvirem, que mesmo assim ainda ficaram sem entender.
- Essa cocada, sem sombra de dúvidas é a única que derrete na boca quando você saboreia! É a única cocada que é afrodisíaca! Isso mesmo, meus clientes-amigos! Se você tem problemas de impotência, essa cocada irá curá-lo... Essa é a única cocada que protege seus dentes das cáries... O que vocês ouviram num é mentira não! É a mais pura verdade... – continuou o homem a falar coisas exorbitantes sobre a cocada milagrosa, o que ocasionou Miguel comprar uma das cocadas do homem pela criatividade na propaganda.
Após recuperar-se de uma crise aguda de risos – que durou aproximadamente uns cinco minutos – Helaine avisa que a parada está próxima e que os amigos ficassem alerta para descerem do ônibus. Ao descerem, os amigos se voltaram para Pérola, que olhava ao redor preocupada. Eles estavam bem próximos à Vila de Ponta Negra numa feirinha de artesanato que ainda estava aberta.
- Bem gente... Vamos ter que seguir pela praia mesmo e lá arrumar um jeito de ir para a Penumbra. – falou Pérola.
- Quanto a passar para a Penumbra, eu posso resolver. – disse Saulo.
- E como você faria isso, Saulo? – perguntou Miguel.
- Bem... Todos aqui devem saber do meu dom, né? – perguntou Saulo, praticamente afirmando.
- Que dom? – perguntou Miguel, o que deixou Saulo meio que sem entender.
- O pessoal não te contou? – perguntou Saulo.
- Não. – respondeu Miguel.
- E nem contaram a mim. O que seria? – falou Henrique.
- Vixe... Só falta Helaine e o Tapuia dizerem que também não sabem. – falou ironicamente Saulo.
- Sinto muito desapontá-lo, mas nós sabemos. – disse Tyego.
- É. Tiago nos contou semana passada. – falou Helaine.
- Ah bicho fofoqueiro! – falou Saulo.
- Vai ficar nessa viadagem de Helâine aí? Ou vai nos contar o tal dom? – falou Henrique um pouco impaciente.
- Beleza de Creusa! – falou Saulo. – É porque eu sou lobisomem.
- Lobisomem?! – espantaram-se Miguel e Henrique em uníssono.
- Sim. Lobisomem. Aquele que se transforma num metamorfo meio-homem, meio-lobo, ta ligado? – falou Saulo juntando o maior tom de ironia que pôde e gesticulando como se fossem garras fictícias nas mãos.
- Nossa! – falou Miguel. – Que legal!
- Muito louco isso sim! – falou Henrique.
- Pois é... Cuidado para não se tornarem minha presa! – falou Saulo com ar sério, o que assustou todos (todos mesmo) os ouvintes, que ficaram completamente tensos olhando para Saulo. – To brincando gente! Eu me controlo na forma “crinos”.
- Crinos?! – perguntou Helaine.
- É como é chamada a forma de lobisomem assim dita. Como alguns viram em imagens e tal. – falou Saulo com ar intelectual.
- Eu vi pessoalmente. – falou PC.
- Pessoal... Estamos perdendo tempo nessa discussão... Podemos andar e conversar ao mesmo tempo, sabiam? – falou Pérola se mostrando impaciente. Os demais se entreolharam.
- De fato. – falou Tyego começando a andar e sendo seguido pelos outros.
Eles seguiram sem conversar por um longo caminho, até chegarem ao calçadão da praia de Ponta Negra e por ele seguiram em direção ao Morro do Careca. Trocaram algumas palavras breves pelo caminho, mas Helaine alertou-os quanto a possíveis agressores locais. Já Pérola prestou mais atenção ao lindo luar que se erguia sobre eles e falou que a “mana” naquele local estava com energias poderosas. Os amigos até olharam para o luar. A lua estava cheia e enorme. Algumas nuvens mostravam algodão em um grande mar negro no céu e estrelas brilhavam fortemente, mostrando o quão bela é a vista da praia à noite, coisa que poucos ali tinham presenciado. Tudo estava muito bonito, mas voltaram bruscamente à realidade quando viram problemas à frente.
- Pessoal... Acho que está havendo uma discussão ali na frente. – falou Miguel apontando para pessoas que se aglomeraram ao redor de um casal.
- Fezes... – xingou Saulo. – Vamos ter que fazer alguma coisa.
- Não, não vamos. – falou Pérola, surpreendendo a todos.
- O que disse? – falou Henrique.
- Eu disse que não vamos. Não temos tempo pra isso! O relógio ta correndo, meus amigos. – falou Pérola.
- Faça-me o favor, Pérola! Você mal chega e já quer dar ordens? E não nos considere seus amigos ainda, pois ainda nem sabemos quem é você! – falou PC em alto e bom tom. – E quer saber? Vamos fazer alguma coisa sim! E se você achar ruim junte-se aos baderneiros ali!
Todos olharam aflitos para PC. Ele acabara de desafiar uma usuária de magia, que, pelo que alguns notaram, ganhou uma coragem de raiva e brilhos intensos nos olhos.
- Não estou querendo dar ordens, senhor Paulo César! – começou a falar Pérola – Apenas estou dizendo que não é prudente! Não temos tempo! É SEU AMIGO QUEM ESTÁ MORRENDO, CARAMBA!
As palavras surtiram efeito... Paulo César ao mesmo tempo em que segurava seu guarda-chuva para sacar sua espada, o guardou imediatamente na mochila novamente. Helaine pareceu notar que Pérola usou uma arma poderosíssima para uma chantagem, o que deixou PC sem ação, assim como outros que pensavam em entrar na briga.
- Pérola... – chamou Helaine.
- Fale. – respondeu a loirinha.
- Olha, você tem razão em dizer que não temos tempo... Tudo bem, eu até aceito... Mas, não precisa ficar jogando na nossa cara que nosso amigo está morrendo! – falou Helaine com lágrimas nos olhos. – Poxa... Ele é nosso amigo! E ficar direto relembrado o fato que ele está morrendo é doloroso!
- É... Eu sei... Mas, seria o único jeito de impedi-los de se meter com o que não é necessário... Deixe as autoridades locais resolver isso aí... – falou Pérola um pouco triste.
- Nós sabemos que as autoridades podem resolver, mas as pessoas estão correndo perigo, meu anjo! Nós vamos ajudar! Não vai durar mais que alguns minutos... Eu te prometo. – falou Henrique.
- Exato! – falou PC.
- Não PC. Você não vai. Apenas eu vou e vocês seguem caminho. Eu alcanço vocês. – falou corajosamente Henrique. PC não contestou, apenas concordou com a cabeça.
Miguel, Helaine, Pérola, Tyego, PC e Saulo apenas olharam para Henrique e desceram em direção à praia, onde estariam livres do local onde estava tendo a confusão. Esse tumulto consistia em uma gangue de rapazes que estava importunando um casal, fazendo ameaças e mandando-os passarem pertences e o homem deixasse a mulher para eles, o que deixou Henrique mais irritado. Os amigos mal puderam ver o que ocorreu. Henrique investiu sobre os rapazes da gangue e detonou-os em menos de 1 minuto com golpes brutais, mas nenhum letal. Apenas quebrou braços e pernas e os deixou em condições péssimas, mas que iriam sobreviver. Ele usou apenas as mãos nuas para fazer o serviço. Foi só o tempo dos amigos contornarem a confusão, Henrique já os esperava num local mais a frente, junto com o casal que salvara fazendo milhares de agradecimentos em inglês. Miguel olhou para trás e viu garotos espalhados pelo chão gemendo, e outros desacordados. Ele então levantou as sobrancelhas assustado, e depois se voltou para os perplexos amigos que também olhavam a cena.
- Vocês estão vendo isso, pessoal? – falou Miguel com uma cara que era a mistura de medo com admiração.
- Estamos vendo. – disse Saulo com uma expressão engraçada de susto no rosto.
- Minha nossa... – falou Miguel, mas foi cortado por Henrique.
- Estamos perdendo tempo agora! – falou Henrique gesticulando para que os amigos seguissem caminho.
- É verdade... Vamos continuar em frente. – falou Miguel seguindo caminho e sendo imitado pelos amigos.
- Sabe pessoal... Eu estou querendo saber quem foi que envenenou Tiago... – falou Saulo enquanto andava. A afirmação chamou a atenção de todos.
- Não só você... – falou Tyego.
- Exato. Vamos descobrir quem foi e saber o que ele pretendia. – falou Miguel.
- Mas, eu tenho um motivo em especial... Não só quero saber o que ele pretendia... Eu o quero morto! – falou Saulo sombriamente.
- Nossa... Primeira vez que te vejo falando assim Saulo... – falou Helaine com medo na voz.
- Lógico... Ele matou alguém que eu tinha como um pai no diabo dessa cidade. – falou tristemente Saulo.
- E quem seria? – perguntou Paulo César.
- O ancião de nosso conselho de lobisomens. Ele era o maior sábio que essas terras jamais haveria de ter. – falou Saulo.
- Um ancião? – perguntou Pérola.
- Sim. Por quê? – falou Saulo.
- Eu tinha lido a respeito... Não sabia que lobisomens existiam de verdade... Mas, li bastante a respeito... Inclusive de sua organização. – fala Pérola.
- Alguns livros sobre nós exageram, mas outros são lobisomens mesmo que escreveram apenas para pessoas específicas. – explicou Saulo – Você deve ter lido algum livro raro dado de “garou” para “garou”.
- Garou? – perguntou Henrique.
- É como é chamada a raça dele. – respondeu Pérola – Um humano, como nós, mas com o dom da licantropia.
- Licantropia é dom? Achei que fosse maldição... – fala Miguel, lembrando-se de umas pesquisas históricas e de lendas que havia feito.
- Não... Na verdade é um dom. – falou Saulo – Aqueles que escrevem descrevendo como uma maldição foram os que eram lobisomens, mas se achavam amaldiçoados, se achavam monstros.
- Interessante. Bom saber disso! Mais conhecimento. – falou Miguel com um sorriso.
- Pessoal, estamos chegando ao morro. – falou Helaine interrompendo a conversa dos amigos.
Todos pararam bruscamente ao se darem conta da imensa sombra sobre eles. A luz da lua apenas mostrava contornos sombrios da duna imensa que era conhecida como “Morro do Careca”. Havia alguns holofotes próximos ao local, mas não iluminava o morro, apenas a praia, o que facilitaria para os amigos passar despercebidos para a Penumbra. Então eles seguiram e adentrou as sobrar do local sem ser percebidos pelas pessoas que se encontravam em bares próximos à praia e algumas pessoas que estavam na praia, pois simplesmente ignoraram aquele grupo que seguia pras trevas em busca de privacidade. Pessoas pensavam: “provavelmente uns pervertidos que vão procurar um lugarzinho mais reservado”, ou simplesmente: “estão indo acampar ou fazer um lual... Muito interessante”.
Os amigos acharam um local sem nenhuma pessoa, e então Pérola chamou a atenção de todos.
- Pessoal. O Morro do Careca não é a mesma coisa que vocês estão acostumados a ver na penumbra. É totalmente diferente, segundo algumas pesquisas. – falou brevemente a garota – Mantenham-se juntos quando forem chegando lá... A gente observa melhor quando todos estiverem do lado de lá.
- Beleza. – falou Paulo César, e o restante acenou positivamente com a cabeça.
- Mais um detalhe... – falou Pérola e todos a olharam – Quais as habilidades de todos aqui, com exceção de Paulo César e Saulo?
- Eu tenho poderes telepáticos e telecinéticos. – respondeu Tyego.
- Eu uso também magia. – respondeu Helaine e todos se viraram para ela – O quê? Não é como a magia de Tiago não! É diferente!
- Bom, pelo menos usa magia. – disse Pérola – Qual sua habilidade Miguel?
- Acho que de todos eu serei o mais inútil, mas prefiro mostrar minhas habilidades na prática. – respondeu Miguel, deixando todos curiosos.
Tyego tentou entrar na mente de Miguel para descobrir o que seria, mas deparou-se com uma impenetrável barreira protetora. Miguel percebeu a investida.
- Nada de tentar ler minha mente, caro Tapuia. Não vai funcionar. – falou Miguel com um sorriso.
- Sorte sua. – ironizou Tyego olhando de lado para Miguel.
- Henrique? – perguntou Pérola.
- Artes marciais. Utilizo uma técnica que é proibida e que não me permite usar nenhum tipo de arma, a não ser o próprio corpo. – respondeu calmamente Henrique, o que deixou também os amigos curiosos para vê-lo utilizando a técnica.
- Bem, então vamos lá né? – falou Pérola.
- Vamos. – disse Saulo fazendo alguns gestos como se tivesse procurando algo no ar. – Um espelho facilitaria o processo.
- Alguém tem algum espelho? – perguntou Miguel.
- Não é qualquer espelho, rapeize. Tinha que ser um espelho grande, ou mesmo alguma coisa que refletisse. – falou Saulo.
- Serve o mar? Ele reflete a luz da lua. – falou Helaine.
- Acho que deve servir. Vou tentar lá. – falou Saulo seguindo para a água, com o restante no seu encalço.
Ele gesticulou da mesma forma que fazia há pouco tempo, só que dessa vez na água, e de repente partículas brilhantes apareceram nas mãos de Saulo. Ele forçou-as para abrir uma passagem e então os amigos se depararam com um portal aberto pelas mãos de Saulo e que ele permaneceu segurando.
- Entre de um em um. – falou Saulo com um pouco de esforço na voz, e apoiando parte do portal aberto com as pernas para diminuir a resistência.
- Eu vou primeiro. – disse Henrique e passou pelo portal.
- Próximo. – disse Saulo, e então Tyego adiantou-se e entrou no portal.
Um a um foi adentrando o portal, até que só restou Saulo e ele entrou. Mal sabia ele que os amigos estavam sendo observados ao entrarem no portal.
*****
Tiago sentia-se muito mal. A febre estava altíssima, beirando os 40 graus, e Rubi, uma de suas alunas, cuidava dele mantendo-o suando e/ou com compressas frias. Tiago delirava e falava em língua antiga, murmurando encantamentos que Rubi sabia de cor. Era como se seu mestre estivesse tentando curar o veneno, mas soubesse ser impossível, e mesmo assim ainda tentava. Nenhum círculo mágico se formava, nem energia era liberada... Mas, ele aparentava estar cada vez mais afetado, mais moribundo a cada minuto que passava. A garota presente no apartamento do mestre tinha lágrimas nos olhos e soluçava levemente para não “acordar” Tiago, mas parece que ele havia percebido o que estava ocorrendo, pois ela quando deu por si, ele havia parado os murmúrios e a olhava com ternura.
- Rubi... – falou lentamente Tiago.
- Não fale mestre! Guarde suas energias! – falou quase gritando em desespero a garota.
- Calma Rubi... Eu to bem... Só me sinto muito fraco... – falou com um pouco de dificuldade e pausadamente Tiago.
- O senhor não está bem... E sabe disso! – falou a garota colocando a compressa fria sobre a testa de Tiago e fazendo-o tremer de leve.
- Onde está Pérola...?
- Foi em busca do cogumelo negro. – respondeu Rubi – Por favor, Tiago... Descanse...
- Pérola foi onde?! – Tiago levantou-se bruscamente da cama que estava deitado, fazendo Rubi debruçar-se sobre ele para fazê-lo deitar-se novamente. – Ela não pode fazer isso! Não sozinha!
- Eu disse que ela procurasse os aliados... Que dissesse a eles que você a tinha enviado para a missão e para procurá-los... – começou a explicação a garota apelidada de Rubi – Mandei imagens deles para ela por magia telepática... Com certeza a essa altura do campeonato ela deve estar convencendo-os a partir com ela.
- Por que você mandou a Pérola, Rubi...? Ela não sabe tanto quanto você... – falou Tiago muito preocupado e fazendo algumas caretas por causa da dor que sentia.
- Ela está melhor que eu, mestre. A garota aprende rápido... E ela é bem melhor que nós dois em poções... Fará o antídoto por lá mesmo e o trará pronto... – falou Rubi medindo a temperatura de Tiago com a mão, que havia baixado pouquíssima coisa.
- Isso você tem razão... Aquela garota vai me passar em habilidades rapidamente... E eu nem sou um mago tão experiente... – falou lentamente Tiago.
- Não é tão experiente quanto outros, mas é nosso mestre... – falou Rubi.
- Eu nem freqüentei a escola de magia... – falou Tiago.
- E daí Tiago? – replicou Rubi – Você é muito habilidoso para um autodidata. Muito mais forte que outros que freqüentaram a escola... Não se subestime! E além do mais, passa muito bem o que sabe para nós...
- Não diga isso... – começou Tiago, mas foi cortado por Rubi.
- Chega! Ta bom! – falou chateada a garota – Você sempre faz isso! Sempre! Descanse e não fale mais nada!
- É... Se fosse na escola de magia você estaria encrencada, mocinha... – falou Tiago com um sorriso e fechando os olhos.
- Se fosse na escola... Mas, não é... – falou a garota que havia retribuído o sorriso que Tiago não viu – Descanse, mestre.
Tiago conseguiu sentir-se mais renovado, por mais que na real estivesse cada vez mais próximo da morte. Sentia dores horríveis pelo corpo e principalmente na cabeça, que o deixava tonto, além da febre que não baixava.
Rubi olhou para o mestre deitado que mostrava dor e ao mesmo tempo tranqüilidade na face. Pensou: “ele não tem medo da morte... Exatamente como antigamente...”, então ela olhou para uma das janelas do quarto de seu mestre que estava aberta e desejou que Pérola tivesse êxito.
*****
Os amigos haviam passado pelo portal e se depararam com um ambiente totalmente diferente do que eles imaginariam que fosse. Pérola estava certa mais uma vez, aquele local definitivamente era alheio a qualquer imaginação que eles haveriam de ter, pelo menos os que já haviam visto a Penumbra.
O lugar além de muito sombrio, não existia mais um Morro do Careca, e sim uma Montanha do Careca. Era pelo menos umas três vezes maior que o do mundo normal, e onde eles estavam, que era pra conter água, havia apenas muita areia. O mar encontrava-se aparentemente há quilômetros de distância. Os arbustos que cresciam no antigo Morro do Careca, na Penumbra eram árvores, que possibilitava pessoas escalarem a montanha, caso desejassem. As casas, hotéis, bares e o calçadão de Ponta Negra não passavam de lembranças ancestrais de que ali havia alguma coisa em um passado muito distante. Nem todos haviam notado, mas havia um acesso à montanha e uma escadaria de mármore que levava ao topo.
- Ali tem uma escada. – disse Tyego apontando para onde era vista a escada de cor branca que refletia a luz do luar, que estava impressionantemente magnífico.
- Vamos ter de subi-la. – falou Pérola – Os cogumelos estão lá em cima... Não sei exatamente onde, mas sei que estão lá em cima.
- Interessante... A líder da missão nem sabe onde as porcarias estão. – falou Henrique. – Pérola, com todo respeito a você, meu anjo, mas assim ta complicado.
- Eu sei Henrique... Eu sei... – falou tristemente a garota – Mas, vamos conseguir.
- Vamos sim, se vocês começarem a andar. – falou Paulo César caminhando em direção a escada – Já passam das 21h. Temos pouco tempo e nem sabemos o que há lá em cima de perigos.
- É verdade, gente. Vamos logo. – falou Miguel seguindo Paulo César e sendo acompanhado por todos os demais.
Eles começaram a subir as escadas em pares. Henrique e PC na frente, Pérola e Helaine após eles, Miguel e Tyego ao meio e Saulo atrás. Eles subiram muitos degraus quando Saulo para bruscamente e pede para que todos parem e façam silêncio. Os ouvidos dos amigos aguçaram-se para o silêncio, quebrado apenas pelo vento e o farfalhar das folhas nas árvores que os rodeavam. Ninguém escutou nada demais, porém Saulo continuou alerta e cheirando o ar, como se farejasse.
- Vem alguma coisa por aí... Não tenho certeza se é de cima, de baixo ou dessas árvores, mas sei que vem... – disse Saulo num sussurro.
- Que porra é aquilo?! – gritou Paulo César e todos olharam para o local onde ele apontava. Era um semblante de forma humanóide que se apoiava nas árvores. Estava agachado e emitia rosnados estranhos.
- Isso não é um daqueles vampiros que você falou, é PC? – perguntou Helaine.
- Não... Esse aí é diferente de todos os outros que eu vi... – falou PC com curiosidade, pois a criatura não se movia, apenas observava.
- Eu sei o que é! – disse Pérola – É um caçador noturno, igual aos vampiros, mas com a peculiaridade de não possuir presas e nem ser inteligente... Age por instintos...
- E isso é perigoso? – perguntou Henrique.
- Nos livros diziam que sim... Mas, esse aí parece que está pacíf... – não concluiu a garota, pois a criatura soltou um uivo de fúria e pulou para cima do grupo, pegando-os de surpresa.
Miguel foi o primeiro que agiu, tocando o braço de Henrique, pois a criatura vinha em sua direção. Ele o acertou com um soco que emitiu uma rajada de energia poderosíssima e brutal, partindo o maxilar da criatura humanóide e fazendo-a cair próximo a eles no chão rosnando e gritando de dor. Então eles puderam ver a criatura: ela era fêmea (pois apresentava seios fartos e era fenotipicamente uma mulher), possuía pouco cabelo na cabeça, olhos avermelhados e brilhantes, unhas crescidas nas mãos e pés, coluna torta e encurvada e pele pálida, como a dos vampiros, mas não apresentava presas. Estava com o maxilar partido e remexia-se inquieta gritando de dor. Paulo César adiantou-se, sacou a espada e partiu o pescoço da criatura, fazendo-a ficar imóvel e decapitada. Outra peculiaridade e diferença dos vampiros, é que esses caçadores noturnos não se transformavam em pó.
- É melhor sairmos daqui... Pode ser que apareçam mais... – disse Pérola e todos concordaram. Continuaram a subir com cautela e notaram que Saulo estava um pouco diferente. Estava maior, mais peludo e já apresentava garras nas mãos.
- O que é isso, Saulo? – perguntou Helaine.
- Uma das formas do garou. – respondeu Saulo – Temos cinco formas que podemos usar quando bem entender.
- E quais seriam elas? – foi a vez de Pérola perguntar.
- A hora não é boa pra se falar, mas vou dizer mesmo assim. – falou Saulo com tom de repreensão – As formas são a de humano, glabro (que é essa que eu estou), crinos (que falei anteriormente), hispo (um lobo maior) e lobo normal.
- Interessante. – falou Miguel – E como você faria para transformar-se?
- Tem que buscar a fúria interior... – falou Saulo e depois olhou de forma curiosa para Miguel – Me diz uma coisa Miguel... O que diabos você fez ali?
- Peguei emprestada a técnica de Henrique. – falou Miguel – Essa é minha habilidade... Eu consigo copiar as técnicas e outras habilidades das pessoas.
- Consegue dons também? – perguntou Saulo.
- Não sei... Nunca testei com lobisomens... – falou Miguel.
- Testa, ué! – disse Saulo.
- Ta bom... Mas, deixe a gente chegar ao topo, pois teremos mais espaço. – finalizou Miguel.
Eles subiram mais uns lances de escadas e chegaram ao topo sem serem surpreendidos por mais nenhum caçador noturno, ou qualquer outro perigo. Ao lá chegarem, espalharam-se para observar ao redor, Saulo pede para que Miguel faça o teste. Então Miguel toca o braço de Saulo, que sente uma energia percorrer de leve o seu corpo, e mais nada aconteceu.
- E aí? – perguntou Tyego.
- Sentiu alguma coisa? – perguntou Helaine.
- Eu não sei se funcionou... Como muda de forma, Saulo? – perguntou Miguel.
- É como eu disse. Tem que achar a fúria interior. – falou Saulo, e então Miguel tentou. Começou a pensar em coisas ruins e nas coisas que mais sentia raiva, mas nada aconteceu.
- Não está funcionando... – falou Miguel.
- Acho que você num entendeu o que eu quis dizer... – falou Saulo – É a fúria mesmo. É como se fosse uma energia dentro de você. Busque-a.
Miguel mais uma vez tentou. Dessa vez ele visualizou cenas terríveis e então sentiu um calor percorrer o corpo. Sua circulação ficou acelerada e então ele começou a sentir o corpo doer. Foi a pior experiência que Miguel passou, pois ele sentiu todos os ossos crescerem, os tecidos esticarem, os músculos aumentarem, a roupa rasgou e então depois de mais de 1 minuto de sofrimento, pois ele sentiu cada mudança, ele estava transformado. Relaxou um pouco e olhou para os rostos assustados que o fitavam. Depois olhou para as próprias mãos e viu mãos imensas, com garras enormes, e coberta de pêlos cinzentos.
- Legal... – falou Miguel, mas todos olharam para ele como se não entendessem, sendo que ele se ouviu falando a palavra.
- Eles não vão entender você. Só algumas coisas e olhe lá. Eu entendo perfeitamente, pois tenho o dom. – falou Saulo. Os outros só olharam pra ele falando com o lobisomem Miguel.
- É... Tipo... – começou a falar Miguel – As minhas roupas rasgaram... E agora?
- Agora reiousse, filho. – falou Saulo – Vai ter que arrumar outra.
- Outra o que? – perguntou Henrique a Saulo.
- Outra roupa. – respondeu Saulo – A dele foi pro beleléu quando ele se transformou.
- Eu tenho uma roupa extra aqui que é do Rodrigo. Ele comprou hoje a tarde e pediu pra guardar na mochila. – falou Henrique.
- Uia. Perfeito! Melhor que nada! – falou Miguel olhando para Henrique.
- Só entendi o “perfeito”, Miguel. – falou Henrique. Saulo riu e repetiu o que Miguel havia falado.
Henrique entregou a roupa a Saulo, que começou a instruir Miguel para destransformar-se. Quando foi consolidada a mudança de forma para a humana, as garotas viraram-se imediatamente para não olhar e Miguel ficou vermelho como um morango, pegando a roupa das mãos de Saulo e vestindo-se rapidamente. Após algumas risadas, Saulo olha para o relógio e solta uma exclamação de surpresa. Todos o olham.
- O que foi Saulo? – perguntou Miguel ajustando a calça que estava vestindo.
- Está tarde. Já passam das 22h15min. O tempo ta correndo... – falou Saulo.
- É verdade... Vamos nos apressar. – falou Helaine e todos começaram a seguir caminho.
O topo da montanha era muito extenso, assim como a própria montanha. Seria impossível localizarem alguma coisa em menos de 3 horas, e então Pérola começou a chorar. Helaine tentou encorajá-la dizendo que tudo daria certo, mas a mesma não conseguia também acreditar em suas próprias palavras, o que deixou Pérola ainda mais sensível.
Miguel olhou ao redor e percebeu que eles se encontravam numa clareira. Tudo ao redor eram árvores sombrias e com folhas negras. Aparentemente o negrume seria por causa da noite, mas Miguel notou que algumas árvores realmente apresentavam folhas negras.
- Pérola... – chamou Miguel e a garota o olhou – Você disse que temos que achar um cogumelo negro não é isso?
- É... – falou a garota com a voz falhando.
- No livro que você leu... Dizia onde mais ou menos a gente poderia encontrar o cogumelo? – perguntou Miguel.
- Bom... No livro não dizia exatamente onde estaria o cogumelo... Só que ele encontrava-se junto a árvores negras, segundo o livro... – falou Pérola que notou o brilho nos olhos de Miguel e o sorriso que se formava em seu rosto.
- Por que a pergunta Miguel? – falou PC.
- Porque, meu caro Hermes, estamos próximos a árvores negras! – fala Miguel apontando para as árvores de folhas negras que estavam um pouco à frente. Pérola olhou para as árvores e sorriu.
- Conseguimos! – gritou Pérola. E então todos sentiram uma brisa fria que os fazia bater os dentes.
- Conseguiram? – perguntou uma voz irritante que vinha de algum lugar ao redor deles – Temo que o que vocês conseguiram foi encontrar sua morte!
- Quem está aí?! – gritou Henrique.
- Eu poderia ser seu pior pesadelo... Mas, essa piada já perdeu a graça há mais de 50 anos. – respondeu a voz – Meu nome não é interessante, mas os nomes de vocês me interessam. Não gosto de matar quem não conheço.
- Não diremos nada a menos que você nos diga quem é miserável! – falou PC.
- Que criança mais desrespeitosa! – falou irritada a voz – Mas, se vocês preferem saber quem mandou vocês pro inferno, tudo bem! Na língua de vocês meu nome é Nunarael (creio ser isso mesmo).
- O que quer Nunarael? – perguntou Pérola.
- Não estou aqui pra conversar com vocês! Agora digam seus nomes! – a voz amplificou-se e tornou-se ameaçadora na última frase dita, o que assustou a maioria. Helaine deu um passo a frente, tremendo de medo e começou a falar os respectivos nomes.
- Eu sou Helaine, este é Miguel, este é Paulo César, aquele ali é Henrique, este aqui é Tyego, esta é Pérola e aquele ali é Saulo. – falou tremendo a jovem.
- Muito bem. O prazer é todo de vocês ao saber quem vai mandá-los pro inferno. – falou a voz agora em uma melodia diferente. Mudou completamente de uma voz irritante para uma voz grave e que não feria os ouvidos dos que o escutavam.
Uma figura surgiu do meio das árvores negras. Ele tinha mais ou menos 1,50m de altura, magro, cabelos brancos e lisos, olhos puxados e vermelhos, rosto afilado, presas que saíam de sua boca, pele branca (não pálida), orelhas pontiagudas e grandes e trajava roupas exóticas para a maioria dos amigos, pois Henrique e Paulo César conheciam aquele tipo de vestimenta. Era uma vestimenta de magos antigos, que eles costumavam ver apenas em RPG. Todos olharam surpresos com o que viam. A criatura lembrava um elfo das fantasias medievais ou mesmo dos jogos.
- Você que é o Nunarael?! – perguntou com desdém Henrique – Um elfinho de meia tigela que quer lutar com a gente?! E que ainda diz que vai nos matar?!
- Não me julgue por minha frágil aparência, jovem. – falou Nunarael – Posso acabar com vocês muito rápido!
- E por que lutaríamos com você? – perguntou Saulo
- Talvez porque eu seja inimigo, não? – falou em tom de provocação Nunarael.
- E por que consideraríamos você inimigo? – foi a vez de Helaine perguntar.
- Tenha santa paciência! – falou irritado o elfo – Eu estou aqui para impedir o avanço de vocês, crianças!
- E por que você faria isso? – Pérola falou.
- Porque eu fui enviado para isso. – falou impaciente o elfo – E como eu já disse... Não estou aqui para conversar com vocês!
O elfo gritou a última palavra e conjurou um relâmpago, jogando-o em direção aos amigos, que se espalharam rapidamente. O relâmpago atingiu uma árvore próxima a Pérola, e a garota pôde sentir a potência da magia inimiga.
- Ele é poderoso! – gritou ela – Mantenham-se afastados!
- Fácil falar, meu anjo! – gritou Henrique em resposta – O negócio é ser mais rápido que essa magia dele!
Então começou oficialmente a batalha. Miguel escondeu-se atrás de uma árvore, próximo a Pérola. Henrique investiu para cima do elfo e tentou acertá-lo com um soco, mas errou por pouco e fez um grande estrago em uma árvore negra. O elfo o acertou com uma bola de fogo à queima-roupa que fez Henrique ser arremessado alguns metros em direção a PC, que o segurou. Pérola conjurou um relâmpago e jogou-o em direção à Nunarael, que apenas o extinguiu na palma da mão e rindo, o que irritou bastante a garota. Paulo César investiu contra o elfo com sua espada em punho e seus golpes eram aparados pelos braços do elfo, apenas com ruídos metálicos a cada golpe, o que despertou os sentidos de PC. Ele sabia que o elfo provavelmente utilizava de algum bracelete de defesa sob suas túnicas de mago. Nunarael acertou um soco no estômago de PC que o fez cuspir um pouco de sangue. E logo em seguida acertou o rosto do rapaz, fazendo-o cair próximo a ele. Nunarael correu para outro lado, onde foi surpreendido por Saulo em sua forma crinos acertando-o em cheio no peito com suas garras e rasgando parte da túnica do mago. O ruído de metal sendo riscado foi ensurdecedor, e então foi revelada uma armadura por baixo das túnicas do elfo.
Saulo tentou mais uma investida para tentar acertar ataques no elfo, mas sem efeito, pois arranhava a armadura e não feria o pequeno mago, até que Saulo foi acertado por estacas de gelo que caíram do céu, fazendo-o recuar com muitas estacas cravadas em seu corpo. Helaine adiantou-se.
- Então vou te mostrar o que sei fazer! – gritou a garota que revelava possuir uma pequena lâmina na borda do cinto que usava, onde ela passou o polegar da mão direita, cortando o dedo e derramando um pouco de sangue.
Helaine começou a falar na língua antiga e conjurou um pergaminho com a mão esquerda. Abriu o pergaminho, e passando em seguida o polegar sangrento em inscrições que havia no mesmo, onde o sangue era absorvido. Logo em seguida o pergaminho brilhou e quatro esqueletos apareceram, onde dois portavam espadas e escudos, e dois portavam arcos mágicos.
- Ataquem! – ordenou Helaine.
Os esqueletos obedientemente seguiram para o ataque. Primeiramente os esqueletos espadachins investiram e mostraram grande destreza ao portarem suas pesadas armas, fazendo manobras impressionantes de ataque e acertando bastante o elfo, que começou a ficar muito irritado e conjurou também uma espada para segurar os ataques dos esqueletos. Como que por instinto, os esqueletos arqueiros posicionaram-se e começaram a disparar suas flechas mágicas que surgiam quando a corda do arco era puxada. Foram muitos tiros seguidos e um deles acertou uma das fendas da armadura do elfo, que fez com que ele rugisse de dor e segurasse o ombro, onde havia sido feita a ferida.
- Garota atrevida! Usando de necromancia! – gritou o elfo enquanto destruía os esqueletos guerreiros com uma explosão de fogo que saiu de suas mãos fechadas e juntas. E então ele correu em direção à Helaine com a espada pronta para atacar.
Os amigos encararam aquilo como uma oportunidade, e então começaram sua estratégia. Miguel tocou o braço de Pérola e começou a conjurar raios nas mãos. Pérola preparou bolas de fogo para serem arremessadas. PC ficou a postos e investiu contra o elfo frenético e Henrique correu e pulou para em seguida dar uma voadora no elfo, que o acertou em cheio no peito. O chute foi brutal, pois emitiu uma onda sônica poderosa e que fez o elfo voar e bater contra uma árvore. Foi a vez de Pérola e Miguel atacarem com suas magias e também acertarem o elfo. O choque entre as magias provocou uma explosão que fez o elfo ser arremessado para o ar. Paulo César correu e saltou, dando um ataque de cima para baixo com a sua espada e fazendo o elfo acertar o chão com força. Logo após isso, eles notaram que o elfo estava inconsciente, então Saulo adiantou-se, ainda em sua forma crinos e bastante ferido das estacas, e pegou ele pelo pescoço com uma de suas mãos e garras afiadíssimas.
- Acorrrndeee! – foi o que os amigos entenderam quando Saulo tentou falar. E então Saulo jogou o elfo aos pés de Pérola, que se assustou com o ato.
Saulo foi até Miguel e gesticulou para que ele tocasse nele. Miguel entendeu a mensagem e o fez e então Saulo pôde falar e ser entendido.
- Miguel. Diga a Pérola que acorde ele. – falou Saulo.
- Pérola. Saulo ta dizendo para você acordar o Nunarael. – falou Miguel. Então Pérola apenas concordou com a cabeça e começou a falar em uma língua estranha e uma luz avermelhada apareceu em suas mãos. Ela passou no rosto do elfo e segundos depois os olhos vermelhos fitava a todos que se aglomeravam para olhá-lo.
Saulo mudou a forma para a humana e aproximou-se do elfo e o pegou pelo pescoço.
- Só me diga que o autor do veneno não é você... – falou Saulo ameaçadoramente.
- N-não sou eu! – falou o elfo – Foi ele!
- Quem é ele? – perguntou Henrique e o elfo hesitou. – Fala logo, baixinho! De quem você está falando?
- Vai dizer não? – perguntou Saulo e apertou o pescoço da criatura que começou a respirar com muita dificuldade e seus olhos arregalaram-se.
- F-foi ele!! Eu não tenho culpa! – falou o elfo – Ele apenas mandou que eu tirasse...
- Tirasse o que? – perguntou Pérola.
- Os cogumelos negros daqui... – falou o elfo impotente.
- Como é que é?! – gritou Saulo – Quer dizer que vocês tiraram os cogumelos daqui?!
- Não todos! – falou o elfo – Existem alguns! Mas, em locais dominados pelos caçadores noturnos! Eu não me arrisquei a ir lá!
- Quem te enviou?! Responda filho da puta! – ameaçou Saulo modificando a forma apenas da mão, que ficou peluda e com garras enormes. O elfo ficou visivelmente com medo.
- Se eu falar ele vai me matar... – falou tristemente o elfo.
- Então você vai morrer de qualquer jeito. – falou Saulo – E é melhor que seja aqui do que nas mãos dele. Agora fale!
- Foi Marcos Medeiros... – falou o elfo tristemente.
- Marcos Medeiros? – perguntou Saulo olhando para os demais.
- É um professor do departamento de filosofia. – falou Henrique.
- E por que ele faria isso? – perguntou Helaine.
- Lembram de João? – perguntou o elfo
- Eu lembro... – respondeu Saulo.
- Era irmão dele... Por isso que primeiramente ele matou o ancião dos lobisomens... – falou o elfo.
- FOI ELE QUEM ASSASSINOU O NOSSO ANCIÃO?! – gritou Saulo e apertando mais o pescoço do elfo em sua fúria, que fez a criatura arregalar mais os olhos e implorar que ele afrouxasse mais o aperto. – Desculpa...
- Ele quis se vingar e por ter descoberto que foi você, tentou assassinar também seu amigo... Mas, por ele ser usuário de magia e jovem, está resistindo bem mais que o velho ancião... – falou o elfo.
Saulo soltou a criatura, levantou-se e se afastou um pouco do grupo. Quase todos ficaram sem entender, mas Henrique e PC entenderam que ele queria ficar um pouco sozinho. Aquelas informações faziam sentido, pois seria uma forma de atacar Saulo de duas maneiras. Primeiro o homem que era como um pai para ele: o ancião do refúgio; e por outro lado: um dos seus bons amigos.
Helaine adiantou-se para onde estava o elfo e o olhou nos olhos. A íris vermelha dos olhos do elfo parecia brilhar com o imenso luar cheio que estava sobre eles. Era visível o medo nos olhos daquela criatura... Tanto que Helaine compadeceu-se e teve até dó da criatura condenada. Ela então se abaixou e perguntou onde era possível encontrar os caçadores.
- Não falarei! Você usa a magia negra! – gritou o elfo e tentando se afastar de Helaine.
- Eu não uso magia negra! É invocação! E não necromancia! – falou Helaine.
- Então por que esqueletos? – perguntou Pérola.
- Eu não estou em nível avançado... Não tenho muita força para invocar outro tipo de criatura... – respondeu Helaine.
- Mas... Você usa os esqueletos locais...? – perguntou Pérola.
- NÃO! – assustou-se Helaine – Por mais que fosse mais fácil a invocação com esqueletos normais, eu prefiro conjurar os meus!
- Mas, conjurá-los requer mais energia, não? – perguntou Miguel.
- Requer. Mas, prefiro assim a apelar para a necromancia. Eu sou aluna da escola de magia, e lá eles não ensinam magia negra. – respondeu a garota com seriedade. Então ela olhou mais uma vez para o elfo.
Tyego se aproximou do elfo e se abaixou olhando-o nos olhos. Então começou sua investida contra a mente do elfo. Lá ele encontrou uma barreira protetora muito forte e então começou a investida hostil para invadir a mente do elfo, que fez a criatura começar a suar e emitir baixos gemidos de dor, o que chamou a atenção do pessoal ao redor, mas já era tarde, pois a investida havia começado e interferir poderia ser perigoso para os dois do embate. Tyego utilizou das maiores armas que pode contra a barreira, que aparentemente era de pedra. A primeira arma foi uma picareta psíquica atacando a barreira, que só fez um arranhão, mas custou muita dor ao elfo; a próxima arma foi uma marreta imensa, que rachou a barreira, mas mesmo assim ainda não havia demolido. Então todos que só observavam, viram que Tyego mudou a expressão para uma que demonstrou fúria e a terceira e última arma foi usada, reduzindo a barreira a pequenos escombros. A arma usada foi uma bomba muito potente que requereu um grande montante de energia psíquica de Tyego e ele começou a suar frio, mas invadiu a mente do elfo e a criatura ficou com olhar vazio depois de emitir seu último grito de dor, que foi penoso e rouco.
Na mente do elfo, ele viu toda a vida da criatura e grande conhecimento. Ele era muito antigo e muito conhecedor de todos os tipos de magia, mas havia muito repúdio pela necromancia. Ele localizou a parte das lembranças sobre os cogumelos e então se deparou com a eliminação dos itens, pois o elfo havia colhido milhares de cogumelos e destruído todos com muito fogo mágico. Ele viu que ele foi ajudado por muitos vampiros locais, e que esses vampiros estavam pelas redondezas... Então Tyego enrijeceu. Parou a invasão da mente desse e então olhou ao redor. Olhos brilhavam nos locais escondidos entre as árvores. Então Tyego apenas olhou para Helaine e deu um sinal para que ela olhasse para o chão, sendo atendido ele escreveu com a mente: “não alarme, mas estamos cercados”. Ela arregalou os olhos e o olhou. Ela fez menção de que ele entrasse na mente dela e então ele foi e não viu resistência alguma. Lá ele achou uma imagem dela.
- Cercador pelo quê, Tapuia?! – perguntou ela de repente na mente dela mesma.
- Vampiros, mas não são daqueles que Miguel acertou e PC matou. – falou Tyego, que na mente dela assumira a forma de um indígena. Então ele notou a forma que tinha. – Que diabo é isso Helaine?!
- Ah... Eu gosto de te imaginar um índio. – sorriu Helaine.
- Aff... Bom, não alarme. Vamos pegá-los logo eu e você e o restante agem depois. – falou Tyego mudando sua própria forma para a convencional.
- Tudo bem... – falou Helaine.
Tyego saiu da mente de Helaine e olhou ao redor. Helaine conjurou o pergaminho e todos a olharam sem entender, até que ela passou o dedo cortado sobre o pergaminho e surgiram seis esqueletos arqueiros. Ela apenas apontou as direções e os arqueiros começaram seus tiros, pegando de surpresa alguns dos vampiros, que eram atingidos e gritavam de dor. Tyego olhou para alguns ao redor e eles saíram das sombras sentindo fortes dores na cabeça. Uns quatro vampiros ajoelharam-se pedindo clemência, mas foi perdido, em poucos segundos não restava mais nada no local onde anteriormente era sua cabeça, pois houvera uma explosão psíquica de dentro para fora da cabeça desses vampiros, e reduzindo a nada. Pedaços de crânios e miolos voaram para todos os lados, mas não havia acertado ninguém. Os amigos foram pegos de surpresa, e então Tyego gritou para que todos ficassem alerta. Miguel tocou o braço do próprio Tyego e aguardou enquanto os vampiros surgiam. Muitos apareceram, cerca de uns vinte vampiros sedentos de sangue e ferozes mostrando suas presas e garras.
- Isso agora será difícil... – falou Paulo César.
- Que seja... Vamos acabar com todos! – falou Henrique.
- Hmm... Interessante... – falou Saulo reaproximando-se do grupo e olhando para os vampiros. – Será mais eficiente você pegar minha habilidade do que a de Tapuia, Miguel.
- É eu sei. Mas, agora só tenho essa roupa. – falou Miguel.
- Tire ela, ué! – falou Saulo.
- Nem, meu amigo... Vou lutar com essa habilidade mesmo... Se o bicho pegar eu uso o seu dom. – concluiu Miguel e Saulo apenas deu de ombros.
Então começou a luta. Miguel e Tyego arremessando pedras contra os vampiros, ou simplesmente destruindo-os por dentro e reduzindo-os a pó; Pérola jogando relâmpagos e bolas de fogo, também reduzindo alguns vampiros a pó; Henrique acertava-os de modo brutal e também os destruindo; Paulo César cortava os que vinham em sua direção ao meio, mas sempre puxando pro lado do coração e reduzindo-os a pó; Helaine invocou mais seis esqueletos guerreiros e mando-os lutar; Saulo brincava de destroçar vampiros, pois era primeira feita uma perseguição ao vampiro e depois ele destruía-o, pois vampiros têm muito medo de lobisomens, dependendo do seu poder. Alguns vampiros resistiam, e feriram Saulo várias vezes com suas garras, só aumentando a raiva dele. Paulo César errou alguns golpes contra um vampiro específico que era mais rápido que ele, e foi seriamente ferido nas costelas, mas não desanimou, mesmo assim ainda finalizou o infeliz. Pérola foi pega de surpresa pelas costas, mas o instinto a mandou defender-se com fogo, e assim o fez, reduzindo o atacante a pó. Ela havia conjurado uma barreira de fogo ao seu redor, e o vampiro ao invés de surpreender, foi surpreendido. Miguel e Tapuia tinham visão de 360⁰ graças ao psiquismo e não eram surpreendidos de forma alguma. Era um dando cobertura ao outro e sempre destruindo os inimigos. Antes o pessoal achou que eram apenas vinte vampiros, mas surgiram mais e mais e era como se não acabassem.
- Meu Deus! O que é isso?! – falou Pérola.
- Diversão! – respondeu Saulo e Pérola entendeu.
- Mas, a energia dos psiônicos e dos magos acaba... – falou Pérola destruindo mais um vampiro com uma estaca de gelo que o atravessou.
- É... E dos guerreiros também, pois ficam cansados... – falou Paulo César defendendo-se de um ataque e cortando a cabeça de um dos vampiros reduzindo-o a pó.
A batalha estava demorando, até que começaram a reduzir os números de vampiros do local, onde então eles começaram a bater em retirada. Apenas um deles ficou olhando o grupo freneticamente.
- Sabe... Vocês são fortes... – falou com desdém o vampiro.
- É mesmo? – falou Tyego com os olhos brilhando. O vampiro deu um passo para trás.
- Meu nome é Simão. Lembrem-se no nosso próximo encontro! – falou o vampiro e em seguida sumiu.
Saulo aproximou-se do grupo pela lateral direita e destransformou-se.
- Sanguessugas filhos da puta! – falou Saulo com ódio nos olhos e nas palavras.
- Calma man! – falou Henrique – Eles já foram.
- Simão num é isso? – falou Saulo.
- Exato. – respondeu Tyego.
- Vamos nos lembrar sim. Ele vai ser aquele que eu vou arrancar o coração e estourar no meio das minhas garras! – falou Saulo.
- Que seja! – falou Tyego – Agora vamos ver com o elfo onde poderemos encontrar os caçadores noturnos... – Tyego virou-se para o elfo e contemplou a criatura morta com o pescoço cortado.
- Que porra foi isso?! – perguntou Henrique.
- Eu vi o que houve. – falou Paulo César – Enquanto estávamos ocupados, um dos vampiros executou o elfo aí. Eu até que tentei impedir, mas fui impedido.
- É osso! – falou Tyego – E agora? Uma mente morta não possui lembranças!
- Bem... Vamos ter que procurar... – falou tristemente Pérola olhando para o relógio. – Já passam das 23h... Temos pouquíssimo tempo e isso aqui é imenso...
- Então vamos parar de conversar e nos separar para achar os caçadores. – falou Paulo César. – Já que Miguel está temporariamente como um Psíquico, ele vem comigo pela direita e se comunica com Tapuia, caso encontremos algo.
- Boa Pcê! – falou Miguel.
- Eu vou pela esquerda junto com Saulo. – falou Tyego – Qualquer coisa é só contatar todos de uma só vez.
- Eu vou em frente, junto com Helâine e Pérola. – falou Henrique.
- Se acharmos algo eu mando uma mensagem mágica. – falou Pérola.
- Beleza. Então estamos esquematizados. – falou Paulo César – Boa sorte a todos.
*****
Miguel e Paulo César seguiram pela direita da clareira onde lutaram com o elfo e os vampiros. A mata era fechada e de difícil acesso, mas PC utilizou de sua afiadíssima espada bastarda e foi abrindo caminho. Naquela direção não havia muitas árvores negras e não havia nenhum cogumelo, mas Paulo César notou um pequeno movimento a frente e sinalizou para que Miguel parasse.
- O que foi PC? – sussurrou Miguel.
- Shhh! – falou Paulo César – Tem alguma coisa ali na frente. – falou tão baixo que foi quase inaudível.
Então o que estava à frente moveu-se mais uma vez e algo saltou sobre Paulo César, mas ele se defendeu com os braços e sentiu uma mordida.
- AAhh! – gritou Paulo César e segurou o que o mordia. Era algo peludo e pequeno que soltava grunhidos estranhos e graves.
Miguel usou da força psíquica que estava em si e fez aparecer um globo de luz a frente para ver o que mordia Paulo César. Ao ver o que era ele caiu na gargalhada, e Paulo César ficou sem entender até ver o que era o bicho, o que o fez rir também.
*****
Henrique e as meninas seguiram no caminho em frente. Eles eram rodeados por árvores negras, mas nem sinal dos cogumelos. Eles andaram alguns metros e então Henrique começo a notar que tudo estava quieto demais...
- Helâine man! – falou Henrique – Vê se você consegue sentir alguma presença ao nosso redor.
Helaine concentrou-se e constatou não haver nada vivo ao redor deles, pelo menos em alguns metros.
- Nada vivo perto da gente. – falou Helaine.
- Esse é meu medo... – falou Henrique – Nada vivo... Vampiros não são vivos...
- De fato... Vampiros não emitem presença para que usuários de magia os localizem... Só o faro do lobisomem que os localiza eficientemente. – falou Pérola.
- É... E isso aqui ta muito quieto... Foram muitos vampiros, mas acho que ainda deve ter mais de onde veio aquela cambada. – falou Henrique.
- Depende do ponto de vista, meu amigo. – falou uma voz atrás deles, fazendo-os virarem-se imediatamente para olhar quem havia falado.
Era um homem maduro, aparentemente, com 1,84 de altura, cabelos curtos e lisos, porém grisalhos, olhos negros, pele branca pálida, rosto afilado. As garotas consideraram como um sujeito atraente, apesar de seu rosto apresentar algumas rugas.
- Quem é você?! – gritou Henrique.
- Alguém que pode dar a informação que vocês querem. – respondeu o homem.
- E com certeza vai querer algo em troca... – falou Pérola. O homem sorriu.
- Você é esperta, criança. – falou o homem – Vou querer algo em troca da informação.
- Que tal sua vida? – ameaçou Henrique.
- Que vida? – perguntou o homem com um sorriso de deboche – Vampiros não são vivos, meu amigo. E eu cansei de ser fantoche de usuários de magia.
- Hmm... Apresente sua proposta. – disse Helaine.
- Muito simples. Não quero a vida de nenhum de vocês, mas vou querer Marcos vivo. – falou calmamente o vampiro – Podem deixá-lo em condição crítica, mas o quero vivo.
- E se não aceitarmos? – perguntou Henrique.
- Ficarão sem a informação e seu amigo morrerá. – falou o vampiro deixando os amigos apreensivos. – Vocês nunca acharão os domínios dos caçadores sem minha ajuda.
- Vamos convocar os outros para discutirmos o assunto. – falou Henrique.
*****
Tyego e Saulo andaram vários minutos até se depararem com um precipício, uma queda-livre até razoável, caso eles não estivessem observando bem onde pisavam. Não haveria para onde ir, a não ser de volta.
- Andamos em diagonal. – falou Tyego.
- É... Vamos voltar e tentar seguir uma linha reta. – falou Saulo preparando-se para voltar, quando Tyego segurou no seu braço.
- Olhe ali... – apontou Tyego para algo que estava agachado nas sombras e com olhos brilhantes observando-os. Saulo farejou o ar.
- É um deles... – falou lentamente olhando para a criatura – Não é um sanguessuga... É um daqueles monstros...
- É... Será que vai nos atacar? – perguntou Tyego.
- Não sei... Vamos continuar andando... Vou mudar de forma, para qualquer eventualidade. – falou Saulo.
- Eu me comunico com você pela sua mente. – falou Tyego.
- Beleza das rosas. – falou Saulo enquanto começava a mudar de forma.
Tyego sentiu as emoções da criatura que observava a transformação, e ela demonstrava medo, e logo em seguida Tyego percebeu que aquela criatura não estava solitária. Havia algumas outras junto a ela, que também observavam o fato. Era como que aquela que se deixou perceber fosse uma espécie de líder.
- Não sei por que eles não nos atacam... – falou Tyego.
- “Eles”? – perguntou mentalmente Saulo.
- É... São vários, pelo que percebi. Eles estão com medo de você. – falou Tyego.
- “Ótimo. Assim podemos voltar sem problemas”. – falou Saulo.
- É o que parece...
Eles andaram durante alguns minutos e estavam de volta a estaca zero, mas sem nenhum caçador aos calcanhares.
*****
Pérola mandou uma mensagem mágica a todos os grupos solicitando que todos regressassem ao ponto de partida, por mais que eles tivessem perdido mais de quarenta minutos em suas procuras.
*****
Tyego acabara de receber a mensagem de Pérola, quando Saulo começava mais uma vez a seguir na direção que antes fora designada a eles, mas Tyego o chamou de volta e falou da mensagem de Pérola. Pouco tempo depois Pérola, Henrique, Helaine e mais alguém saem das sombras. Esse alguém que vinha com eles parecia suspeito... Muito parecido com um...
- RANGUEXUGA! – gritou Saulo entre grunhidos ensurdecedores e avançando em direção do visitante, mas Henrique entrou no caminho, fazendo-o parar a investida. A forma crinos de Saulo estudou Henrique por um momento, e depois estudou o vampiro. Então ele entendeu que ele serviria como uma chave e apenas pendeu a cabeça para o lado demonstrando insatisfação, e sentou-se, logo em seguida voltando a sua forma humana.
- Ta faltando PC e Miguel chegarem. – falou Tyego.
- Vamos aguardá-los. – falou Pérola e todos assentiram com a cabeça.
*****
Paulo César e Miguel riram bastante da cena que estava ocorrendo. A pequena criatura que o mordia se mostrava feroz, mas não passava de um filhote.
- Quem diria... Achar logo um desses aqui, heim PC? – falou Miguel com um sorriso.
- É... Vou levá-lo para dar de presente a Pedin. – falou Paulo César sem conter o riso, até que ele recebeu a mensagem de Pérola. – Opa! Estamos sendo chamados! Acho que encontraram alguma coisa!
- Exato. Vamos lá. – falou Miguel – Me dá o bichinho aqui que eu tento acalmá-lo.
Miguel tomou a pequena criatura nas mãos e ganhou uma mordida, mas mesmo assim acariciou a pequena criatura e ele notou que ela estava ficando mais calma e soltou a mordida. Eles seguiram de volta para onde haviam partido.
*****
Pérola, Henrique, Helaine, o vampiro, Saulo e Tyego esperavam a chegada de Miguel e Paulo César, que não demoraram quase nada para aparecerem. Não estavam longe quando foram chamados, mas todos notaram uma bola de pêlos nas mãos de Miguel. O vampiro ao ver caiu na risada, assim como Miguel e Paulo César, mas o restante ficou sem entender.
- O que é isso que você ta carregando Miguel? – perguntou Helaine.
- Me deixa mostrar a vocês... – falou Miguel erguendo a criaturinha que observou a todos com seus olhos negros um tanto espantados. Todos caíram na gargalhada.
- Poxa! Não sabia que eles realmente existiam! – falou Tyego rindo a vontade.
- Nem eu! – falou Helaine – Um autêntico mafagafo bem na nossa frente!
- Eu vou dá-lo de presente a Pedin. – falou rindo Paulo César – É a cara dele...
- É verdade! O calouro Pedin é o mesmo que estar vendo um bichinho desses... – falou Tyego – Mas, esse ta muito pequeno.
- É um filhote. – disse o vampiro – Eles ficam mais ou menos com uns 50 cm de altura. Esse aí num deve passar dos 15 cm ainda.
- Sim, mas quem é você mesmo? – perguntou Tyego. O vampiro solta um suspiro.
- Tudo bem. Falarei meu nome, mas não se assustem, pois eu sei que meu sobrenome surte bastante efeito em vocês. – falou o vampiro.
- Pára com esse mistério e desembucha logo! – falou Henrique.
- OK! Meu nome é Gabriel Spencer. – falou o vampiro e todos, com exceção de Pérola, olharam surpresos para ele. – Eu sei... Eu sei... Vocês devem estar pensando que sou parente do professor Spencer, certo?
- Certo! – falaram os aliados em uníssono.
- Creio que parente distante. – falou Gabriel – Eu sou vampiro há mais de 40 anos.
- São muitas revelações, pessoal... Mas, já é meia-noite! – anunciou Saulo olhando para o relógio. – Temos menos de 1 hora pra achar o cogumelo, preparar o antídoto e levar para Tiago!
- Tens razão, meu caro lupino! – falou o vampiro sorrindo pra Saulo, recebendo um bufo de escárnio do próprio. Então Gabriel tirou do bolso um pequeno cogumelo negro e estendeu para Pérola, que o recebeu muito surpresa.
- Infelizmente não é suficiente para o antídoto, mas já é algo. – falou o vampiro – Sigam-me. Vamos para os domínios dos caçadores. Andem com cautela e estejam alerta. – aconselhou o vampiro liderando o grupo para uma diagonal entre a esquerda (que Saulo e Tyego foram) e o caminho em frente (que Helaine, Henrique e Pérola seguiram). Até o jovem mafagafo pareceu interessado em seguir com os amigos, pois não queria desgrudar de Miguel. E então eles decidiram realmente ficar com o bicho.
- Só a título de informação... – falou Tyego – Nós vimos algumas daqueles caçadores onde estávamos.
- Quantos? – perguntou o vampiro.
- Não sei ao certo, mas vimos apenas um. Mas com certeza havia mais. – respondeu Tyego.
- Hmm... Algum deles se destacava? Tinha olhos brilhantes? – perguntou o vampiro.
- Sim. Um deles tinha os olhos brilhantes. – falou Tyego.
- Era o líder. Então provavelmente eles já sabem que estamos indo de encontro a eles. – falou o vampiro.
- Mas, segundo minhas pesquisas eles não pensam... – falou Pérola.
- Sim. Não pensam, mas possuem instintos. Como os animais. – falou o vampiro.
- Eles eram humanos? – perguntou Pérola.
- Já foram, assim como eu... – falou tristemente o vampiro – Mas, com eles o negócio foi diferente. Eles são chamados de “aborto” pelos vampiros.
- Por que aborto? – perguntou Henrique.
- São vampiros mal-sucedidos no abraço e acabam tornando-se “amaldiçoados”. – responde Gabriel Spencer – Perdem completamente o dom do “pensar” e sua aparência verdadeira. Habitam a penumbra desde os primórdios.
- Interessante... – falou Pérola.
- Interessante e penoso, minha jovem. – falou tristemente o vampiro – Eu tenho dó dessas criaturas... Por mais que eles destruam também os vampiros...
- Mas afinal de contas. Eles são ou não vampiros? – perguntou Miguel.
- Não são, pois eles não são completamente mortos. – falou Gabriel – Eles possuem uma subvida, mas se alimentam de carne fresca e sangue. Não têm as garras e presas vampíricas, mas possuem a mesma sede de sangue.
- E por que eles destroem vampiros se eles não são vivos e não possuem carne fresca? – perguntou Helaine.
- Eles lutam conosco por território e, muitas vezes, caça. – fala Gabriel mostrando desdém na fala. – O nosso alimento está escasso aqui. Muitas vezes temos que ir ao mundo normal para nos alimentar.
- Eles conseguem fazer a travessia? – perguntou Saulo.
- Naturalmente, assim como você e eu. – falou o vampiro – Mas, com muita dificuldade. É raríssimo algum deles conseguir a travessia.
- Entendo... – falou Saulo.
Eles cessaram a conversa assim que Gabriel Spencer levantou a mão pedindo silêncio. Provavelmente aquele já era um local perigoso. Gabriel apontou seus olhos e ouvidos e apontou ao redor, como pedindo para que todos ficassem alerta, e o recado havia sido entendido. Miguel tocou o braço de Pérola e sorriu para a moça, enquanto todos caminhavam lentamente a totalmente alerta. Até o jovem mafagafo entendeu que deveria ser feito silencio e escondeu-se nas roupas de Miguel, e botando as pequenas mãos na boca.
O ambiente ficou tenso e então o primeiro grito de susto foi ouvido. Pérola tinha sido surpreendida por uma pequena aranha que havia caído em seu ombro, e deixou todos com seus alertas redobrados, o que não os fez serem pegos de surpresa pela investida dos caçadores que apareceram logo após o grito. Todos agiram rápidos e posicionaram-se. Vários caçadores ignoravam a possibilidade de serem aniquilados de imediato e pulavam sem medo sobre o grupo. Eles emitiam gritos roucos e rugidos monstruosos quando atacavam. A batalha foi rápida na primeira investida. Henrique partiu o crânio de um dos que haviam atacado ele, e o outro ele estourou a caixa torácica com um soco, usando sua técnica destrutiva. Pérola usou estacas de pedra e madeira que saíram do chão e das árvores respectivamente, atravessando e destruindo quatro que tentavam atingi-la. Helaine conjurou um escudo e protegeu-se de dois ataques fortes investidos contra ela de uma única criatura, mas finalizou-a invocando um esqueleto bárbaro portando um machado monstruoso que partiu o bicho ao meio. Miguel jogou uma rajada prismática contra os bichos que voaram em sua direção e as criaturas sumiram. Paulo César rapidamente deu cabo de cinco ágeis, porém não espertos caçadores. Cortou-os como se fossem manteiga com uma faca quente. Saulo, já em sua forma crinos, arrancou maxilar e abriu peitorais de caçadores com muita facilidade. Gabriel Spencer esquivou-se de ataques e acertou com socos potentes alguns caçadores, e outros ele finalizou com as garras arrancando costelas ou mesmo cortando pescoços. Tyego estourava cabeças e esmagava criaturas com pedras enormes. Tudo estava fácil para o grupo, apesar de o número estar aumentando e aqui ou acolá alguém receber um ataque bem-sucedido causando danos razoáveis.
A batalha estava demorada, porém ainda na vantagem para os amigos, até que foi ouvida uma espécie de uivo e os caçadores cessaram o ataque. Os que estavam cercando os amigos ficaram ameaçando com caretas e mostrando os dentes, mas não avançavam. Gabriel olhou ao redor e entendeu o que ocorrera.
- O líder entendeu que está perigoso para eles. – falou Gabriel cauteloso olhando ao redor.
- Isso significa que...? – falou Tyego.
- Que vamos, provavelmente, enfrentar ele e mais alguns poderosos. – falou Gabriel um tanto preocupado.
- Que venham os capetas! – falou Paulo César.
- Eu não desejaria isso se fosse você, meu caro. – falou Gabriel – Eu vi elders morrendo para um líder caçador ou mesmo sua “elite”.
- Elders? Está falando dos “senhores” dos vampiros? – perguntou Pérola.
- Exatamente. – respondeu o vampiro – Não sou elder ainda, mas sou poderoso. Agora, se um elder morreu para uma porcaria dessas, imagino um ancila.
- É. Mas, você não contava com aliados lutando ao seu lado. – falou Henrique.
- Valorosos, diga-se de passagem. – falou o vampiro com uma piscadela e Saulo bufou com desdém.
- Preparem-se! – falou Pérola ao avistar alguma coisa se movendo entre os caçadores noturnos.
Um dos caçadores, que se destacava pelo tamanho, agressividade na face e rugido, tomou a frente dos demais e gritou para a multidão de caçadores que o observava. Rugidos de júbilo poderiam ser ouvidos em resposta e então ele começou o ataque. Era muito mais forte que qualquer outro enfrentado pelos amigos. Em uma investida ele derrubou Henrique e Paulo César com os ombros e estava seguindo em direção à Pérola, que tratou de conjurar relâmpagos para tentar impedir o avanço inimigo, sendo ignorada. O raio atingiu a criatura em cheio, mas pareceu não surtir efeito. Ao invés de atravessá-lo, como normalmente o faria, o raio simplesmente morreu no peito da criatura. Pérola entrou em pânico, então Miguel agiu por instinto jogando uma bola de fogo na criatura que sentiu a dor e sua pele queimando com facilidade.
- Acertou em cheio, garoto! – falou Gabriel – Eles também são fracos a fogo! Mas, cuidado com isso aí!
Helaine conjurou um esqueleto lanceiro e gritou para Pérola complementar. A garota conjurou fogo na ponta da lança do esqueleto, que seguiu em investida para acertar logo em seguida o caçador e atravessá-lo com uma lança, mas sem aparentes danos à criatura. O caçador em resposta destruiu o esqueleto em uma tapa aplicada e quebrou a lança. Saulo seguiu para lutar com a criatura, mas foi atingido por uma pancada forte no estômago e em seguida no rosto, caindo aos pés de Henrique, que acabara de levantar-se.
Paulo César veio correndo por trás de Henrique, saltou e apoiou-se nos ombros de Henrique para obter impulso para um ataque aéreo contra a criatura, acertando-a na cabeça e cravando a espada. Ouviu-se um urro de dor da criatura e Paulo César sentiu as costelas partindo quando recebeu uma pancada que o arremessou sobre Miguel e Pérola. Tyego esquivou-se, por estar pertos desses dois, e então foi feita a sua investida contra a criatura forte. Ele se concentrou nos olhos da criatura e invadiu sua mente primitiva. Lá ele não viu raciocínio ou coisa parecida, apenas um instinto primal e faminto. Ele só via sede de sangue e fome de carne fresca. Então ele começou seu letal ataque. Começou a destruir o sistema nervoso da criatura, que urrava de dor e contorcia-se no chão. Rompeu cada um dos ligamentos e matou todos os mínimos neurônios que a criatura possuía o que provava que ela não era tão primal assim, que já foi um humano. A criatura gritou de dor até que parou de repente e ficou imóvel no chão deitada. Tyego caiu de joelhos devido ao grande esforço que já vinha fazendo e colocou ambas as mãos na cabeça, sinalizando que estava no seu limite. As criaturas ao redor ficaram um breve momento sem entender e depois partiram para o ataque. Provavelmente, segundo pensaram alguns dos amigos ali, aquelas criaturas não possuíam apenas um líder, mas a morte daquele ali deixaria as coisas mais tranqüilas, depois de aniquiladas as ameaças. O combate foi rápido e preciso. Logo eles haviam retomado apressadamente o caminho.
- Que horas Saulo? – perguntou Helaine. Saulo olhou para o relógio e mostrou uma cara de choque.
- Meia-noite e meia... – falou apressando mais o passo.
- Vamos! Estamos perto de nosso destino! – falou Gabriel.
Eles caminharam mais uns cinco minutos em então avistaram algumas árvores negras, e logo abaixo delas, alguns cogumelos negros. Pérola colheu alguns com um sorriso no rosto e então conjurou uma bolsa, onde continha seu material para preparar poções. Rapidamente ela pôs-se a trabalhar e preparar a poção. O restante, com exceção de Tyego, estava alerta para pequenas surpresas, que não houve até ser concluído o antídoto, que ela pôs em dois frascos por segurança e entregou um dos frascos a Saulo.
- Isso deve servir para os seus companheiros saberem preparar um antídoto desse veneno, casso seja necessário futuramente. – falou Pérola.
- Muito obrigado. – falou Saulo com seriedade.
- Agora temos que ir até Tiago. – falou Helaine.
- Com certeza Rubi estará esperando por a gente... – falou Pérola.
- Rubi? – falou Henrique – Outra aluna dele?
- É... Mas, ela tem muito conhecimento... Sabe até uma magia proibida e que nosso mestre não sabe... – falou Pérola.
- E qual seria? – perguntou Paulo César.
- Teletransporte. – falou Pérola e causou surpresa aos ouvintes– Entrarei em contato com ela assim que chegarmos ao mundo normal. Ela virá buscar o antídoto para usar nele o quanto antes! Dará tempo! – falou ela com um sorriso.
- É verdade... – falou Henrique – Mas, teletransporte é uma boa.
- É uma magia proibida... Requer muito do mago... Alguns morrem tentando... E ela vai usar duas vezes... É muito arriscado... Até mesmo para alguém com poderes como os dela... – falou Pérola.
- Ela é mais poderosa que o Tiago? – perguntou Miguel.
- De certa forma, sim. – respondeu Pérola – Ela nasceu com os poderes. Tiago aprendeu os dele, assim como eu.
- Ah! Ela é uma maga feiticeira! – falou Helaine. – Tem o dom da magia no sangue!
- Exatamente. E isso a torna muito resistente à fadiga que a magia causa a usuários que aprendem os poderes. – explica Pérola.
- Eu sei bem disso... – disse Helaine – Eu canso muito fácil...
- Nem me fale... – falou Pérola descontraída.
- Que tal seguirmos para o mundo normal? – perguntou Saulo. – Temos pouco tempo.
- É verdade... – concordou Henrique.
Saulo começou a gesticular à procura das partículas mágicas e as encontra com um pouco de dificuldade. Força um pouco para abri-las e nota que estava bem cansado dos combates. Até que ele consegue abrir um caminho e indica para que todos passassem, sendo obedecido, o mais rápido possível, pelos amigos. O único que hesitou em atravessar foi Gabriel.
- Não vai vir sanguessuga? – perguntou Saulo.
- Não sei se deveria...
- Homem, num é porque eu num gosto de vampiros que eu tenho que deixar quem me ajudou pra trás não! – falou Saulo indignado e suando pelo esforço – Uma coisa que eu não sou é ingrato e mal agradecido. Se ai passar, passe logo porque eu to cansado e tenho que fechar isso aqui, se não... Passar bem!
Gabriel Spencer olhou aqueles olhos sinceros de Saulo e atravessou a passagem, que logo em seguida foi atravessada por Saulo.
Ao chegarem ao outro lado, Pérola imediatamente mandou uma mensagem mágica para sua amiga Rubi, que apareceu instantes depois com um brilho azulado e sendo envolvida por ondas energéticas.
- Rubi! – falou Pérola – Aqui está o antídoto! Leve para ele! Rápido!
- Claro! – falou a garota chamada Rubi que pegou o frasco e desapareceu logo em seguida.
O processo foi tão rápido que os amigos mal puderam ver quem era Rubi. Então Pérola juntou todos em um círculo, instruiu Miguel de como era a cura e eles começaram os processos de cura. Quando Pérola chegou para curar Gabriel ele deu alguns passos para trás.
- Seus métodos de cura não funcionam com vampiros. Eles apenas agravariam minha situação... – falou Gabriel Spencer – Agradeço sua preocupação, mas o que me curaria seria um pouco de sangue, pois minha reserva está baixa...
- Alguém vai se dispor a doar um pouco de sangue para Gabriel? – perguntou Pérola, o que assustou o vampiro.
- Não precisa...
- Eu doarei um pouco. – interrompeu Saulo. Gabriel arregalou os olhos sem entender. – Eu disse que não era mal agradecido. E eu seu que a reserva de sangue de um garou é muito forte e muito beneficente a um vampiro.
- Isso é... – falou Gabriel. Saulo sorriu.
- Ótimo. – falou Saulo e pediu emprestada a espada de PC. Logo depois cortou de leve a mão e deixou escorrer sangue na boca do vampiro. Depois de quase 1 minuto ele cessou a doação. – Acho que é suficiente.
- Com certeza! – falou o vampiro que já mostrava uma regeneração rápida de suas feridas.
- Bem... Agora vamos embora, né? – falou Paulo César.
- Não. – respondeu Henrique.
- Por que não?! – perguntou Paulo César.
- Demos nossa palavra para o vampiro... Vamos ter que enfrentar Marcos... – falou Henrique.
- Não será necessário, Henrique... – falou Gabriel – Vocês conseguiram salvar o rapaz, está tudo bem...
- Não senhor! – falou Helaine – Demos nossa palavra, e vamos cumprir.
- Exatamente! – falou Henrique – Boa Helâine man!
- Sinto uma presença poderosa... – falou Tyego aparentemente sem as dores de cabeça após a cura.
- É ele... – falou Gabriel Spencer – Já sabe que estamos aqui...
- Que venha o desgraçado... – falou Saulo.
Miguel sentiu uma inquietação por dentro da roupa e lembrou-se do pequeno mafagafo. A criatura havia passado pelo portal com eles. Miguel tirou a pequena criatura de dentro de suas roupas e olhou ao redor. Atualmente eles estavam em cima do Morro do Careca, e para descer haveria duas maneiras: descer pela frente mesmo do morro, ou fazer uma volta por trás do morro, o que eles perderiam por baixo uns quarenta minutos.
Então algo surgiu na frente deles, da mesma forma de Rubi havia surgido, só que dessa vez não era a garota. Era um homem alto, com vestes negras e encapuzado. Todos se assustaram com tamanha ameaça que aquele homem emanava, inclusive o jovem mafagafo que mordeu Miguel, saltou de suas mãos e correu para longe.
- Volte aqui pequenino! – gritou Miguel, mas o bicho ignorou. – Droga! Perdemos o mafagafo!
- Melhor você se preocupar com você, garoto! – falou a voz grave do homem.
- Eu não vou nem perguntar quem é você, porque eu já sei! – falou Gabriel. O homem tirou o capuz e estava sorrindo diabolicamente. Ele tinha 1,77m de altura, cabelos escorridos e negros, mas um pouco grisalho, usava óculos, era branco e tinha um ar de superioridade.
- Não será necessário me apresentar. – falou Marcos – Vou matar todos aqui e vingar a morte do meu irmão! Lobisomem maldito! Matou o João! Por quê?!
- É... Eu matei o seu irmão... – começou Saulo – E quer saber? Aquilo me deu muito prazer! Ah, você quer saber o por quê? Cara... Ele era um sanguessuga e ainda estava quase matando meus amigos... O que eu poderia fazer era partir ele ao meio, como eu fiz...
Marcos olhou para Saulo com fúria nos olhos, o que deixou Saulo satisfeito. E então a conversa cessou, pois Marcos havia começado o combate.
Todos puderam perceber que ele possuía uma pequena lâmina na roupa, localizada bem a frente do peito, onde ele passou o polegar direito e conjurou um pergaminho com a mão esquerda. Helaine assustou-se, pois aquela era a técnica dos “summoners”, os magos invocadores. Lutar contra um invocador experiente sempre era considerado um problema pelos professores na escola de magia. E o nome Marcos era muito familiar para a garota, mas ela não estava lembrando o porquê...
A primeira coisa que marcos invocou foi um grande golem de ferro, portanto um imenso machado de duas folhas.
- Mate a todos, minha criatura! Mas, deixe o lobisomem pra mim! – falou Marcos Medeiros.
Todos se espalharam para dificultar a investida da criatura. Saulo transformou-se em sua forma crinos e investiu para cima do mago Marcos.
- Saulo! Não mate o mago! – gritou Henrique. – Só o deixe ferido, mas não o mate! Nós prometemos ao vampiro o mago vivo! – Saulo apenas deu um leve grunhido de entendimento, por mais que estivesse desejando partir aquele filho da mão do mago ao meio.
Henrique acertou alguns golpes que tiveram uma grande onde de energia contra a criatura, mas sem efeito algum. Miguel e Pérola em sincronia mandaram diversas magias sobre o bicho, mas parecia não surtir efeito. Paulo César investiu contra a criatura, mas após alguns golpes recuou para não quebrar sua arma. Tyego arremessou pedras com ondas psíquicas na criatura, pois ela não possuía mente para ser destruída de dentro para fora.
Os amigos começaram a perder muita energia com esse combate com o golem e sem sucesso algum. Henrique foi acertado pela lateral do machado da criatura e arremessado há alguns metros. Miguel e Pérola mostravam a fadiga em suas expressões, e não mais lançavam magias contra a criatura. Tyego chegou a causar danos consideráveis à criatura, mas aparentemente não havia progresso quanto a destruí-la ou não. Então ele começou a sentir uma dor de cabeça forte. Paulo César apenas tentava distrair a criatura, mas foi acertado com um golpe do machado, que se ele não tivesse defendido, tinha sido partido ao meio, e caiu ferido e desacordado. Tudo parecia perdido para os amigos até que eles notaram que Helaine nada fizera a não ser assistir os esforços que foram em vão dos amigos.
- Poxa Helaine! – gritou Tyego – Vai ficar só olhando aí?!
- Não! – respondeu a garota – Estou me concentrando! Falta só mais um pouco!
- Um pouco quanto? – perguntou Henrique que chegou com o canto da boca sangrando devido aos impactos.
- Alguns minutos! – respondeu Helaine.
- Porra! Assim não dá! – falou Henrique investindo mais uma vez contra a criatura, só que dessa vez atingindo os locais danificados por Tyego.
Helaine concentrou o máximo que pode e sentiu que era suficiente, exatamente no mesmo instante em que Henrique sofrera um ataque fortíssimo de um chute da criatura. Helaine feriu o dedo mais uma vez em sua pequena lâmina e conjurou um pergaminho vermelho, totalmente diferente do que ela usara para invocar os esqueletos.
*****
Saulo foi muito rápido ao bater de frente com o mago, acertando uma de suas garras em cheio no peito do homem. O barulho a seguir foi de metal sendo arranhado, e então foi constatada a armadura por baixo das vestes do mago. Marcos reagiu lançando uma bola de fogo que explodiu no peito de Saulo e o atirou um pouco longe, chamuscando seus pêlos do peito e fazendo-o grunhir de dor.
- Não sou apenas invocador, criança! Tenho minhas cartas nas mangas! – falou Marcos e Saulo apenas rugiu uma resposta.
Saulo tentou acertar uma mordida no pescoço do homem, mas foi surpreendido com uma espada de prata que o homem portava, e saltou para trás com mais rapidez que um gato quando foge da água. E a espada tocou de leve no braço de Saulo, queimando a pele e fazendo-o uivar de dor.
- “Filho da puta!” – grunhiu Saulo.
- Venha cachorrinho! – zombou o mago – O que foi? Ta com medo desse punhal? Hahahahaha!
*****
Helaine então fez o que todos menos esperavam: invocou um dragão vermelho de tamanho considerável que apareceu nas costas dela. A criatura baixou a cabeça até Helaine, que fez um leve carinho no seu focinho.
- Esse é o meu trunfo! – falou Helaine e todos que estavam perto dela olharam maravilhados para a criatura majestosa que recebia carinho de Helaine.
- E você vem usar essa porra agora Helâine?! – gritou Henrique, o que fez o dragão olhar feio para ele.
- Eu preciso de muita energia e concentração para poder chamá-la... Não poderei mais invocar nada durante muitos dias... – falou Helaine.
- Chamá-la?! E é fêmea?! – assustou-se Miguel, que corria para puxar PC para um local seguro.
- É... O nome dela é Helena! – falou Helaine com um sorriso e sem conseguir esconder o evidente cansaço.
- Descanse um pouco miestra! Eu cuido desse bichinho crescido aí! – falou o dragão com uma voz grave e ameaçadora.
- Cuidado Helena! – falou Helaine abraçando o focinho do dragão e depois se afastando para ajudar Miguel a carregar PC. Deixando-o perto de Pérola e Miguel, voltou para observar a luta do dragão de outro lugar.
Henrique saiu do caminho para o dragão começar a luta com o golem.
*****
O mago observou a invocação que Helaine acabara de fazer e soltou uma exclamação de surpresa. Nem ele, que era muitíssimo experiente com invocações, era capaz de invocar um autêntico dragão, e ainda mais vermelho. Nesse momento de descuido, Saulo aproveitou a oportunidade e acertou vários golpes, na intenção de destruir a armadura, mas pareceu não surtir efeito. Marcos o ameaçou novamente com a espada de prata e ele recuou alguns passos.
- Você vai ser fácil cuidar! – falou Marcos – O problema vai ser aquilo ali.
Saulo olhou para o dragão que surgira, mas não perdeu a atenção do mago. Ficou admirado por ver que Helaine acariciava a criatura. Provavelmente ela havia invocado o dragão. Saulo então mostrou os dentes ao mago, que sorriu em resposta.
- Quer morrer agora, cachorrinho? – debochou o mago – Pois venha!
- “Tire a porcaria dessa armadura que você vai ver o que é bom!” – grunhiu Saulo. O mago só entendeu “tire”, “armadura” e “bom” no meio dos sons guturais que a forma crinos de Saulo emitiu.
- Tirar a armadura? – falou o mago com desdém – Me force a isso! Hahahahahaha!
Saulo apertou mais os olhos, para demonstrar ameaça, e então seguiu na direção de Pérola.
- Já vai fugir?! – falou o mago – Covarde... – disse ao mesmo tempo em que entendia que Saulo estava seguindo em direção a um dos usuários de magia.
- Ah! Muito esperto! – continuou o mago.
Saulo encaminhou-se para Pérola e tentou se comunicar com ela. Ela não entendeu praticamente nada. Então Saulo tocou Miguel e falou para Pérola jogar magias de fogo contra o mago, a fim de destruir a armadura ou fazê-lo retirá-la. Miguel passou o recado e novamente tocou o braço de Pérola para reaver poderes mágicos, e ajudá-la na estratégia de Saulo.
Marcos pareceu entender o que Saulo pretendia e atacou o grupo de três pessoas que estavam se preparando, mas foi impedido por uma força psíquica que quebrou sua magia quando foi lançada em direção ao grupo. Ele olhou aterrorizado para os lados procurando o autor da defesa e o encontrou agachado olhando-o com olhos brilhantes.
- Você acha que isso vai me deter?! – gritou Marcos.
- Não, mas com certeza vai atrapalhar um pouco. – falou calmamente Tyego, enquanto Pérola, Saulo e Miguel corriam para o local onde estava o mago.
*****
Helaine observou o seu dragão investir contra o golem e acertar alguns golpes com suas monstruosas garras e dentes causando um dano considerável, pois rasgava o ferro e fazia a criatura recuar. O dragão pareceu gostar da idéia do recuo do golem e estufou o peito majestosamente, como se estivesse orgulhoso do fato, mas na verdade estava concentrando sua baforada mortal. Um jato de fogo saiu da boca do dragão, primeiramente deixando o golem vermelho por causa do aquecimento, e logo após reduzindo-o à apenas um monte de ferro derretido. O dragão soltou um urro de triunfo e esticou suas asas mostrando quem mandava no pedaço. Helaine aplaudiu vigorosamente o dragão, que reverenciou de leve a garota.
- Muito bem Helena! – falou Helaine – Você é muito poderosa!
- Engrandece-me com suas palavras, miestra. – respondeu o dragão.
- Mas, é a verdade! – falou Helaine com um sorriso.
Henrique se aproximou de leve da criatura, admirado e com um pouco de medo, pois aquele dragão emanava muito poder de sua aparência monstruosa.
- Eu não sabia que eles realmente existiam... – falou Henrique.
- Existem. Eu descobri essa mocinha aqui há alguns anos... – falou Helaine – Eu tinha uns sete anos quando encontrei o ovo.
- Interessante... – falou Henrique com interesse – Será que existem mais?
- Improvável. – respondeu o dragão.
- É... A raça dos dragões foi praticamente extinta há séculos. – falou Helaine.
- É, mas você achou uma sobrevivente. – falou Henrique
- Detalhes... – falou Helaine – Hei, vamos ajudar os outros! – ela apontou para o pessoal que investia contra o mago.
- Vamos! – respondeu Henrique.
- Boa sorte! – falou o dragão.
- Obrigada! – falou Helaine com um lindo sorriso – A gente se fala em breve, Helena.
- Anseio por isso, miestra. – falou o dragão e então sumiu com uma ofuscante luz que surgiu em seu corpo.
O grupo reuniu-se. Paulo César havia sido curado brevemente com esforços em grupo dos dois magos e estava praticamente 100%. Eles então notaram que o vampiro havia sumido.
- Onde está o vampiro? – perguntou Miguel.
- Não o vi quando começou o combate... – falou Pérola.
- E nem eu quando ele sumiu... – falou PC – Se bem que eu estava no chão.
- Ele saiu por uma das adjacentes. Não consigo ler a mente dele. É protegida. – falou Tyego – Creio que deve ter algum plano.
- Ou nos traiu! – falou Henrique.
- Não acho que ele tenha feito isso... – falou Helaine – Eu concordo com o Tapuia... Ele deve ter um plano.
E tinha. Quando os embates começaram novamente o vampiro retornou portando uma estranha arma. Era uma espécie de bazuca que tinha pequenas mangueiras ligadas a tanques que estavam nas costas do vampiro. Provavelmente algum lança-chamas ou algo do tipo. Mas, ao ser apertado o gatilho da arma, não foram chamas que brotaram da bocarra da arma, e sim nitrogênio líquido. Todos se espalharam rapidamente e o jato voou em direção ao mago. O barulho de nitrogênio líquido congelando algo instantaneamente pôde ser ouvido. Os amigos olharam esperançosos e se depararam com apenas a parte congelada no chão vazio. O mago surgiu nas costas do vampiro e jogando fogo contra o mesmo. Gabriel soltou rapidamente a arma e esquivou-se do ataque por pouco, sofrendo uma queimadura considerável no braço direito. O grito de dor foi penoso, mas despertou uma fúria incomum no vampiro. Ele investiu tão veloz para cima do mago, que nem os olhos treinados de Henrique e Paulo César puderam detectar os movimentos. Num curto momento de desespero, o mago jogou um relâmpago na arma do vampiro, que estava no chão e acertou um dos tanques, fazendo-o esguichar nitrogênio líquido e petrificar o vampiro.
Os amigos olharam horrorizados para a forma do vampiro congelado ameaçando com suas garras e presas o mago, que debochou do que ocorrera com o vampiro.
- Menos um... – falou com desdém – Falta o restante.
Então começou mais uma vez o combate. Magos usavam suas magias freneticamente; Guerreiros lutavam com vigor. Todos tiveram muito cuidado para não destruírem o vampiro, pois Pérola havia dito que podia salvar o Gabriel. O primeiro a cair foi Saulo, acertado pela espada de prata bem no peito. Foi aberto o corte e ao mesmo tempo cicatrizado pelo efeito que queimadura que a prata tinha sobre a pele de um garou. Aquilo foi o suficiente para causar danos muito sérios a Saulo que caiu inconsciente e mudando de forma para a sua habitual. Ele estava com sangue na boca e a camisa rasgada no lugar do corte. Henrique acertou alguns golpes no mago, o que o arremessou alguns metros, mas ele voltava com teletransporte. Henrique causou bastante dano no mago, mas foi surpreendido com um relâmpago que o atravessou na barriga. Ele cuspiu sangue e caiu segurando o sério ferimento da barriga. Paulo César esperou que Pérola e Miguel jogassem rajadas de fogo contra o mago, o que o fez despir a armadura, e então investiu para acertá-lo no peito com uma espadada, mas o mago curava-se instantaneamente e sorria em deboche. Houve faíscas voando no choque entre as espadas e então Paulo César lembrou-se de uma das técnicas de desarmamento de o pôs em prática. Acertou o ponto-chave da espada inimiga e a lâmina partiu-se, destruindo a arma do inimigo. Ele sorri de triunfo enquanto o mago mostra um terrível olhar de insatisfação.
- Minha espada... – falou o mago – Ela vinha na família há séculos, seu filhinho da puta! Agora você vai morrer!
- Tente me matar, miserável! – falou Paulo César.
O mago começou a gesticular e juntar forças negras ao seu redor. Pérola identificou rapidamente o que ele pretendia usar.
- Paulo! Ele vai usar um raio desintegrador! – gritou Pérola. PC olhou assustado para o mago quando ele começou a murmurar as palavras que Pérola havia dito. O inimaginável ocorreu. O mago desconcentrou-se e desequilibrou-se devido a uma mordida que havia sofrido do mafagafo que eles haviam achado. A pequena criatura estava agora tentando defender Paulo César. O mago xingou o pequeno mafagafo e o chutou para longe. Paulo César aproveitou o momento de descuido do mago e o atravessou com a lâmina de sua espada no peito. O mago, pego de surpresa, apenas segurou na lâmina que o atravessava e caiu com o seu peito enchendo de sangue e um dos seus pulmões também se preenchendo de sangue.
- Des-desgraçado... – falou o mago com sangue escorrendo de sua boca ao falar.
- Isso foi por ter chamado minha mãe de puta... – falou Paulo César, logo em seguida dando um soco no rosto do homem – E isso por ter chutado o mafagafo.
Paulo César deixou sua espada no peito do homem e foi pegar a criaturinha que parecia chorar no chão com grunhidos longos e pesarosos.
- Bichinho... – falou Paulo César acariciando o mafagafo – Você foi animal... – então ele teve a idéia – É... Animal será o seu nome!
Pérola correu e curou Henrique em conjunto com Miguel, curou Saulo e em seguida descongelou o vampiro com uma magia de separação de partículas. Então todos se juntaram ao redor do mago agonizante.
- Bem Gabriel. Aí está o mago, como prometido. Situação crítica, mas ainda vivo. – falou Henrique.
- Tudo bem. Agora aqui é comigo... – falou Gabriel tirando a lâmina do peito do mago, que uivou de dor, e entregou a espada a Paulo César. – Vão cuidar do seu amigo.
- O que você fará com ele? – perguntou Helaine.
- O que ele mais teme... Vai morrer por um vampiro. – falou Gabriel – Ele achava que só porque o irmão dele era vampiro, nenhum de nós o usaria como alimento. Engano mortal. Até o irmão dele pretendia alimentar-se dele ou transformá-lo em um de nós.
- V-você mente! – gritou o mago – Ele jamais faria isso!
- Se esse garoto aqui não tivesse matado João, a próxima celebração de sangue seria com você, mortal ingênuo. – falou Gabriel.
- Como você tem tanta certeza?! – gritou Marcos.
- Fácil. Ele me convidou para a celebração que seria com o SEU sangue. – falou Gabriel com um sorriso. Marcos ficou com uma expressão desconsolada no rosto.
- Não se preocupe Marcos. Eu vou realizar o desejo do seu irmão e você se juntará a ele no inferno! – falou Gabriel Spencer sorrindo. – Bem pessoal melhor vocês irem. Isso nunca é bonito de se ver.
- É... Vamos nessa! – falou Henrique e todos assentiram.
Todos se despediram de Gabriel Spencer e do mago agonizante que implorava clemência. Saulo até apertou a mão do vampiro e agradeceu. E então os amigos desceram o morro pela frente mesmo, divertindo-se a cada passo e rindo bastante. Depois seguiram para o calçadão e de lá subiram uma ladeira que dava num pequeno centro comercial de artesanato. Lá havia uma parada de ônibus que no momento que eles chegaram, parou um corujão de Nova Parnamirim.
- Que sorte a nossa! – falou Miguel.
- É verdade! – concordou Pérola – Vamos!
Eles seguiram alegremente o caminho até o condomínio que Tiago morava, brincando entre si e com o pequeno mafagafo que aparentava estar muito feliz entre os amigos. Ao chegarem ao seu destino, os amigos desembarcaram do veículo e adentraram o condomínio, seguindo para o bloco em que Tiago morava. Ao chegarem lá, Pérola digitou a senha e os portões abriram. Eles subiram. Ao chegar em frente ao apartamento 202, Pérola bateu levemente na porta. O barulho das trancas foi ouvido e Rubi apareceu ao abrir a porta. Pérola congelou ao ver a expressão séria da amiga, assim como os demais que aglomeravam o estreito corredor.
- Não me diga que... – falou Pérola levando as mãos à boca. Rubi apenas baixou a cabeça.
- Não acredito... – falou Helaine tristemente – Não conseguimos...
- Quem disse? – veio uma voz que estava ao lado de Rubi e Tiago surgiu sorrindo ao lado da garota.
Helaine não se conteve, deu um grito e depois um forte abraço no amigo, mesmo com os protestos de Tiago para que fizesse silêncio, pois os vizinhos poderiam reclamar. Todos adentraram o apartamento e sentaram-se no chão da sala, por não haver cadeiras suficientes para todos.
- Eu dei muito trabalho a vocês, heim? – falou Tiago.
- Um pouco... Mas, nada que não pudéssemos resolver... – falou Tyego.
- É... Mas, agradeça a esse rapaz aqui seus amigos estarem vivos! – falou PC mostrando o mafagafo.
- Caralho! – gritou Tiago surpreso – Não sabia que eles existiam!
- Existem! E esse aqui será de Pedin. – falou Paulo César – O nome dele é Animal.
- Prazer Animal! – falou Tiago estendendo a mão para o bicho, que mordeu em resposta. – Aii!
- Ele ainda não se acostumou com você! – falou Miguel.
- Faz parte... – falou por fim Tiago.
Todos riram um pouco e então contaram a aventura ao amigo e sua aluna que não havia participado da missão. Eles ouviram com interesse e Tiago pediu muitas desculpas aos amigos. Depois de um papo descontraído, com direito a ligação da síndica do bloco pedindo silêncio, Tiago providenciou locais para o pessoal se recolher. Usou até o quarto de seu amigo Charles, que estava viajando, para alojar as garotas.
Após todos estarem relaxados e deitados, o sono veio rapidamente, devido à fadiga, e todos tiveram um ótimo sono.
Observações [para os não-RPGistas]:
- Matilha: um grupo de lobisomens que se juntam para realizar missões designadas pelo ancião do refúgio.
- Termo "irmão" usado por Roney: nesse caso, os lobisomens que pertencem à mesma "família", que é chamada de "tribo", tratam-se como se fosse uma fraternidade.
- Necromancia: magia negra usada para escravizar mortos e fazer com que sejam controlados por um mago.
- Elder: vampiro velho, poderoso e experiente.
- Ancilae: vampiro jovem, um pouco poderoso e pouco experiente.
- Rajada Prismática: uma magia em que o mago lança uma rajada multicolorida e que podem acontecer aleatórios efeitos- desde um simples choque à desintegração total do corpo.
- Raio desintegrador: magia poderosíssima em que são destruídos os átomos do alvo.
Outros detalhes creio que dê para entender tudo. Valeu!
Nenhum comentário:
Postar um comentário