"Você?!"
O dia começou muito quente e Luiz Henrique acordou com mal humor. A noite anterior havia sido horrível, pois todo o álcool que ele havia consumido tinha sido convertido em ressaca. Mal sabia ele o que um dos seus amigos estava planejando, e que o próprio Luiz Henrique seria uma das peças desse planejamento. Ele levantou-se lentamente de sua cama e espreguiçou-se. Caminhou lentamente até o banheiro, onde lavou o rosto e se olhou no espelho. As olheiras eram perceptíveis e sua cabeça latejava, como se dentro dela houvesse uma fanfarra. Ele cobriu os olhos com as mãos e depois fechou a porta do banheiro, para em seguida executar sua higiene pessoal.
Ao sair do banheiro, Luiz nota uma chamada perdida em seu celular. Quando verificou de quem se tratava, apenas levantou a sobrancelha e jogou o celular de volta em cima da cama, indo então se vestir.
*****
Paulo César estava entediado em casa e aturando sua irmã mais nova pegando no seu pé para emprestar o mp4 dele.
- Ah, empresta aí Paulo! – falou Ana Paula, a irmã de PC.
- Eu já disse que eu to usando! – falou Paulo César um pouco alto demais.
- O que ta havendo aí heim? – gritou a mãe de Paulo César da cozinha da casa.
- O Paulo que não quer me emprestar o mp4, mãe! – gritou Paula em resposta.
- E nem vou emprestar! Eu to usando! – gritou Paulo César para que sua mãe escutasse.
- Chato! – gritou a irmã de Paulo César e saiu do quarto dele.
Paulo César foi até o computador e o ligou pra ajudar a passar o tempo, mas prestando atenção se sua irmã não havia notado o mafagafo escondido.
*****
Tiago encontrava-se senado à mesa da sala do apartamento que morava, junto com Pérola revendo algumas lições. Sua jovem aluna já caminhava para superá-lo e isso o deixava muito feliz.
- Mestre, então com esses gestos e palavras eu poderei utilizar a armadura arcana? – perguntou Pérola.
- Exatamente. Essa magia é útil pra criar uma armadura de energia ao redor de algum amigo ou de você mesma. Não é grande coisa, mas ajuda um bocado. – respondeu Tiago.
- Ah... Entendi. – falou Pérola.
- Pérola, meu anjo... Nossas aulas estão quase no fim... Vejo que você está indo muito bem no aprendizado e em breve você terá mais poder que eu... – falou Tiago.
- Não... Nem tanto... Ainda preciso de você... – falou Pérola.
- Claro que não precisa Pérola. Você poderia muito bem tentar ir pra Escola de Magia... – falou tristemente Tiago.
- Por que você não tenta Tiago? – perguntou Pérola.
- Já tentei uma vez... E quando se é reprovado, não há mais como ser aceito, a não ser que a direção me convide pra uma re-avaliação. – explicou Tiago. – Você tem conhecimento de sobra e com certeza vai passar no teste de conhecimento e de afinidade mágica...
- E como você foi reprovado tendo esse conhecimento e afinidade que tem hoje em dia? – perguntou Pérola.
- Falou certo, minha cara. Que tenho “hoje em dia”. – falou Tiago enfatizando com o gesto das aspas. – Na época eu nem sabia o que era uma conjuração direito... E a afinidade era apenas aceitável. Hoje eu me enquadro na categoria de “sábio”, que é um pouco mais do que o “graduado”.
- É... Mas, acho que vou preferir ser autodidata igual a você... – falou Pérola.
- Você só está tentando ser doce, meu anjo. Seria melhor você ir pra escola... Seria uma grande perda pra o mundo dos magos você ser uma ótima maga e não ser reconhecida... – falou tristemente Tiago.
- É, mas pra que reconhecimento se ele só fica entre os magos? – falou Rubi que estava saindo do banho enrolada numa enorme toalha azul de Tiago. – Esse reconhecimento, a meu ver, é descartável pra nós. Melhor apenas o conhecimento.
- De fato... Isso vai de cada um. Eu preferia ter me aprimorado pela escola, assim saberia bem mais e estaria realmente habilitado para ensinar. – falou Tiago.
- Saber compartilhar os conhecimentos é requisito básico pra ser um professor. Formação é apenas complemento. – falou Pérola – Você sabe disso, está na faculdade de História.
- Sei sim... – falou Tiago.
- Mas, mudando de assunto. Ouvi falar que no Festival Dosol aí vai ter uma das bandas que você gosta Tiago. – falou Rubi entrando no quarto para trocar de roupa.
- Qual banda?! – perguntou Tiago.
- Uma que são apenas mulheres. A banda The Donnas. – falou Rubi.
- Nossa... Você sabe quando será? – perguntou Tiago.
- Eu sei que é no mês que vem. É bom se informar melhor. Eu tinha visto a propaganda, e como eu sei que você gosta da banda... – falou Rubi.
- Ah, muito obrigado, Rubi. – agradeceu Tiago docemente. – Vou combinar com os meninos pra irmos pra esse show. Vamos Pérola?
- Não gosto tanto assim de Rock... – respondeu Pérola. – Mas, agradeço o convite. Também tenho que estudar, o vestibular é no mês que vem também, né?
- É verdade... – concordou Tiago – E você Rubi?
- Tenho que visitar meus pais lá na nossa terra... – respondeu Rubi.
- Ah, beleza. – falou Tiago conformado – Ok, então eu falo com os meninos mais tarde.
Cessada a conversa, Tiago e Pérola retornaram para a revisão de magia e logo depois um pouco de história pra ajudar no estudo do ensino médio também. Rubi juntou-se a eles logo depois pra contribuir um pouco da maneira que pudesse.
*****
Diana havia chegado à universidade cedo, como de costume. Entrou na sala de aula para deixar seus materiais e logo em depois seguiu para a cantina, onde comprou sua pipoca Bokus para comer antes da aula. Ela se sentia um tanto preocupada, pois estava na semana de provas e os professores estavam pegando pesado na matéria. Ela estava voltando da cantina, quando encontrou sua amiga Helaine e seu amigo Tyego chegando juntos.
- Tyeguinhiuuuuuu!! – gritou Diana ao ver Tyego e depois abraçá-lo. – Laininhaaaaaaaaa! – logo em seguida correndo e abraçando Helaine.
- Olá Diana! – falou sorridente Helaine.
- Hail... – falou Tyego sério, como de costume.
- Vocês estudaram pra prova de André?! – perguntou Diana um tanto eufórica.
- Eu li alguns textos... – falou Tyego – Ouvi dizer que ele vai pegar pesado... O pessoal da turma da manhã reclamou da prova.
- Eu também ouvi boatos sobre isso. – concordou Helaine.
- E agora?! Eu não estudei nadinha! To ferrada... – falou tristemente Diana e comendo sua pipoca.
A conversa seguiu em um ritmo desanimado, devido a futuros problemas e sofrimentos por antecipação dos amigos. Mas, depois o assunto mudou para coisas mais felizes, exatamente no momento em que Paulo César vem chegando junto com seu amigo Luiz Henrique. Os amigos se cumprimentam ao se verem e mais uma vez é tocado no assunto da prova. Paulo César já vinha desanimado de casa em decorrência de problemas familiares e Luiz vinha desanimado por achar que não havia estudado suficiente para a prova.
- Senhores. Vamos mudar de assunto que eu já estou ficando impaciente. – falou Tyego – Que tal jogarmos uma partida de UNO?
- A idéia é muito boa, Tapuia. – concordou Helaine – Ajudaria bastante a diminuir o estresse desse povo.
- Eu não sei jogar UNO. – falaram Diana e Luiz em uníssono.
- Aprende! – falou Paulo César.
Alguns minutos depois, antes dos amigos partirem pra alguma das salas vazias do bloco pra o seu duelo de UNO, chegou o seu amigo Henrique, que vinha da cede do CA, e Emili vinha pelo corredor do bloco A mesmo. Todos se encontraram em frente à sala A1. Diana se despediu do pessoal e seguiu para a sala de aula, onde suas amigas a aguardavam, e Luiz Lampreia disse que retornaria em breve e foi na cantina comer algo.
Henrique, ao ver sua filha postiça por causa da Aliança sorriu brevemente e maldosamente.
- Vem cá, filhinha. Dá um abraço no papai... – falou Henrique chamando Emili.
- Não... Você quer bater em mim... – falou Emili se escondendo atrás de Paulo César.
- Vem cá filhinha... – falou Henrique com doçura.
- Você num bate em mim não? – perguntou Emili também com doçura.
- Vem logo aqui, menina! – falou Henrique e puxou Emili pra dar um abraço – Fica com essas viadagens de “ai que ele vai bater em mim”. É pra obedecer ao pai!
- Aii, como ele é doce!! – falou Emili com ironia – Ta vendo como são as coisas?
- Num tem nada demais! Só quero abraçar a minha filhinha! – falou Henrique com um sorriso maligno.
Tiago vinha chegando na hora que a cena desenrolou-se. Emili esquivou-se dos fortes braços de Henrique e se escondeu atrás de Tiago.
- Me proteja Glah! – falou Emili em súplica. Tiago apenas lançou um olhar distante para Emili e depois para Henrique.
- E o que eu posso fazer? – perguntou finalmente Tiago.
- Não deixa que ele bata em mim! – falou Emili impaciente.
- Eu só quero te dar um abraço... – falou Henrique se aproximando e apenas abrindo os braços pra Emili.
Então quando ela cedeu e foi dar um abraço em Henrique, ele se segurou para não usar sua habilidade, mas deu uma tapa bem aplicada na nuca de Emili.
- Alfrêêêêêdo!! – gritou Henrique ao acertar sua filha postiça. Todos riram, com exceção de Emili que se perdeu ao meio de protestos.
- Nem me defendeu Glah! – gritou Emili pra Tiago. Ele apenas levantou os braços se isentando de qualquer culpa.
- Vocês que são pai e filha que se resolvam. Eu não tenho nada a ver com isso... – falou Tiago. Todos riram com a cara que Emili fez, mas dando um sorriso furtivo por baixo da falsa mágoa.
Alguns minutos depois começaram-se as aulas e os amigos foram para suas respectivas salas de aula. Na hora do intervalo, todos encontraram-se novamente no corredor, onde mais uma vês iniciaram uma conversa.
- E aí Tiago? Como estão as garotas? – perguntou Paulo César.
- Que garotas?! – perguntou Tiago distraído.
- Pérola e Rubi. – respondeu Paulo César.
- Ah sim! Estão bem. A Pérola teve um progresso muito bom e a Rubi praticamente não precisa mais de mim. Está me ajudando com Pérola. – falou Tiago orgulhoso. – Por falar nelas, a Rubi me falou que vai ter um show muito foda aqui em Natal.
- Que show seria? – perguntou Luiz Henrique.
- The Donnas. É uma banda só de mulheres de Punk Rock. – falou Tiago entusiasmado. – As donas são gatas, meu irmão!
- Opa! Já gostei! – falou Luiz Henrique.
- Eu também! – falou Paulo César.
- É a primeira vez que elas vêm ao Brasil? – perguntou Tyego.
- Não acredito que seja... – respondeu Tiago – Mas, com certeza a primeira vez que vem a Natal.
- Deve ser... – concorda Tyego.
- E aí galera? Vamos pra esse show? – perguntou Tiago.
- Rapaz... Só num to mais liso por falta de polimento... – falou tristemente Paulo César.
- E eu não poderei gastar com um show... Tenho outras prioridades... – falou Tyego.
- Luiz? – perguntou tristemente Tiago achando que ninguém o acompanharia no show.
- Rapaz... – Luiz Henrique ponderou bastante – Eu vou! – decidiu por fim.
- Muito bem! – sorriu Tiago – Vai ser massa!
- Com certeza! – falou Luiz Henrique.
- Bom show pra vocês! – falou Tyego.
- Cara... Vamos conosco Tapuia! – falou Tiago – O que acha de racharmos a de Tapuia, Lampreia?
- Acho uma boa! – respondeu Luiz Henrique com um sorriso.
- Pronto! – falou Tiago – E aí Tapuia? Vamos?
- Muito tentador... – falou Tyego colocando a mão no queixo pra parecer pensativo.
- Vamos Tapuia! O que é que custa? A gente já vai pagar! – falou Luiz Henrique.
- É verdade! Se fosse pra mim, eu ia! – falou Paulo César.
- Então pronto! Não gosto muito de ir a shows, mas fica pra próxima! O que acham de dar essa oportunidade a PC? – falou Tyego.
- Rapaz... – falou Tiago – Por mim, ta beleza! O que acha Lampreia?
- Ta ótimo! – respondeu Luiz Henrique.
- Então o senhor que vai conosco PC! – falou finalmente Tiago.
- ÊÊÊÊÊÊ!! Ganhei a entrada do show! – comemorou Paulo César.
Então no momento depois desse diálogo, perdidos no meio de outras conversas e dividindo entre si as expectativas para o show, os garotos que não estavam prestando muita atenção no movimento do corredor, graças à conversa envolvente, perderam o fio da meada ao avistarem uma estranha caminhando nos corredores.
A garota aparentava uns 20 anos de idade, tinha olhos azuis, pele pálida, mas levemente rosada (era notável que não era uma vampira), cabelos negros e escorridos até a cintura, em volta de 1,65m de altura, e trajava um vestido colado até o meio das coxas. O corpo parecia modelado por um dos melhores artesãos do mundo.
Não teve outra, os garotos que viam, babavam. Muitos dos que se encontravam com as namoradas sentados aos bancos do corredor estavam levando beliscões ou mesmo tapas pra desviarem os olhares, mas muitas vezes era inútil. Ela caminhou formosamente num rebolado de tirar o fôlego até o grupo que se reunia próximo aos garotos que conversavam sobre o show, que estavam sem fala. A moça notou os olhares cobiçosos em direção a ela e sorriu, e escondeu a boca com sua mão.
- Que gata! – foi a única coisa que Paulo César pôde dizer.
O silêncio se estendeu até que a moça caminhou até os garotos com um sorriso angelical.
- Boa noite, meninos! – falou a jovem, mas os garotos pensaram em uma gatinha miando. Ela tinha um sotaque de quem pertence ao sul/sudeste do país.
- O-oi... – gaguejou Paulo César.
- Olá! – falou Tiago e Luiz Henrique em uníssono.
- Estou procurando por um garoto chamado Miguel, vocês conhecem? – falou a menina com a voz melodiosa.
- Miguel... Miguel... Que Miguel? – perguntou Paulo César.
- Miguel de História, da turma de 2005. – falou a garota.
- Sim! – falou Luiz Henrique – Nós o conhecemos!
- Ótimo! – sorriu a garota – Vocês o viram por aí?
- Eu não vi não... – falou Tiago – Algum de vocês viu?
- Eu não vi. – respondeu Luiz Henrique.
- Nem eu... – falou Paulo César.
- Ah, que pena... – falou tristemente a garota – Tudo bem então! Obrigada!
- Disponha! – responderam os amigos em uníssono.
- Ah sim! Meu nome é Alana! Se o virem por aí, por favor, digam que eu estou à procura dele, ok? – falou a garota com um sorriso.
- Com certeza! – falou Luiz Henrique – Ah, só pra constar. Eu sou o Luiz Henrique, ele é o Tiago e esse aqui o PC.
A garota ocupou-se apenas em sorrir e acenar um “tchauzinho” para os garotos enquanto se distanciava.
Comentários rolaram soltos entre os garotos até o fim do intervalo. Eles voltaram para suas salas para continuarem suas aulas.
*****
Eram 22h45min mais ou menos o horário que ela chegaria em casa, após todos os treinamentos e aulas do dia, além do trabalho ao qual dedicava-se para manter o disfarce. Ao chegar em casa, ela verificou a secretária eletrônica, onde não havia recados. Ela então soltou expirou de tédio. Havia um bom tempo que ela não recebia novas missões, e as economias estavam baixas. “Esse maldito trabalho não cobre minhas necessidades...”, pensou ela com uma careta. Estava ansiosa para voltar a ativa, isso não haviam dúvidas.
Então, o que ela ansiava aconteceu. O telefone tocou. O regulamento era claro que ela não deveria falar com o mandante, apenas receber a missão pela secretária eletrônica. Uma falha gravíssima, na opinião dela, pois outras pessoas poderiam saber das missões, caso olhassem os recados. Então o telefone tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes, e na sexta vez, a secretária atendeu.
- Você sabe muito bem pra quem ligou! Não posso falar com você agora, então deixe o seu recado após o sinal, que talvez eu retorne... – falou a voz dela com certa arrogância. Ela não dava o número a ninguém, pois era exclusivo para as missões, então não podia ser um engano, ou algum amigo, pois era uma linha secreta. Nem a própria operadora telefônica local conhecia esse número. Logo em seguida ao falatório arrogante da secretária eletrônica, veio o sinal.
- Olá Leoa, pronta pra caçar? Você sabe muito bem quem está falando... Eu já te falei que adoro sua arrogância na secretária eletrônica? – fez uma breve pausa a voz masculina e fria ao telefone – Temos algo para você por ser uma das melhores... Vem uma atração internacional aí e nossos contratantes têm muita “influência”, se é que você me entende... Te informarei o alvo amanhã nesse mesmo horário, e dessa vez eu quero que você atenda o telefone! – desligou em seguida.
Não podia ser... Logo o chefe querendo quebrar as regras? Mas, as ordens foram claras. Ela seguiu para o banheiro, muito cansada e tomou um banho demorado. Logo depois, afundou em sua cama e adormeceu logo.
*****
Paulo César procurou por Pedin no horário da saída e o encontrou animado numa conversa com Khalil, Emili e Almir.
- Eu te falei que era muito simples... – disse Khalil procurando ser intelectual.
- Mesmo assim! Ainda acho que isso é conversa fiada! – reclamou Pedin.
- Irmão! Veja pelo lado bom! Pelo menos Khalil disse que é porque ele já provou! – falou Almir.
- Vai se rear Almir! – reclamou Khalil, ocasionando o riso dos dois.
Paulo César escondia bem o Mafagafo e queria logo entregá-lo a Pedin, então chamou Pedin e Emili para que o acompanhassem. Khalil e Almir se despediram dos outros e seguiram seus caminhos para a parada de ônibus. Pedin e Emili seguiram Paulo César até onde estavam outros aliados que haviam participado da missão que salvara a vida do seu amigo Tiago.
- Senhores... – começou a falar Paulo César – Eu finalmente vou entregar esse treco para Pedin, pois esse “galado” já comeu um par de chinelos meus e dois pares de sapatos da minha irmã!
- O que você vai me entregar?! – perguntou Pedin.
Paulo César então tirou o mafagafo da mochila, que, diga-se de passagem, tava comendo o caderno dele.
- Puta que pariu! – xingou Paulo César – Isso não! – tentou, em vão, arrancar o caderno da boca do bicho.
- O que é isso?! – admirou-se Emili. E Pedin se mostrou fascinado.
- É um mafagafo! – respondeu Pedin pegando o bichinho reclamão das mãos de Paulo César – Não sabia que eles existiam de verdade!
- Existem! E deu trabalho esse aí! – falou Paulo César com uma carranca – Quero outro caderno e um par de chinelos!
- Putz! E a culpa é minha?! – perguntou Pedin.
- Agora é! – falou Paulo César. Todos os presentes riram.
- Se fodeu Pedin! – falou Henrique rindo – Vai ter um baita de um prejuízo com essa bexiga.
E então Animal grunhiu e Pedin olhou admirado pra ele.
- Não sabia que eles falavam! – falou apressadamente Pedin. Todos se olharam incrédulos.
- Ele não falou, Pedin. – respondeu Tyego – Apenas emitiu grunhidos de protesto.
- Falou sim! Vocês não entenderam?! – disse Pedin incrédulo – Ele disse que Henrique estava errado!
Todos se olharam novamente.
- Interessante... – falou Tyego – Vejo como se eles tivessem uma ligação... Ligação essa que...
- Se formou no momento em que eles se viram. – interrompeu Rodrigo – Acho que ouvi a Pérola falando sobre isso um dia desses na casa de Tiago. Aquela menina aprende muito rápido...
- Sem dúvidas! – orgulhou-se Tiago – Aquela menina tem muito potencial. Quero ver ela aqui na faculdade, visse?
- É... – respondeu Henrique – Vai ser uma daquelas marxistas chatas que procuram o socialismo ideal.
- Ou talvez, se tivermos sucesso, se torne uma monarquista! – falou Rodrigo animado.
- Prefiro que ela seja marxista verde! – disse Tyego em deboche. Todos riram.
- Vamos Tapuia... Admita... Você é mais monarquista que eu! – falou Rodrigo.
- Jamais! – apressou-se em falar Tyego – Sou republicano com orgulho!
- Sei! – falou Rodrigo com sarcasmo.
Os amigos seguiram para a parada de ônibus animados imersos em diversos assuntos, e Pedin gostou muito do presente que havia ganhado. Falou que ele seria muito útil e que estava muitíssimo grato à PC por ter te dado aquela pequena criatura. Paulo César só fazia rir.
Os dias passaram lentamente, até que chegou a véspera do show. Os garotos estavam eufóricos. Finalmente iriam para o show de suas vidas, onde veriam mulheres lindas ao extremo e ainda iriam curtir uma boa música.
Luiz Henrique era um dos mais empolgados, assim como Tiago, que contavam os dias para o acontecimento. Paulo César estava em campo neutro, pois não costumava tanto ir a shows. Mas, também se encontrava animado na véspera, não tanto como os outros amigos dele, mas ainda animado. Inclusive no meio da aula as expectativas de Luiz Henrique e Tiago eram imensas, que até atrapalhavam a aula.
- Melhor sairmos Lampreia... – sugeriu Tiago aos sussurros.
- É mesmo. Vamos sair! – sussurrou Luiz Henrique levantando-se e saindo. Tiago imitou sua ação e foi imitado por Paulo César.
- Até tu PC?! – admirou-se Luiz Henrique. Paulo César olhou para ele por alguns segundos.
- A aula tava um porre! – admitiu Paulo César – Melhor estar aqui fora mesmo. É mais frio que a sala de aula.
- De fato, sem sombra de dúvidas, man! – falou Tiago e Luiz Henrique assentiu.
- Mas, me diz aí Tiago. Nem perguntei antes. – falou Paulo César – Alguma das meninas vai?
- Nenhuma. Pérola tem que estudar pro vestibular e Rubi vai a nossa terra. – falou Tiago.
- Ouvi dizer que você ta querendo uma nova aluna, é verdade? – perguntou Paulo César.
- Rapaz... Não sei dizer... Rubi terminou o “treinamento” dela. Vou ver se uma amiga minha específica ali gostaria da vaga...
- E Tiago ta dando aulas particulares é? – perguntou Luiz Henrique.
- De certa forma, sim. Faço um reforço de História para duas pessoas, sempre que posso. – falou Tiago sendo convincente para Luiz Henrique.
- É... E só meninas, heim cabra esperto? – falou Luiz Henrique.
- É melhor né?! – falou Tiago rindo.
- Com certeza! – concordou Luiz Henrique. – Mas, pelo que PC falou aí você batiza as meninas com nome de pedras... Por quê? Num seria melhor chamá-las pelo nome mesmo não?
- Rapaz... É uma longa história... – respondeu Tiago.
- Eu estou disposto a ouvir... – falou Luiz Henrique. Tiago e Paulo César se olharam em alerta.
- Fica pra outra ocasião... – falou Tiago.
- Ah ta... – falou derrotado Luiz Henrique.
- Mas, uma coisa não me sai da cabeça... – falou Paulo César – Qual o nome original de Pérola? Lembro que uma vez você me emprestou o celular pra ligar pra casa, mas eu não vi nos contatos suas alunas pelos nomes de pedras...
- Curioso você, heim meu irmão?! – falou Tiago meio irritado.
- Não me leve a mal... – se desculpou Paulo César – E aí? Qual o nome dela de verdade?
- Acho que eu não tenho direito de dar essa resposta... – falou Tiago meio sombrio.
- E por que não? – perguntou Luiz Henrique – Ela nunca vai saber que você falou o nome original dela.
- Não é certo. Isso tem que ter o consentimento dela, depois que herdou o apelido. – falou Tiago – É um antigo costume entre... Nós.
Paulo César compreendeu de imediato, mas Luiz Henrique ficou voando mais alto que águia.
- Heim?! – falou Luiz Henrique – Nós quem?! Você e elas?!
- É... Por assim dizer, sim. Entre eu e elas. – respondeu Tiago. – Você é bom em segredos, Lampreia?
- Com certeza! – falou entusiasmado Luiz Henrique – Seu segredo estará a salvo comigo!
- Posso realmente confiar, meu amigo? – falou Tiago em tom de súplica.
- Vai em frente! Não vai se decepcionar! – falou Luiz Henrique com sinceridade.
- Tudo bem então. – falou Tiago aliviado – Estou confiando a você algo muito secreto, que apenas algumas pessoas sabem. Em especial o pessoal da Aliança.
- Nossa! Eu vou saber um dos segredos da Aliança?! – admirou-se Luiz Henrique.
- Não. Um segredo meu, mas que é compartilhado em Aliança. Indiretamente você agora é um aliado. – falou Tiago firmemente.
- Estou honrado! – falou Luiz Henrique.
- Enfim... – começou Tiago – Eu há alguns anos venho estudando as artes mágicas. Magia, para os mais íntimos do termo.
“Primeiramente eu participei da seleção da Escola de Magia, da qual Helaine faz parte, e não passei...”
- Espera aí. – falou Luiz Henrique – Está me dizendo que você é um mago e Helaine também é uma maga?
- Sim. Somos “usuários de magia”, por assim dizer. Não podemos nos intitular “magos” ainda por não ter se graduado na magia... – explicou Tiago – Ela é estudante e eu um “mago autodidata”. Eu poderia até ser egoísta e me intitular de “mago”, mas não sou tão adepto do termo. O pessoal que me chama assim, mas sempre me identifico como “usuário de magia”.
“Continuando. Existem diversas especializações na magia. Uma delas é a arcana, outra é a invocação (que não deixa de ser uma magia arcana) e a necromancia.
“Dentro dessas três especializações temos os magos. Cada um chamado com o título da especialização. O Arcano é o mago tradicional. Aquele das lendas que você deve conhecer; o Invocador é um especialista em monstros variados. Desde um pequeno sapo, ao mais feroz dragão; o Necromante é uma espécie de invocador, mas suas artes são proibidas. Utiliza-se de magias negras para reviver os mortos como seus escravos e chamar aberrações, além de magias de destruição muito poderosas. As escolas de magia geralmente só ensinam as duas primeiras especializações.
“Enfim, eu me enquadro na especialização de Arcano...
- Espera aí. – foi a vez de Paulo César – Como eu nunca havia escutado essa história vamos por partes. Como você pode dizer que é Arcano se você falou que foi reprovado na seleção?
- Vamos lá. Não passei, mas estudei por conta própria. O mundo dos magos não me reconhece como um deles, por eu ser autodidata, mas em comparação de conhecimento eu me enquadro atualmente numa categoria já como acima do graduado. – respondeu Tiago.
- E quais são as categorias? – perguntou Luiz Henrique.
- Graduado, Sábio, Sênior e Arquimago. – respondeu pacientemente Tiago.
- E em conhecimento, onde você se enquadra? – perguntou Paulo César.
- Atualmente em Sábio. Mas, se eu me dedicasse um pouco mais aos “meus” estudos, já poderia estar caminhando para Sênior. – falou Tiago.
- Ah, então você ta ajudando as meninas, mas parou o seu estudo. – falou Luiz Henrique.
- De certa forma, sim. Eu continuo estudando, mas muito lentamente. – falou Tiago – Meus poderes estabilizaram, quando poderiam estar mais fortes. Mas, me sinto feliz ao ter essas meninas comigo. Pérola é meu orgulho!
- Disso eu sei... – falou Paulo César.
- Sim, mas continue a história. – falou Luiz – tava interessante.
- Vamos lá... Eu me enquadro na especialização Arcano, pois utilizo das magias tradicionais que você deve conhecer das lendas, como falei, e mais algumas que não é de conhecimento geral. – falou Tiago – E como tenho esse conhecimento e já me enquadraria na categoria Sábio, decido dar aulas de magia para as pessoas que tivessem maior ressonância com o “focus” ou “mana”. Em alguns lugares também conhecido como “ki” ou “chi”.
- Espera aí! – interrompeu Paulo César – Quer dizer que o “ki” é magia?!
- De certa forma, sim. Depende da doutrina a qual você segue. Nas artes marciais é uma espécie de força espiritual, mas os usuários de magia sabem que se trata da partícula básica para ser conjurada a magia. – explicou Tiago.
- Minha nossa! – falou Luiz – É muita informação, Brow!
- Aproveitem, pois é a única aula de conceito básico de magia que terão de graça! – riu Tiago.
- Engraçadinho... – falou Paulo César.
- Enfim, eu explico o que é a magia, exponho os conceitos, explico a parte Arcana, que é a minha e então começo as aulas. – explica Tiago – Geralmente eu vou ensinando o que sei da “língua antiga”, para depois ensinar as magias em si.
“Eu penei pra caramba pra chegar onde estou meu amigo. Num é brinquedo não. Mas, pelo menos as meninas tão se dando bem. E na hora que elas quiserem, elas podem fazer a seleção da escola, que sem dúvidas iriam passar. Eu até que gostaria que elas fizessem isso... Pelo menos elas teriam o reconhecimento no mundo dos magos que eu não tenho...” – falou tristemente Tiago.
- Tu falando assim ta parecendo um daqueles atores de filme de drama... – riu Paulo César. E os outros dois riram também.
- Conte a história dos apelidos! – sugeriu Luiz Henrique.
- Sim, isso. – concordou Tiago – Os apelidos são escolhidos pelos mestres em magia para seus alunos. São vários temas, mas o que eu achei mais interessante foi nomear como pedras preciosas. Existe toda uma filosofia, uma superstição em cima disso, pois, segundo o que dizem livros e alguns magos formados que conheço, aumenta o vínculo entre aluno e mestre, e aumenta a ressonância com o focus.
“Com a ressonância com o focus aumentada, fica mais fácil de aprender as magias, e você se cansa bem menos ao executá-las. Então no caso, depois que o apelido é selecionado, não se pode mais tratar a pessoa pelo nome original, a não ser que ela peça, mas isso diminui o rendimento nos ensinamentos. Por isso, pra eu dizer o nome original de Pérola ou Rubi, elas têm que dar o consentimento, ou então vocês terão que perguntar a elas mesmas.”
- Interessante... – falou depois Luiz Henrique – Em relação à ressonância... Você pode testar nossa ressonância para o focus?
- Posso. – falou rapidamente Tiago – Ta interessado nas aulas de magia, rapaz?
- Exatamente. – respondeu Luiz – Pelo menos eu seria útil para alguma coisa.
- Em mim não precisa. Eu sei que minha ressonância é aceitável, mas prefiro a arte da espada. – falou Paulo César.
- Beleza. – disse por fim Tiago. Ele então fechou os olhos e se concentrou por alguns segundos e depois apontou ambas as mãos para Luiz Henrique. – Feche os olhos Lampreia, e pense num campo tranqüilo.
Luiz Henrique fechou os olhos e obedeceu ao pedido de Tiago, mantendo a visão na mente apenas do campo tranqüilo, mas ainda um pouco ansioso.
- Esqueça o nervosismo, que é melhor... – falou Tiago.
- Tudo bem... – falou Luiz Henrique relaxando mais e ficando muito tranqüilo. Tinha em suas feições a serenidade.
Paulo César que observava, apenas manteve o silencio afim de não interferir no teste, mas pouco tempo depois Tiago estava abrindo os olhos e pedindo que Luiz Henrique fizesse o mesmo.
- Baixa. Muito baixa. – falou Tiago – Porém é possível ser usuário de magia se você melhorar isso.
- E como eu faço isso? – perguntou ansioso Luiz Henrique.
- Nem se preocupe, pois é um processo demorado. – respondeu Tiago.
Luiz Henrique fez uma careta.
- Mas, nada que você não possa fazer. – Tiago apressou-se em falar – É apenas treinar mais sua mente e corpo para a sintonia com o focus. Você vai ter que se livrar de tristezas que você tenha, mágoas e decepções. É interessante que você medite sobre a vida um tempo, assim o focus vem até você.
“Quando a pessoa está muito triste, ou magoada, até mesmo usuários de magia experientes podem perder temporariamente seus poderes. Depende de como ele é capaz de controlar seus sentimentos.”
- Ah, entendi. – respondeu Luiz Henrique.
Então tocou o sinal para o intervalo.
*****
Ela então se preparava para sua missão, que seria na data posterior. O chefe havia sido muito claro de quem eram seus alvos e o dinheiro que estava envolvido. “Com esse dinheiro vou poder me manter por mais de 1 ano até!”, pensava ela com um sorriso e abarrotada de expectativas. Seria uma missão muito fácil, visto que o local estaria lotado de pessoas, pelo menos assim esperava ela de um evento que trouxesse atração internacional.
Ela seguiu para o outro quarto do seu apartamento, onde havia uma porta que era trancada com senha, reconhecimento de voz, reconhecimento de íris, reconhecimento de digitais, reconhecimento de DNA, reconhecimento do formato dos dentes, medidor de temperatura corporal, medidor de atividades cerebrais e pulso. Ela mesma sabia que era um exagero ter gastado tanto com segurança sofisticada, mas era mais garantido o acesso à apenas ela.
O quarto era razoavelmente grande e com suportes pra armas nas quatro paredes, que eram reforçadas com material pesado e sofisticado (caso ela morresse, ninguém jamais descobriria o que existe nesse quarto). Não havia janela alguma e nem banheiro, apenas armas e munições por todos os lados e impecavelmente organizados por tipo, calibre etc. Eram armas sofisticadas e letais. Eram tantas opções, pra escolher apenas uma. Então ela observou com cuidado e decidiu por um rifle novo que ela nunca havia usado e queria ver do que a “criancinha” era capaz.
Arma selecionada, ela desmontou-a e pôs na maleta para o rifle. Era uma maleta muito discreta para uma arma tão grande, mas pelo menos não chamaria atenção e ela não seria detectada, pois seu rifle era feito de fibra de carbono reforçado, e não de metal.
Ela sorriu pra sua arma e tirou a maleta do quarto quando saiu, fechando o quarto e este sendo trancado automaticamente.
- Adoro quando é véspera... Sempre fico muito ansiosa... – falou a si mesma com um sorriso maléfico – As Donnas... Quem diria? Muita gente vai sentir falta delas...
Então ela deixou tudo preparado e saiu do apartamento para encerrar sua noite.
*****
Os amigos se juntaram com outros na hora do intervalo. A noite estava passando lentamente para os ansiosos rapazes. Luiz Henrique começou a ficar pensativo, buscando maior ressonância com o focus, enquanto os outros conversavam (como sempre).
- Man, as aulas hoje tão um saco! – falou Henrique (Erebus) chateado.
- Pra variar... – concordou Rodrigo-Sensei.
- Amanhã é o show do The Donnas! – falou Tiago animado.
- É veldade... – disse Henrique – Tire umas fotos pra eu ver.
- Com certeza! – respondeu Tiago.
- Ei, vocês viram Emili? – perguntou Pedin que vinha da cantina. Tiago olhou rapidamente para Rodrigo, que pareceu adivinhar seus pensamentos.
- Num vai me dizer que raptaram Emili de novo, vai? – falou Rodrigo com um sorriso.
- Não! – falou apressadamente Pedin – É que ela pediu pra comprar um chocolate pra ela.
Animal soltou alguns grunhidos de dentro da mochila que Pedin carregava o seu bicho de estimação.
- Eu sei Animal. Mas, eu não posso te dar esse chocolate que é dela. – respondeu Pedin para o mafagafo.
- Que porra é?! – admirou-se Henrique – O bicho fala com o Pedin?!
- interessante né? – falou Tyego – O calouro Pedin descobriu que entende o que o mafagafo fala.
- Deve ser por causa do sangue. – falou Saulo em deboche – Os mafagafos se entendem.
Todos riram inclusive Animal que estava dentro da mochila, emitiu sons de engasgo como se fosse um riso.
- Oi! – chegou Emili no meio do riso dos amigos – Eu quero rir também. O que foi?
- Hemera, o Pedin tava te procurando – falou Henrique.
- Ah sim! – falou Emili indo até Pedin e pegando o chocolate que ele havia comprado. Então ele e ela saíram do grupo que estavam e seguiram pra outro mais adiante, onde estavam concentrados os calouros.
Logo depois Alana, a magnífica amiga de Miguel, reaparece nos corredores. E já sorri para os garotos que reconhece.
- Boa noite, meninos! – falou animada Alana.
- Boa... Muito boa... – respondeu Paulo César.
- E Miguel? Viram? – perguntou ansiosa Alana.
- Não novamente... – respondeu Tiago.
E então Miguel vinha justamente de onde Alana tinha vindo, mas por estar sempre cheio o corredor, ela não havia visto. Miguel era acompanhado por Larissa, sua namorada.
- Miguel! – gritou Alana. Miguel olhou incrédulo para quem gritava.
- Alana? – falou Miguel com surpresa – Você aqui nos corredores da UFRN?
- É... Estou morando em Natal há uns quatro dias. – respondeu Alana.
- Mas, você já terminou seu curso não é? – perguntou Miguel.
- Sim. Fiz a seleção de Mestrado aqui na UFRN agora. – respondeu Alana. – Me dá um abraço, garoto! Faz tempo que não vejo você!
Então ela abraçou Miguel, e foi fuzilada pelo olhar de Larissa, mas os meninos apenas suspiraram de inveja.
- Ah sim! Que educação a minha! – falou rapidamente Miguel livrando-se do abraço da amiga. – Essa aqui é Larissa, minha namorada. Larissa essa aqui é Alana, uma velha amiga lá de São Paulo.
- Prazer... – falou friamente Larissa.
- O prazer é todo meu! – falou Alana com sinceridade – Ta cuidando bem dele não é?
- Com certeza... Melhor do que qualquer outra cuidaria. – respondeu Larissa.
- Er... Bem, pessoal. – falou Miguel meio sem jeito e se virando para os demais que observavam e, alguns sorrindo por causa da reação de Larissa – Essa é minha amiga Alana. Estudou comigo em São Paulo.
- Olá! – responderam os garotos.
- Nós tivemos o prazer de conhecê-la. – falou Tiago.
- Bom, não custa nada reapresentar, né? – falou Miguel.
- Não custa MESMO! – falou Tiago.
Então Miguel reapresentou os meninos e as meninas que estavam presentes, e os garotos se aproveitando da formalidade, sentiam-se honrados em dar os beijinhos nas faces de Alana, por mais que fosse costume na terra dela dar apenas um beijo, ela aceitou de bom grado o costume dos nordestinos (ou os que viviam ali).
Miguel, Alana, Larissa (mesmo contra a vontade ela se deu super bem com Alana), Helaine, Tiago, Paulo César, Patrícia, Henrique, Luiz Henrique e Tyego pareciam animados. Tiraram fotos e falaram sobre diversas coisas, inclusive sobre o show que haveria no dia posterior.
- Pois é! O Donnas em Natal! – falou animado Luiz Henrique.
- Nossa! Eu soube que elas iam pra São Paulo, mas não sabia que iam passar por aqui. – falou Alana.
- Gosta da banda? – perguntou Tiago.
- Acho boa. – respondeu Alana – Principalmente as músicas mais recentes.
- Eu não gosto. – falou Larissa – Prefiro o rock gótico. É mais legal.
- É... Isso sem dúvidas... – concordou Tiago – A minha filha tem um gosto muito bom. Só num gosta muito do Punk Rock.
- Então... – falou Alana – Eu gosto mais de MPB, mas curto umas bandas de rock muito legais.
- Ainda bem que vocês gostam... – falou Miguel.
O sinal tocou mais uma vez e então os protestos foram muitos. Não queriam cessar a conversa.
- Bem, então bom fim de aulas para vocês, pessoal! – falou Miguel – Tenho que ir pra casa, porque ainda vou terminar a monografia.
- É verdade... – concordou Larissa – E eu tenho que pegar meu ônibus. Acabaram as aulas pra mim hoje.
- Ok então. Até mais! – despediu-se Paulo César de Larissa e Miguel – E espero vê-la de novo, Alana.
- Verá. Estarei por aqui por um bom tempo. – falou Alana com um sorriso.
- Até!
E os rapazes entraram em suas salas e Alana seguiu com Miguel e Larissa.
Ao fim da aula, os rapazes se despediram e combinaram local e horário para se encontrarem para então seguirem para o festival.
Então Emili veio correndo em direção a eles com uma cara muito assustada.
- Glah! – chamou Emili quando Tiago e Paulo César estavam caminhando para a parada do circular. Luiz Henrique tinha se adiantado, pois seu ônibus tava chegando e ele precisou correr. – Eu preciso falar com vocês.
- Pode falar. – falou Tiago – Mas, aquele não é seu ônibus? O mesmo que Lampreia pega?
- É, mas o que eu tenho pra falar é muito urgente! – disse Emili.
- E o que seria? – perguntou Paulo César.
- Eu acabei de ter uma visão... – falou Emili fechando os olhos.
- Visão?! – assustaram-se ao mesmo tempo Tiago e PC.
- Sim... Eu não contei a vocês, mas eu posso ter algumas visões do futuro... – disse Emili.
- Prossiga... – falou Tiago admirado.
- E eu vi que nesse show que vocês vão... Alguém vai tentar matar as Donnas! Essa pessoa foi contratada justamente para esse propósito! – falou Emili.
- O QUÊ?! – gritou Paulo César.
- Pois é... Como eu sei que Glah usa magia e você é espadachim PC, eu acho que vocês podem salvá-las. – falou Emili.
- Só nós dois? Contra um assassino profissional? – falou Tiago – Não teremos chance alguma. E também provavelmente ele estará escondido.
- Ele vai ficar em um local bem cheio de pessoas. Onde não dê pra notar que ele portará a arma. – explicou Emili.
- Temos que avisar aos outros... – falou Tiago – Ou avisar a produção do show pra cancelar.
- Não acho que eles farão isso agora tão em cima da hora... – disse Paulo César.
- Putz. E agora? – falou Tiago com as mãos na cabeça.
- Agora, já que estaremos lá, vamos impedir. Eu duvido poder entrar com minha espada... – falou Paulo César.
- Já sei o que fazer pra resolver isso, PC! – falou Tiago – Você tem alguma luva ou pulseira?
- Não. – respondeu Paulo César.
- Aff... Eu tenho. Me dê a espada e amanhã eu te entrego. – falou Tiago.
- E o que tu vai fazer?! – perguntou Paulo César.
- Encantar a espada e a pulseira, pra que você possa escondê-la na pulseira. Dessa forma você pode ir pra onde quiser portando sua espada e sem levantar suspeitas. – explicou Tiago.
- Legal... – falou Paulo César entregando o guarda-chuva a Tiago. – Sorte que deu um chuvisco hoje.
- Então? Vocês vão salva-las? – perguntou Emili.
- Não temos alternativa. Não quero que nada aconteça a essas garotas. – falou Tiago – E ainda seria estragar meu show e de muita gente caso essa tragédia acontecesse.
- Que bom! – falou Emili – Pois, lá vem o circular.
Eles subiram no ônibus e seguiram pra suas casas.
Chegando em casa, Tiago ligou para Pérola.
- Alô? – falou Pérola.
- Loirinha. Preciso de sua ajuda. – falou Tiago.
- Ok mestre. Agora? – falou Pérola.
- Se você puder vir... – falou Tiago.
- Eu posso usar o... – começou Pérola.
- De jeito nenhum! – interrompeu Tiago – Eu ligo pra Rubi te pegar e trazer. Vou precisar de vocês duas.
- Mas, Tiago. São quase 23h. E ela trabalha amanhã. – falou Pérola – Eu posso ir.
- Eu vou precisar das duas. Apenas aguarde aí em sua casa, ok? – falou Tiago por fim.
- Ok. Tchau!
- Tchau. – falou Tiago e desligou, discando em seguida para Rubi.
- Oi... – falou docemente Rubi, como sempre que atendia ao telefone.
- Oi Rubi. – disse Tiago – Preciso de você e Pérola agora. É possível?
- Qual a urgência? – perguntou em alerta Rubi.
- Nada demais... É que eu preciso encantar uma pulseira para ser um compartimento mágico e preciso de vocês. É pra amanhã. – falou Tiago.
- Ah... – falou Rubi aliviada – Eu trabalho amanhã... Você sabe né?
- Sei sim... Por favor? – suplicou Tiago.
- Ok. Quer que eu passe lá em Pérola? Ela ta sabendo? – falou Rubi.
- Está... – respondeu Tiago – Muito obrigado mesmo Rubi... Eu nem devia estar mais te chamando pelo apelido, né?
- É melhor assim. Já estou acostumada. – respondeu docemente Rubi – Eu apareço aí em 15 minutos.
- Obrigado. – falou Tiago e se despediu.
Exatamente após 15 minutos bateram a porta do apartamento de Tiago. Ele foi até a porta e abriu para deixar suas alunas entrarem no apartamento.
- Bem vindas meninas. Muito obrigado por virem. – falou Tiago animado – Se eu fosse fazer isso sozinho iria levar a noite toda e mais metade do dia de amanhã, isso se eu não dormisse.
- Nossa! – falou Pérola – É difícil assim?
- Um pouco. – falou Tiago – Concorda Rubi?
- Sim. – respondeu a garota – Onde está aquele anel?
- Aqui. – mostrou Tiago a mão direita.
- O que ele faz? – perguntou Pérola.
- Um dia eu te mostro. – falou Tiago – Vamos começar?
- Vamos.
Tiago pegou uma pulseira de couro preta que ele tinha e começou os preparativos, tirando a espada do guarda-chuva.
- Sua tarefa é simples Pérola. Você vai encantar essa espada para a lâmina ficar mais afiada e mais forte. – falou Tiago.
- Ok. Isso será fácil. – disse Pérola.
- E nós vamos encantar a pulseira Rubi. – falou Tiago para Rubi.
- Sem problemas.
E então começaram as gesticulações e palavras na língua antiga para começarem os encantamentos.
*****
Paulo César chegou em casa e seguiu direto para o seu local de treino. Pegou uma espada extra e começou a treinar suas técnicas. Ele ainda não havia tido a oportunidade de testar algumas que aprendeu pouco depois da última “missão”, mas dessa vez ele iria com certeza usar a que tinha em mente. Então ele começou o treino, que durou até depois das 3 da manhã, quando ele sentiu-se satisfeito e que havia dominado com precisão a técnica.
*****
Ela olhou se havia algum recado na secretária eletrônica, sem sucesso. Não haveria outras missões tão cedo, e também não era costume do seu superior designar mais de uma missão ao mesmo tempo. Já houve casos em que ela tinha dois alvos ao mesmo tempo, mas foram fatos raríssimos. Também nesse caso não era apenas um alvo, eram quatro. Uma missão muito arriscada, ela sabia muito bem, pois tinha que ser rápida na recarga, mas esse problema estava resolvido. Ela era detentora de um rifle de repetição e ele havia sido o selecionado.
- Vai ser praticamente um tiro e quatro quedas. – falou a si mesma, na frente do espelho, onde preparava os seus cabelos negros para a noite de sono.
Ao chegar em seu quarto, que era praticamente uma obra de arte, com quadros, uma cama King Size da nobreza, esculturas em estatuetas, e alguns arranjos em locais estratégicos, com rosas e flores verdadeiras, para perfumar o quarto; um ar condicionado central (que servia também para o restante do apartamento) e mobília aristocrática, assim como a cama. Ao lado da cama, havia uma poltrona de carvalho, com espuma de ótima qualidade e revestida com veludo negro, dando um ar de grandeza à poltrona. Num raque que se encontrava atrás da poltrona, encontrava-se o som, que tinham caixas espalhadas por locais estratégicos do quarto, para que nada da música fosse perdido, e foi para onde ela se dirigiu. Agachou-se e pegou um DVD de músicas de Beethoven e Mozart, ligando em som de fundo e indo recolher-se em sua cama imensa.
Perdida em pensamentos e relaxando cada vez mais ao som dos clássicos, ela foi ficando sonolenta, para no fim adormecer e não ter sonhos.
*****
Sábado de manhã e Tiago dorme profundamente para recuperar as energias que gastou no encantamento da noite anterior. Em seu braço estava a pulseira de couro preta.
- Mestre. Mestre... Tiago... Acorda... – falou levemente Pérola apenas com a mão no ombro de Tiago.
- Hã? – falou Tiago sonolento – Só mais cinco minutos...
- Tiago. Acorda menino! – falou Pérola.
- Peraí... – falou Tiago escondendo-se em baixo do travesseiro.
- Ai, ai, ai, ai, ai... – falou Pérola e seguiu para a cozinha do apartamento, onde encheu um copo de água, em seguida voltando para o quarto.
Lá ela despejou a água em cima de Tiago que levantou-se de um pulo e conjurou automaticamente uma bola de fogo.
- Que foi isso?! – gritou Tiago desorientado olhando para Pérola.
- Eu estou te chamando há horas. – falou Pérola mostrando o copo, agora vazio.
- Maldição Pérola! – reclamou Tiago – Detesto ser acordado dessa maneira.
- Queria o que? Um beijinho? – falou Pérola com sarcasmo.
- Seria muito melhor... – falou tristemente Tiago.
- Haha! Dá próxima vez então eu dou um beijinho. – falou Pérola com um sorriso maroto.
- Engraçadinha... – falou Tiago olhando atravessado para ela – Que é que foi? Me acordasse por quê?
- Hoje é o dia do show e você me disse que ia me contar algo antes de eu ir embora. Como daqui a pouco eu vou pra casa, fale logo. – falou Pérola.
- Num acredito que a senhorita me acordou por causa disso não! – disse Tiago.
- Claro! Eu sou curiosa, você sabe. E também estou quase de saída. Vamos, diga logo. – falou Pérola.
- É de lascar... Eu no meio de meu sono magnífico aí vem essa menina e... – começou Tiago.
- Tiago! – interrompeu Pérola – Diga logo! Eu tenho que estudar!
- Ok , ok! – rendeu-se Tiago – “Logo”. – e caiu na risada depois. Pérola olhou incrédula para ele.
- Chato... – disse por fim.
- Muito obrigado! – agradeceu sinceramente Tiago.
- Num vai falar não? Eu vou embora. Tchau! – disse Pérola se virando para sair do quarto.
- Não! Espera! – correu Tiago e a segurou pelo braço – Eu vou falar. Sente aí.
E então ele falou tudo o que Emili havia previsto e as condições do local. Era por isso que ele havia convocado as meninas para concluir logo o encantamento, para Paulo César portar a espada no show.
- Ah, e outro detalhe. – acrescentou Tiago – Ele quer saber seu nome original.
- Ah ta. – falou Pérola – Depois você diz. Quando eu terminar o treinamento. Num to afim de perder um pouco da ressonância do focus por causa de uma curiosidade não...
- Se fosse você... – começou Tiago.
- Eu sei que eu sou curiosa! – interrompeu Pérola – Não precisa me lembrar.
- Muito bem. Vou tomar aquele banho e arrumar tudo aqui antes de fazer o almoço. – falou Tiago com um sorriso – Que hora é essa mesmo?
- Onze e quarenta. – respondeu Pérola – E eu ainda tenho que fazer o meu almoço.
- Fica aí e almoça comigo. – convidou Tiago.
- É... Pode ser... – falou Pérola meio sem jeito – Eu também to com preguiça de cozinhar. – e caiu na risada.
- É. Então fica aí! Deixe de pressa besta! – falou Tiago pegando sua toalha e indo para o banheiro tomar seu banho.
*****
Paulo César acordou com sua mãe chamando para almoçar. Estava com uma dor de cabeça tremenda e algumas dores musculares. O treino realmente deu resultado. Levantou-se preguiçosamente e decidiu que iria almoçar.
*****
Luiz Henrique acordou muito bem. Tinha dormido perfeitamente bem e acordou de bom humor. Sábado sempre era um dia bom, pelo menos ultimamente, que era quando acordava mais livre e quando mais se divertia, quando não havia provas para estudar. Levantou-se rapidamente, olhando para o relógio e constatando serem nove horas da manhã. Fez sua higiene pessoal e ligou seu Playstation II, pois o horário combinado com os rapazes era um pouco mais tarde, quase no fim da tarde.
*****
O dia foi se passando lentamente e no fim da tarde os garotos seguiram para o ponto de encontro, a loja C&A da Avenida Rio Branco. De lá seguiriam para onde seria o festival. Paulo César chegou quase no mesmo instante que Luiz Henrique. A diferença foram alguns metros de um ônibus para o outro. Então eles se cumprimentaram e começaram a conversar sobre diversos assuntos, enquanto esperavam por Tiago.
*****
- Tiago, num era pra você estar na C&A há uns quarenta minutos atrás não? – falou Pérola, que tinha ficado na casa de Tiago por insistência do mesmo, que foi até a casa dela com ela para pegar roupas para ela passar o dia. Tiago estava ocupado jogando Final Fantasy Tactics.
- Eita porra! Era mesmo! – falou Tiago aperreado. – Termina essa batalha pra mim aqui Pérola!
- Eu não sei nem pra onde vai. – falou ela pegando o “joypad” que Tiago entregava a ela.
- Vai apertando no número três aí do joypad pra fazer as ações. Só tem movimento e ataque! Num tem erro não! – falou Tiago seguindo para o banheiro e tomar seu banho.
*****
- Tiago ta demorando né? – falou Luiz Henrique. – Já passou mais de quarenta minutos do horário marcado.
- Deve ter perdido o ônibus. – falou Paulo César distraído.
- É... Talvez ele tenha visto alguma gata passando na rua e o ônibus passou direto. – disse Luiz Henrique.
- Ou talvez ele tenha esquecido que o horário era esse e ainda vai sair de casa. – falou por fim Paulo César, acreditando nessa teoria.
- Vou ligar pra ele e ver. – falou Luiz Henrique pegando o celular e discando para Tiago.
*****
O celular começou a tocar pouco depois que Tiago entrou no banheiro. Pérola foi até o celular e viu que era uma chamada de Luiz Henrique.
- Já tão ligando pra você. – falou Pérola – O nome aqui é Lampreia.
- Atende aí Pérola e diz que saio já de casa, por favor. – falou Tiago sob o som do chuveiro ligado.
- Ta. – falou Pérola e atendeu o celular – Oi?
- Oi! Quem é?! – admirou-se Luiz Henrique. – Tiago?! Você ta com problema de garganta?!
- Não, menino! Aqui é... – ela hesitou um pouco por não saber se falaria o nome original ou o apelido. Decidindo pelo apelido – Pérola.
- Ah sim... – falou Luiz – Cadê Tiago?! Aquele galado!
- Ta tomando banho. Disse que está saindo de casa daqui a pouco. – explicou Pérola – E pede desculpas pelo esquecimento.
- Esquecimento?! Aff... O que ele tava fazendo?! – perguntou Luiz.
- Jogando Final... Como é o nome mesmo Tiago? – falou Pérola gritando para Tiago.
- Final Fantasy Tactics! – gritou Tiago de dentro do banheiro.
- Final Fantasy Tactics... – repetiu com péssima pronúncia Pérola.
- Aff... Que galado! – falou Luiz – Estamos esperando ele! Diz, por favor a ele que se apresse ok? Se não ele vai sozinho!
- Com certeza! Direi o recado. Tchau!
- Tchau! Até mais! – falou Luiz e desligou o celular.
*****
- Mas que bicho galado! – falou Luiz Henrique – Jogando Final Fantasy enquanto a gente esperava.
- É típico dele! – riu Paulo César.
- Vamos esperar né? – falou Luiz Henrique – É o jeito!
- É...
O tempo passou e depois de 40 minutos Tiago chega num ônibus de Nova Parnamirim.
- Puta que o pariu! – reclamou Tiago assim que desceu do ônibus – Foi mal aí rapaz! Tava meio entretido com o jogo aí perdi a hora.
- Rapaz... Quase uma hora e meia de atraso! Esse homem é foda! – falou Luiz.
- Pelo menos ele chegou. – falou Paulo César olhando a pulseira preta que Tiago usava.
- Sim, isso é seu. – fala Tiago tirando a pulseira preta e entregando a Paulo César. – Pra usar é muito simples... – Tiago olhou de lado e verificou que havia pessoas passando ainda.
- Você me explica daqui a pouco. – falou Paulo César e Tiago assentiu. Eles seguiram avenida abaixo em direção à Ribeira.
Eles foram conversando sobre heavy metal, dentre outros estilos de rock, para chegarem preparados no festival. Então depois de um bom tempo, chegaram à um movimento, mas não era o festival de rock que eles estavam indo, e sim um bloco de carnaval fora de época que estava no caminho para o destino deles.
- Que porra é essa?! – perguntou Luiz Henrique.
- Sei lá... – falou Paulo César – Melhor nem saber. Vamos passar logo por isso que essas músicas são um porre!
- Vamos nessa!
Então apressaram o passo, mas antes de chegarem à esquina que deveriam virar para seguir para o festival, os rapazes encontram pessoas conhecidas da faculdade. Eles falam rapidamente com as pessoas e seguem seu caminho.
*****
Ela saiu no seu carro, um Fox preto, e estava no horário do início do festival por lá, mesmo sabendo que o show das Donnas só começaria efetivamente depois das 21h. Mas, como curtir shows de rock nunca é demais, ela sentiu-se satisfeita por poder ter esse lazer. Pegou sua pequena maleta e uma pistola discreta extra e colocou na bota que usava. Nesse dia ela trajava com um vestido preto de estilo medieval, com botas de couro legítimas e de cano alto, assim como salto também, onde ela poderia esconder uma pequena pistola numa boa. Usou como bolsa sua pequena maleta onde estava o rifle, que ficava atrás de um aveludado que tinha para justamente servir de disfarce. Mas, se a pessoa observasse, veria que era apenas um aveludado que servia para a arma não arranhar-se nas demais peças, e então ela levou a pistola pro precaução.
Chegando a frente dos seguranças ela entregou a senha do dia, seguido de um “boa tarde”. O segurança sorriu desajeitado. Ela sabia que era muito bonita, e a forma que havia se produzido para o dia, a deixara mais linda ainda. A pesar de o segurança ter caído em seus “encantos” ainda assim suspeitou da pequena maleta.
- O que tem na maleta, senhorita? – perguntou o segurança.
- Ah, o senhor não vai querer ver, vai? – falou sedutora ela – Apenas meu dinheiro, batom, lápis, um pouco de pó e outras coisinhas para precisões.
- Posso ver? – disse o segurança.
- O senhor não acredita em mim? – falou ela parecendo uma menininha.
- Desculpa... Estou fazendo o meu trabalho. – falou tristemente o segurança – Por mim eu deixaria entrar, mas não posso.
- Sei como é... – ela fingiu coçar atrás da coxa e pegou a pequena pistola, e apontou rapidamente na barriga do segurança que ficou surpreso. – Você não fala nada e abre a bolsa, ok?
O segurança pegou a maleta e abriu, constatando o aveludado com alguns pertences dela e após remexer constatar o rifle desmontado. Ele ficou apreensivo e muito pálido o segurança.
- Estou limpa, senhor? – ela fez de tudo para não verem a arma e depois sussurrou para o segurança – Bico calado e você vai entrar comigo.
- S-sim senhora... – concordou o segurança aos sussurros procurando poupar sua via – A senhora vem comigo. Ei Diego! Assuma aí o posto!
- Beleza. – falou o outro segurança posicionando-se onde esse esteve.
Ela o agarrou pelo braço, como se fosse um namorado, para esconder a arma que ela esmagava contra as costelas do segurança. Chegando dentro do local onde haveria o festival, e constatando a presença de muita gente, ela olhou para o pálido segurança.
- Você tem um rádio, não tem? – perguntou ela.
- Sim senhora... – falou o segurança estendendo o rádio para que ela visse.
- Remova a bateria e re-coloque no cinto. – ordenou a moça. O segurança removeu a bateria e estendeu para ela, que pegou e jogou atrás de um banheiro público que tinha no local. – Entre aí. – ela apontou com a cabeça para o banheiro público. O segurança obedeceu e ela ficou na porta esperando ele entrar, apontando a arma para ele, oculta pelo cubículo do banheiro. O segurança apenas pôde levantar as mãos em rendição.
- Eu sou pai de família, senhora. – falou tristemente.
- É mesmo? – perguntou ela, logo em seguida atirando na cabeça do homem, que caiu sentado na privada do banheiro público. O barulho do tiro foi abafado pelo som alto, além de ser uma arma sofisticada que já possuía uma espécie de silenciador de fábrica. O barulho do tiro era diminuído em 75%. Ela então fechou a porta do banheiro e deu um golpe com a arma, deixando trancada a porta.
Ela então suspirou, guardou a pistola na bota e entrou no galpão, onde já havia começado uma das bandas.
*****
Tiago, Luiz Henrique e Paulo César haviam chegado ao seu destino. Passavam das 17h30min e eles, antes de entrarem para o galpão onde haveria o show, sentaram-se em uma mesa de um pequeno carrinho que fazia sanduíches e vendia bebida. Beberam um pouco e comeram sanduíches, pois a fome estava apertando. Depois de um tempo conversando, eles seguiram para a entrada do festival. Lá, onde normalmente haveria dois seguranças na portaria, havia apenas um e quando os garotos chegaram, esse reclamava da demora do outro. “Namorar em serviço é osso...”, foi o que os meninos ainda escutaram. Todos pegaram suas entradas e entregaram ao segurança, sendo revistados logo em seguida. Nenhuma suspeita de porte de arma, os garotos adentraram o local. Paulo César sorriu e acariciou levemente a pulseira.
- Agora só falta você me dizer como funciona. – disse Paulo César.
- É. Aqui acho que dá pra explicar pelo fato de ter MUITA gente. – falou Tiago – Para sacar a espada você precisa fazer o movimento de pulso, como se quisesse que a espada saísse de sua manga da camisa, por exemplo. – e Tiago fez o movimento que deveria ser imitado, mas Paulo César apenas observou e assentiu.
- Beleza. Isso vai ser fácil. – disse Paulo César.
- Mans, eu estou afim de ir ao banheiro, ta ligado? – falou Luiz.
- Vai lá... – apontou Tiago para os banheiros públicos atrás deles. Luiz seguiu para um deles e quando foi abrir a porta, estava trancada. Pensando que estaria ocupado, ele seguiu para outro e entrou.
Os shows haviam começado e os meninos já estavam animados para curtir o som. Quando Luiz retornou, eles entraram no galpão para ver qual seria a banda e então começaram a curtir. Luiz saiu para comprar uma cerveja, enquanto Tiago e Paulo César observavam o local, mas ainda curtindo a música. Havia muitos locais propícios para um atirador profissional se posicionar, e isso era muito ruim, visto o fato de que aquele galpão estaria lotado na hora do show das Donnas. Então Luiz começou a demorar no barzinho, onde foi comprar a cerveja.
- Lampreia ta demorando. – observou Paulo César.
- Ta tão lotado assim pra demorar a comprar? – falou Tiago olhando ao redor e localizando Luiz Henrique conversando com uma garota – Ah, ta explicado!
Tiago bateu levemente no ombro de PC e apontou a localização de Luiz. De longe, a garota parecia estranhamente familiar. Então Luiz Henrique notou que eles observavam e chamou com um gesto. Os garotos se moveram entre as poucas pessoas que estavam no galpão e chegaram onde Luiz e a garota estavam. Logo perceberam que realmente ela era familiar. Era a magnífica amiga de Miguel, em uma produção muito decente e típica que alguém que gosta de metal. Usava um vestido estilo medieval preto e botas de couro de cano alto. Carregava uma maletinha discreta, que os meninos interpretaram como sendo sua bolsa.
- Então... – falou Alana após cumprimentar os meninos – É a primeira vez que venho a um show delas.
- Nós também! – respondeu Luiz – E venho me preparando para esse show desde que Tiago me chamou pra vir. Peguei muitas músicas delas e clipes.
- Eu também peguei a discografia quase toda. – falou Tiago.
- Eu peguei algumas mp3 delas com Tiago. – falou Paulo César.
- Então... Eu já conhecia a música delas. – falou Alana – É um estilo da hora!
- É sim! – falou Tiago pegando o folheto dos horários e das bandas – A próxima é MQN. Será que é boa?
- Vamos descobrir daqui a pouco. – falou Luiz Henrique.
- É... – concordou PC.
A banda subiu ao palco quando o pessoal estava perdido entre conversas. Alana viu uma pessoa conhecida e foi falar com ela, enquanto os rapazes suspiravam com o rebolado dela.
- Ai meu Zeus! – falou Tiago – Odin que me salve... Ave Rá!
- Três mitologias, Tiago? – perguntou Luiz.
- Diga que num merece! – falou Tiago apontando para aquela perfeição em forma de mulher.
- Merece... Com certeza merece... – falou Paulo César.
- Era querer demais uma dessas lá em casa cuidando de mim? – falou Tiago. Os meninos olharam para Tiago.
- Era. Melhor seria ela na minha casa! – falou Luiz Henrique.
- Não. Melhor seria ela no meu quarto. – falou Paulo César.
- Mermãos... Algum de vocês vai tentar pelo menos dar um beijo nela? – perguntou Tiago.
- Rapaz... Eu sou tímido. – falou Paulo César.
- Dependendo da birita... Eu tenho coragem! – falou decidido Luiz Henrique e mostrando uma cerveja RUIM pra caramba que ele tava tomando.
- No meu caso era querer demais... – falou Tiago tristemente.
- Tenta pow! – falou Luiz Henrique.
- Nada. To cansado de tomar fora. Fique a vontade. – falou Tiago com um sorriso.
- Beleza. Deixa ela voltar! – falou Luiz tomando um longo gole da cerveja e quase vomitando pelo sabor horrível da cerveja.
Depois de um tempinho Alana volta trazendo uma amiga. Uma garota bonita de um jeito normal e de baixa estatura. Mais ou menos 1,50m, tinha cabelos cacheados castanho-claros, olhos cor de mel, um rosto arredondado, porém bonito, e um corpo simples. Nenhuma escultura moldada pela própria Afrodite, mas agradável. Trajava uma calça de couro preta, blusa roxa com um decotão e um all star preto.
- Gente, essa é a Joanne. – apresentou sua amiga Alana – Joanne, esses são Luiz Henrique, Paulo César e Tiago.
- Olá! – falou alegremente Joanne com uma voz forte, típico de cantoras de Axé – Outro Tiago?
- É... Nós vamos dominar o mundo. – falou Tiago com um sorriso – Meu apelido é Gladuriel, pois todo Tiago NECESSITA de apelido, se não ninguém vai saber quem é.
- Gladu... O que?! – perguntou a garota. Os meninos riram.
- Gladuriel. – falou Tiago.
- Ah sim. Entendi. – falou a menina.
- E aí rapazes? O que ta sendo de bom? – perguntou Alana.
- Lampreia aí tava querendo falar com você. – falou Paulo César. Luiz protestou com um olhar para Paulo César. Um olhar de alerta ferrado.
- É? – falou Alana – Pode dizer, rapaz.
- Err... Bem... É que... Sabe... Tipo... Ah, sei lá! – falou Luiz sem jeito.
- Ih... – falou Joanne – Esse aí ta enrolado.
- Você num sabe o quanto... Bem Joanne. Que tal irmos comprar uma cerveja nós três? – propôs Tiago. A menina olhou sem entender para Tiago, e depois o olhar que ele lançou para Luiz e para Alana ela entendeu e deu uma leve piscadela.
- Sim, claro! – concordou Joanne e eles seguiram para o barzinho, deixando Luiz e Alana conversando. – E então senhores? Que curso os senhores fazem na UFRN?
- Já ta sabendo que somos da UFRN? – perguntou Paulo César.
- Alana falou. Mas, não falou o curso. – disse Joanne.
- História. – respondeu Tiago – Somos futuros professores e/ou pesquisadores. Depende de quem vá pra que área.
- Interessante. – disse Joanne – Eu faço Psicologia. Somos do mesmo setor.
- Que bom! – falou Paulo César – Raro a gente encontrar pessoas de Psicologia que são legais.
- É verdade... –riu Joanne – O povo lá é muito besta!
- É... – falou Paulo César – Mas, você está em que período?
Tiago saiu na deixa para que o amigo conversasse, já que ele havia se interessado em algum assunto com a Joanne. Ele seguiu para frente do palco, onde a banda começava a esquentar o show. Era uma banda de boa qualidade. Tiago analisou o som, o vocal e o estilo, e agradou bastante. Curtindo o som, pulando e cada vez mais empolgado, Tiago divertia-se sozinho lá na frente. Mais ou menos com uns 20 minutos de show, Luiz Henrique apareceu ao lado de Tiago pulando e dando pancada nele. Logo em seguida apareceu Paulo César caminhando normalmente e esquivando-se das pessoas empolgadas. Tiago parou de pular e olhou incrédulo para os amigos.
- Ué? Cadê as minas? – perguntou Tiago.
- Alana viu mais gente conhecida e foi falar, aí vim procurar você. – falou Luiz Henrique.
- Desse pelo menos um beijo nela?! – perguntou Tiago.
- Rapaz... – Luiz ficou todo errado.
- Fraco! – riu Tiago – E você PC?
- Eu o que? – perguntou PC.
- Eu te deixei a sós com a boy de Psicologia. – falou Tiago – E aí?
- E aí o que homem?! – perguntou PC.
- Puta que o pariu, meu amigo! – reclamou Tiago – Num ficasse com a menina não, porra?!
- Não. Ela foi pro outro galpão. Disse que não estava gostando dessa banda. – falou Paulo César.
- Aff... Essa banda é massa demais! – falou Tiago – Mas, que azarados os senhores heim?
- É né?! – falou Luiz Henrique – E você bonitão?! Cadê a mina?!
- Rapaz... – ficou todo errado Tiago.
- E ainda fala da gente! – disse Paulo César – Fraco!
Eles curtiram o restante do show da banda. Foi muito bom e os garotos curtiram, assim como a banda curtiu a animação da galera. Quando eles acabaram o show a galera ficou cantando um trecho de uma música que eles tinham tocado na saideira.
- HEY, HEY, HEY, HEY! – gritou a galera cantando – HEY, HEY, HEY, HEY NOW!! – o vocalista da banda voltou na mesma hora e pegou o microfone.
- HEY, HEY, HEY, HEY! – gritou a galera cantando – HEY, HEY, HEY, HEY NOW!! – dessa vez o vocalista acompanhou.
- Meu irmão! Desse jeito é foda! – falou o vocalista da banda – Vamos tocar mais uma!
A galera que curtia o show foi ao delírio. Então a banda voltou e tocou mais uma música, para depois encerrarem o show.
O organizador do festival falou sobre a banda que viria em seguida e depois dela seria o The Donnas. A galera foi ao delírio mais uma vez. Muitas pessoas gritando e assobiando. E nessa hora os garotos ficaram alerta para pessoas suspeitas que fossem chegando. Afinal eles haviam chegado há horas e ainda não avistaram ninguém muito suspeito.
*****
Alana ao ouvir que se aproximava do horário das Donnas procurou posicionar-se. Afinal, ela deveria acabar com isso logo. Mas, ficou em dúvida se deveria matar as Donnas no início do show, ou depois de estar no clímax. Decidiu pelo clímax, seria mais interessante e não chamaria atenção.
*****
Tiago mandou uma mensagem mágica para Rubi. “Acho que vou precisar dela aqui...”, pensou ele lançando a magia. “Rubi, preciso de você aqui no Festival Dosol... Eu sei que você está em nossa terra, mas as Donnas correm perigo! E Pérola não está autorizada a usar o Teletransporte. Por favor, se puder vir, venha.”
Passaram-se uns cinco minutos e Tiago recebeu uma mensagem mágica em resposta de Rubi. “Sinto muito, Tiago. Mas, você terá que protegê-las sem mim. Minha família ta precisando de mim e não posso abandoná-los por causa disso... Me desculpa...”. O tom de voz de Rubi na mensagem era tristonho, e então Tiago viu que não deveria intervir. Além de ser um problema de família e ela não gostava quando ele insistia nas coisas. “Melhor ela ficar lá mesmo... Droga vai ser difícil...”, pensou Tiago.
Então entrou no palco uma banda super chata, que fez os garotos morrerem de tédio enquanto aguardavam. Paulo César lançou a proposta de ficarem andando por um tempo para que fosse feita a ronda. Luiz ainda estava meio que por fora, e então Tiago o deixou por dentro.
- As Donnas tão correndo perigo, man! – falou Tiago – Por isso que queremos ficar fazendo essas rondas. A fim de encontrar algum suspeito.
- Ah, entendi... – falou Luiz – Acho que vou ajudar vocês.
- E o que você pode fazer? – perguntou Paulo César.
- Rapaz... Só mostrando. – disse Luiz Henrique.
- Acho que você vai ter a oportunidade... – falou Tiago apontando para umas pessoas pálidas que adentravam o galpão.
- Será que são eles?! – perguntou Paulo César.
- Não custa nada perguntar... – falou Tiago – Mas, vampiros no mundo normal são muito raros. Só vêm quando estão com fome.
- Então esses aí tão a fim de tomar um drink? – perguntou Paulo César.
- Vampiros?! – assustou-se Luiz Henrique.
- Não sabia que existiam? – perguntou Paulo César.
- Não senhor! – falou apressadamente Luiz Henrique.
- Esses ainda não estão com atitudes hostis... – falou Tiago. Mas, logo engoliu suas palavras quando viu os quatro rapazes e as três moças que haviam entrado no galpão, todos parecendo vampiros (e realmente o eram) começando a escolher suas presas.
Foi um movimento rápido, onde as moças conseguiram três rapazes rapidinho usando suas habilidades sobrenaturais e os levavam para um canto isolado. Os rapazes vampiros estavam escolhendo suas presas, foi quando Alana passou na frente de um deles, que seguiu diretamente para ela.
- Alana não! – falou Tiago apontando.
Por reflexo Luiz Henrique adiantou-se para defender a garota. Foi muito rápido. Luiz puxou uma espécie de linhas quase invisíveis, só não o eram pelo fato de cintilar com a luz, e amarrou o rapaz que chegava a Alana.
- O que é isso?! – protestou o rapaz vampiro. Os amigos dele rodearam Luiz Henrique.
- Ela não! – falou Luiz para o preso.
- Eu só ia conversar com ela, imbecil. – falou o vampiro.
- E depois sugar todo o sangue dela. – falou ameaçadoramente Luiz. O vampiro olhou em alerta. Olhou para os outros e fez um gesto com a cabeça para Luiz.
- Você vai morrer moleque! – falou o preso e os outros avançaram.
Tiago pensou rápido, por não poder usar sua magia ali, na frente de todo mundo. Então se aproximou dos vampiros que cercavam e avançavam para Luiz. Paulo César sacou a espada e avançou para ajudar.
Alana que estava no meio de tudo ficou em pânico, escondendo-se atrás das mãos e abaixada. Fingia muito bem nas horas que necessitava.
Então, num movimento rápido, Luiz despedaçou o vampiro que estava preso em suas linhas, reduzindo-o a pó e se preparando para receber os outros. O movimento de Paulo César foi rápido ao cortar a cabeça do rapaz a sua frente, que se aproximava de Luiz pelas costas, reduzindo-o a pó. Tiago chegou a outro e encostou a palma da mão nas costas do vampiro e usando uma combustão perfeita do corpo do vampiro. O último viu-se acuado entre as três ameaças que o cercavam, mas este estava perto de Alana e a pagou como refém.
- Nem mais um passo, ou a garota morre! – falou o vampiro mostrando as garras e pousando-as no pescoço da moça apavorada, que chorava. Os amigos ficaram onde estavam.
- Não preciso nem me preocupar com você. – falou Paulo César recolhendo a espada para a pulseira. Foi instinto quando ele encostou a espada na pulseira e essa sumiu logo em seguida. – Olha só! Adivinhei como guardava.
- Eu ia te dizer isso. – falou Tiago descontraído. O vampiro ficou sem entender, e quando viu o plano era tarde demais.
Luiz num movimento rápido foi para as costas do vampiro, que não percebeu o movimento, e enrolou suas linhas no pescoço dele, em seguida decapitando-o. O jovem vampiro soltou Alana e virou pó.
- Você está bem Alana? – perguntou Luiz com a mão no ombro dela. A garota só fez olhá-lo e ainda chorando abraçou-o.
- M-muit-to o-b-bridada, Lampreia... – falou em meio aos soluços Alana.
- De nada! Que bom que você está bem! – falou Luiz correspondendo o abraço da menina.
Tiago apenas sorriu e deu um leve soco no punho fechado de Paulo César. Agora sim eles sabiam o que Luiz Henrique era capaz de fazer. Ele tinha um treinamento em linhas invisíveis. Uma técnica muito boa para armadilhas, aprisionamento e eficaz em combate. O usuário de linhas deveria ser detentor de uma destreza fora do comum, e pelo visto, Luiz era um usuário excelente da arte.
Depois do momento de pânico, Alana recuperou-se e agradeceu a Luiz com um selinho e saiu rapidamente do local. Luiz ficou incrédulo olhando para os outros rapazes.
- Ué! Vai atrás dela, oh! – falou Tiago.
- Não cara... – falou Luiz.
- Por quê?! – perguntou Tiago.
- Vou ajudar vocês a defender as Donnas. – falou decidido Luiz Henrique. – Vamos começar a ronda?
- Isso é muito bom, cara... Gostei de ver o que esse homem utiliza para defender-se. – falou Tiago – Tem certeza que prefere a magia?
- Isso eu vejo depois, já que minha ressonância ta baixa. – falou Luiz – Vamos começar?
- Vamos.
Os garotos começaram a ronda pelo galpão, verificando todas as ameaças presentes. Ninguém havia percebido o ocorrido há pouco e as mulheres vampiras tinham fugido, após a morte dos seus amigos. O salão agora começava a ficar cheio enquanto a banda anunciava a última seqüência de músicas, e logo em seguida seria o The Donnas.
Pessoas acotovelavam-se em busca do melhor lugar perto do palco. Muitas pessoas portavam câmeras e celulares para tirarem fotos ou fazerem a cobertura do show. Nada de suspeito e a banda que estava no palco, encerra o show com um cover do The Ramones, levando a galera que gosta do Punk tradicional a cantar junto com o vocalista da banda e pedir bis. Após a saideira, entrou o intervalo para a passagem de som do The Donnas, e foi exatamente o horário que começou a aglomerar mais ainda o galpão, dificultando a busca dos garotos.
- Acho que não vamos encontrar nada assim. – desanimou Luiz Henrique.
- Pois é. – falou Tiago – Desse jeito é complicado.
- E aí? – perguntou Paulo César – Paramos ou seguimos em frente?
- Seguimos. É melhor do que deixar as Donnas ao léu não é mesmo? – falou Tiago.
Eles continuaram suas buscas. Foi passado o som, depois da montagem especial para o The Donnas e feito a anúncio que elas estavam chegando.
- E com vocês... Direto da Califórnia... THE DONNAS! – falou o apresentador super empolgado. A galera foi ao delírio. Muitos gritos e assobios.
- Muito bem pessoal. Está quase na hora. Abram bem os olhos. – falou Tiago. Os rapazes assentiram e ficaram olhando em todas as direções.
Esse galpão tinha um andar superior, e não era possível ver bem as pessoas que estavam lá em cima. Mas, a observação lá de cima seria melhor pra visualizar o local quase inteiro, ficando apenas a parte abaixo da plataforma sem condições de ser vigiada. Então Paulo César teve uma idéia.
- Rapaz. Estou vendo que ali de cima teremos uma vista melhor, mas em compensação não veremos abaixo da plataforma do segundo andar. – falou Paulo César – Teremos que nos separar. Dois ficam lá em cima e um aqui em baixo.
- Eu fico aqui em baixo. – adiantou-se Luiz Henrique.
- Então iremos lá pra cima. – falou Tiago – Olhos abertos, Lampreia! Não queremos perder essas moças.
Então as garotas da The Donnas começaram a adentrar o palco sob vivas, aplausos, assobios e muita empolgação. Uma a uma as garotas foram tomando suas posições no palco, até que a vocalista entrou por último, aclamada pelos fãs e chamada aos berros. Tiago e Paulo César tiveram dificuldade para chegar pelo menos à escada da plataforma, mas depois de muito tentarem conseguiram, quando já vinha explodindo a primeira música.
*****
Em cima da plataforma e num lugar afastado bem no meio, onde poderia ver claramente as Donnas, Alana posicionava-se para em seguida montar sua arma, sabendo ela que teria segundos para atirar, desmontar a arma e sair. Nada poderia dar errado. Ela era experiente, e não era a primeira vez que executava seus alvos na frente de centenas de pessoas, e não era percebida. Às vezes por uma única pessoa, que era silenciada antes dela abandonar o local.
Alana esperou pacientemente até pelo menos a terceira música, para começar a montar a arma e ocultá-la.
*****
Paulo César foi o primeiro a subir na plataforma, já que Tiago ficou retido com um pessoal que descia as escadas e arrastaram-no com eles. Então ele começou a averiguação do local em busca do possível assassino. Ele sabia, por instinto, que assassinos profissionais preferiam um lugar mais alto para verem melhor seus alvos, e com certeza com esse assassino não seria diferente. Ele seguiu pelo meio das pessoas e olhando cada rosto e cada expressão, sem sucesso para achar um suspeito. Até que ele percebeu uma pessoa num local um pouco afastado.
Tiago apareceu logo em seguida, e encontrou Paulo César parado olhando ao redor.
- E aí? – perguntou Tiago – Algum suspeito?
- Não exatamente. – falou Paulo César – Ninguém, aparentemente, com intenção de matar aqui.
- Lembre-se que é um assassino profissional. Com certeza não vai transparecer isso. – falou Tiago.
- É. Mas, eu conheço uma máscara quando vejo uma. – falou Paulo César – Principalmente quando se trata de esconder emoções.
- Eu quem não duvido. – falou Tiago olhando para os lados.
- Tem uma pessoa isolada ali. – disse Paulo César apontando para o vulto que estava isolado na parte do meio da plataforma, só que mais próximo da parede.
- Vamos verificar? – perguntou Tiago.
- É bom, né? – respondeu Paulo César com sarcasmo.
Eles então seguiram para a pessoa isolada.
*****
Posicionada num lugar perfeito e montando sua arma, Alana percebe duas pessoas se aproximando sorrateiras. “Maldição...”, pensa ela enquanto começa rapidamente a desmontar a arma, mas era tarde demais. Então ela teria de silenciar essas pessoas.
*****
Os garotos chegaram perto da pessoa que estava agachada e de costas fazendo algo que escondia. Eles notaram ser uma garota com um vestido medieval...
Alana pegou a pequena pistola na bota e levantou-se. Permaneceu de costas até as pessoas chegarem mais perto, para em seguida, agarrar a pessoa mais próxima e apontar a pistola na cabeça. Ela pegou em cheio Paulo César, que nada fez a não ser soltar uma exclamação de surpresa.
Tiago não acreditava no que via. Alana, a amiga perfeita de Miguel, com uma pistola pequena na cabeça de Paulo César.
- Você?! – perguntou Tiago – Você é a assassina?!
- Caramba! – falou Paulo César – Que azar! Pego de surpresa e pela frente!
- Ah não... – falou tristemente Alana e soltou Paulo César. Os garotos observaram um rifle quase montado no chão.
- Por que você aceitou esse trabalho, Alana...? Por que você é assassina...? – perguntou Tiago.
- Meus motivos não interessam a você. – falou friamente Alana – Que pena que vocês que me viram... Eu tinha até gostado de vocês...
- Vai nos matar também?! – perguntou Paulo César.
- Não posso deixar testemunhas... – falou Alana.
- Mas somos seus amigos... – falou Tiago.
- Poderia ser minha mãe... A norma é clara... Se eu não eliminar a testemunha, eu serei eliminada. – falou friamente Alana.
- Então... – começou a falar Tiago – Vamos impedir você.
- Vocês juram né? – falou Alana.
- Temos “poder de fogo” pra isso. – falou Tiago mostrando um pouco de sua magia.
- Como você é bobo... – riu Alana – Isso não vai funcionar comigo.
- Como assim?! – perguntou Tiago.
- Eu tenho focus negativa e magia não funciona comigo. – falou Alana.
- Focus negativa?! Nunca ouvi falar nisso... – disse Tiago desfazendo a bola de fogo que havia na mão.
- Eu acho que é quando a pessoa não sofre efeito nenhum sob a magia, é como se fosse uma imunidade. – falou Paulo César – Pelo menos é o que eu entendi.
- Exatamente. – concordou Alana – Eu sou imune à magia. Então, nada feito.
- E agora? – perguntou Tiago a Paulo César.
- Vocês morrem. – fala Alana – O que é uma pena...
- Não precisa nos matar, Alana. – falou Tiago.
- Preciso. É regra. Eu não quero morrer. – falou Alana. Então ela apontou a arma para os garotos. – Quem primeiro?
- Bom, pelo menos vou morrer feliz... – falou Tiago – Vim para um show das Donnas...
- Ok, então mato você primeiro. – E Alana puxou o gatilho.
O movimento foi rápido, e Tiago usou uma espécie de parede de fogo em espiral que durou alguns segundos. Quando o fogo, que chamou um pouco de atenção pela luz se extinguiu, Tiago havia desaparecido. O que surpreendeu Alana e deu brecha para Paulo César agir, puxando rapidamente a espada e cortando a pistola ao meio. Ele mesmo admirou-se com isso, pois não sabia que sua lâmina estava tão afiada. Alana olhou incrédula.
- Uma espada. Que interessante. – falou a jovem.
- É... E sua pistola quebrou?! Que interessante... – falou PC.
- Eu tenho outros meios de lutar com você, Paulo. – falou Alana.
- Eu não queria ter que lutar com você. – falou PC – Ah sim! Detalhe: Miguel ficará muito triste quando souber o que a amiga dele realmente é.
- Você não viverá para contar a história. – falou Alana.
- Veremos. – disse Paulo César.
Alana botou a cabeça para funcionar. Afinal, iria lutar com alguém portando uma espada, e ela mesma não possuía nenhuma arma branca no momento, mas tinha seu trunfo. Tinha adquirido uma habilidade sobrenatural e essa cairia muito bem agora, pelo menos para as defesas da lâmina da espada. Só precisaria tomar cuidado de usar apenas os braços e tudo estava certo.
Paulo César olhava a expressão pensativa de Alana e notou que ela estava bolando uma estratégia. O mais impressionante foi que poucos segundos haviam passado e ela sorriu, demonstrando já ter um plano, e ele não tinha nenhum, mas tinha a força de ataque. Outro detalhe que ele observou foi que o rifle estava quase montado e ela poderia tentar montá-lo enquanto se esquivava, mas ela não parecia interessada no rifle.
Até que algo inesperado aconteceu. Alana foi atingida em cheio por uma bola de fogo, que explodiu mesmo no peito da garota e arremessando-a contra a parede. Paulo César olhou para trás e viu Tiago.
- Ela é imune a magia. – lembrou Paulo César.
- Podia ser blefe. – falou Tiago – Eu tinha que verificar.
Alana então se levantou, mostrando não ter sofrido grandes danos com a magia e sua roupa intacta. Um anel que ela tinha no dedo possuía uma pedra que agora brilhava. Mas, os garotos não haviam percebido.
- Eu sou imune. – ela disse.
- Acabei de ver que sim, mas ainda sofre o impacto. – falou Tiago. – Vai PC!
E Paulo César avançou com tudo. Ele foi por um lado e Tiago pelo outro, mas pegando distância. Foi aí que Paulo César viu a estratégia de Alana, pois ela apenas adiantou os braços para defender. Paulo César pensou logicamente ter algum truque, ou ela era louca o suficiente para perder os braços. Então ele decidiu manter o ataque e ver o que ela seria capaz de fazer apenas com as mãos, e constatou que era um truque. Ao acertar em cheio o braço direito dela, sentiu o impacto de como se a lâmina tivesse encontrado outra. Aproveitando a oportunidade, Tiago lançou um relâmpago na garota, que o aparou na mão e revelando o anel brilhante.
- O anel! – gritou PC – A imunidade dela é o anel!
A batalha continuou com PC atacando e ela defendendo, assim como os ataques de Tiago que se mostravam inúteis. E então pareceu Luiz Henrique, que havia decidido aparecer por ter visto as luzes da batalha. O mais impressionante era o efeito que as Donnas tinham sobre o público, pois esses não notaram a luta que ocorria.
- O que é isso?! – perguntou Luiz Henrique ao ver Paulo César acertando um corte que levou alguns fios de cabelo de Alana.
- Achamos nosso assassino! – falou Tiago.
- Ela?! – perguntou Luiz.
- Ah não! Você também não! – falou tristemente Alana quando destruía uma bola de fogo jogada por Tiago. – Mais um que terei que matar. Que pena.
Tiago então recuou para perto de Luiz, enquanto PC acertou de raspão um golpe abaixo do peito de Alana, deixando um corte no vestido e sangue escorrendo. Isso fez os sentidos de alerta dos garotos gritarem. “Então quer dizer que a invulnerabilidade é apenas nos braços e naquele anel...”, pensou Paulo César.
- Ela é imune a magia por causa daquele anel. – apontou Tiago – Temos que destruí-lo.
- Cara... Logo ela... – falou Luiz.
- Pois é... Também fiquei chateado... – falou Tiago – Agora é bom a gente bolar um plano rápido.
- Já sei. – falou Luiz – Ta vendo ali que o rifle ta quase montado?
- Sim... – falou Tiago sem entender – Melhor assim não?
- Eu acho que vou me aproximar rapidamente, pegar o rifle, montar e atirar nela, cara... – falou Luiz com uma careta por causa da idéia.
- Ou pelo menos destruir a pedra do anel, se te perturba a idéia de matá-la. – fala Tiago.
- Eu acho que não seria necessário matá-la... – falou Luiz.
- Cara... Ela deixou bem claro. Ou ela ou nós três! – falou Tiago seriamente.
- Putz... – falou Luiz – Beleza então... Tirem a atenção dela.
- Você sabe montar rifle? – perguntou Tiago e Paulo César acertou a pedra do anel, fazendo-o jogar faíscas. – Opa!
- NÃO! – gritou Alana pegando o rifle quase montado e a maletinha e pulando no meio das pessoas que se agitavam com o show.
- Maldição! – gritou Paulo César – Por pouco não a parti ao meio!
- Vamos segui-la! – gritou Luiz Henrique correndo na direção que ela tomou e sendo seguido pelos amigos.
Alana movia-se rápido entre as pessoas aglomeradas e planejava outra forma de executar a missão, nem que pra isso ela fosse ao próximo show, que seria em sua terra natal. Ela sabia quando bater em retirada, e ter perdido a imunidade à magia era inadmissível. Morreria facilmente e isso não era bom.
Os garotos passavam pelas pessoas com dificuldade, mas conseguiram avistar Alana saindo do galpão e seguindo para a saída do show. Lá fora eles a viram entrando num carro e dando a partida. Havia muitas testemunhas para Tiago usar a magia ali, mas Luiz usou sua destreza. Rapidamente arrombou um carro e fez ligação direta. Os meninos não gostaram da idéia, mas entraram no veículo. Eles ainda viram Alana saindo a toda e virando a esquina quando o carro ligou. Luiz dirigiu, já que Tiago seria a arma a distância dos rapazes e então foram a toda atrás de Alana.
- Puta que pariu Lampreia! – falou Tiago – Roubar um carro?!
- Ou isso, ou ela fugia. – falou tranquilamente Luiz Henrique.
- Seremos perseguidos pela polícia! – falou Tiago – Seremos presos, cara!
- Não se resolvermos logo esse assunto e devolvermos o carro. – falou Luiz.
- Pessoas viram que a gente roubou. – falou Paulo César – Não seria uma boa voltar lá.
- E agora?! – perguntou Tiago.
- Agora a gente pega ela, acaba logo com isso e deixa o carro lá perto, só que reparado para não ficarem nossas digitais. – falou Luiz acelerando mais o carro.
Mais a frente eles perderam Alana de vista, mas Luiz foi seguindo pelas únicas saídas da Ribeira e então a localizaram saindo apressada, quase atropelando pessoas que estavam no carnaval fora de época. Vai ver ela teria se atrasado por causa deles. E então a perseguição começou. Tiago baixou o vidro do Celta que eles haviam roubado e posicionou-se para lançar suas magias. O horário era bom para ele usar abertamente seus poderes. Então foi aí que ele começou a lançar bolas de fogo em direção ao carro inimigo. Alana fazia manobras para livrar-se dos projeteis. Eles seguiam em direção a Tirol, e Tiago acertou árvores e lixeiros, deixando para trás os rastros de destruição.
- Odeio quando isso acontece... – falou Tiago – Ainda bem que não sou formado pela escola de magia, se não estaria encrencado.
- Presta atenção! Ela vai escapar! – gritou Paulo César.
- Ta ok! Ta ok! – falou Tiago voltando ao seu lugar na janela.
- Num tem algo mais eficiente que bolas de fogo não? – perguntou PC.
- De conjuração rápida? Não! – respondeu Tiago.
O tempo foi correndo e Luiz fazia muitas manobras em curvas que eram feitas ou improvisadas por Alana e em uma dessas, uma bola de fogo acertou o pneu traseiro do Fox de Alana, fazendo-o rodar e parar. Luiz derrapou o Celta e então os garotos saíram a postos do carro.
Demorou um pouco e Alana saiu do carro já dando o primeiro tiro, que errou por pouco a cabeça de Luiz.
- Odeio quando está sem a mira precisa. – reclamou Alana. A resposta que ela teve foi um relâmpago que passou cantando próximo a sua orelha. – Ei! Vocês não têm senso de humor?
Luiz já estava nas costas dela quando ela percebeu a distração. No lugar de usar suas linhas invisíveis, ele a abraçou por trás.
- Não precisa fazer isso, Alana. – falou Luiz Henrique.
Alana então parou um pouco, como se estivesse ponderando sobre isso. A resposta dela foi uma coronhada de rifle nas costelas do rapaz, fazendo-o cuspir sangue e cair encolhido aos pés dela.
- Sinto muito Luiz. – falou Alana de olho nos outros dois – Mas as regras são claras e eu não posso mais deixá-los viver depois de descobrirem o que sou.
Ela então experimentou atirar novamente, fazendo os garotos se separarem. Paulo César escondeu-se atrás de um poste e Tiago lançou-se atrás do Celta. Alana então virou-se para bater mais uma vez em Luiz, dessa vez na cabeça para ele perder a consciência e então ela continuar a enfrentar os rapazes, mas essa precaução sela custou caro, pois quando ela se virou para posicionar o rifle, Paulo César atravessou-a com a lâmina na barriga dela, como uma faca quente na manteiga.
- Argh... – foi só o que Alana pôde dizer.
- Eu não queria que fosse assim... – falou Paulo César.
- Não... Você fez o certo... – falou Alana com dificuldade – Eu mesma faria isso... Foi a melhor escolha... – falou escorrendo sangue de sua boca.
- Você me perdoaria se eu pedisse perdão...? – falou tristemente Paulo César.
- Claro... – falou Alana – Nossa... Eu devo estar péssima...
- Não mais do que ficará... – falou Tiago – Eu lamento Alana. E gostaria que você me perdoasse também.
- Estão... Perdoados... – falou Alana – E diga a Luiz... Que eu peço desculpas pelos danos que causei a ele...
- Você pode viver se quiser Alana. – falou Tiago – Eu posso te curar.
- Acho... Que... Essa não seria... Uma boa... Idéia... – falou a garota que sangrava bastante pela ferida que a lâmina havia provocado. Alguns milímetros a mais do que a lâmina real da espada. – Eu teria... Que matar vocês... E... Continuar... A minha missão... É melhor assim...
- Seu recado será dado a Luiz... – falou Paulo César com lágrimas nos olhos.
- Obrigada... – falou Alana que também chorava – Foi um... Prazer conhecê-los... E... Ser morta por vocês...
Então Tiago, que também não segurou as lágrimas, encostou a mão nas costas da garota e pediu para PC afastar-se do carro. Feito, mesmo com o sofrimento evidente da garota ao se mexer, os três foram para o meio da rua.
- Alguma última palavra Alana? – perguntou Tiago.
- Só... Obrigada... E... Adeus... – falou com dificuldade a moça. Então Tiago usou a magia desintegração, onde as partículas da garota começaram a serem destruídas . – Ah... E... Outra coisa... Por... Favor... Não digam... Não digam a Miguel... Por favor... Me... Prometam...
- Tudo bem... Nós prometemos...– falou Tiago. Em últimos instantes, enquanto a forma dela ainda era compreensível, ela sorriu. A morte dela foi indolor, livrando-se até da dor que sentia quando estava trespassada pela lâmina.
Paulo César ficou durante um tempo na posição que estava quando estava quando Alana sumiu completamente, deixando apenas a sua lâmina suja com o sangue dela.
- Não era pra ter sido assim... – falou Paulo César.
- Não mesmo... Mas, infelizmente foi... – respondeu Tiago. – Agora vou cuidar de Luiz pra irmos embora.
Paulo César apenas tirou um lenço do bolso, limpou o sangue de Alana da espada e guardou o lenço no bolso. Ele iria conviver com o fato de que havia matado aquela moça e que sua única lembrança eram as pequenas fotos que haviam tirado naquele intervalo com o celular de Tiago, e o lenço com o sangue dela.
Não demorou muito para Luiz recuperar-se. Tiago pegou o rifle de Alana e entregou a ele.
- Eu nem vi quando ela se foi... – falou Luiz ao derramar suas lágrimas.
- Ela pediu desculpas pelo que fez a você... – falou Tiago passando o braço pelo ombro do amigo, dando uma leve pressão e depois o soltando. – Vamos embora. Pode ficar com o rifle se quiser...
- Ficarei... – falou Luiz ao levantar-se, procurar e achar a maletinha do rifle, desmontá-lo e guardá-lo e tirando os bens pessoais de Alana da pequena maleta. A habilitação dela estava lá, mas ele não quis ficar com essa lembrança. Já bastavam as fotos com os belíssimos sorrisos da moça. – Melhor ter lembranças dos momentos bons... Mas, também dos ruins...
- É... – falou Tiago.
Ele então incendiou o carro de Alana e eles saíram do local, para voltar para perto do local do show. A viagem foi em silêncio e Tiago dirigia. Chegando à esquina anterior ao estacionamento que o carro estava, eles observaram e não viram pessoas nesse estacionamento, então levaram o carro para o mesmo local e lá se livraram das digitais. Luiz Henrique usou seus fios para remendar os que ele arrebentara do carro, e ficou quase imperceptível. Então eles saíram do carro, deixando-o trancado novamente e não mais voltando para o show, indo direto pegar o ônibus que seria para casa.
Os garotos tiveram de esperar algumas horas para amanhecer, mas seguiram para suas residências e dormiram um sono triste pelo ocorrido.
*****
As primeiras pessoas que Emili procurou na universidade na segunda-feira de noite foi Tiago e Paulo César, encontrando-os conversando com seus colegas e Miguel.
- Glah! – chamou Emili. Tiago foi até onde ela estava.
- Oi, minha linda. – falou Tiago.
- Deu tudo certo? Eu não consegui ver nada... – falou Emili. – Estava preocupada com vocês.
- Sim... Deu tudo certo sim... – falou tristemente Tiago.
- Você não deveria estar feliz?! – admirou-se Emili.
- Por um lado, sim. Afinal, conseguimos proteger as Donnas. Eu, PC e Lampreia. – falou Tiago – Mas, por outro... Desculpa não falar o que me deixou triste, pois eu fiz uma promessa...
- Não, sem problemas. – falou docemente Emili. – Que bom então que vocês estão bem e elas também.
- É...
Tiago e Emili se juntaram aos demais justamente quando Miguel falava sobre sua amiga.
- Ela deixou um e-mail dizendo que estava voltando para São Paulo, pois ocorreram problemas na família dela... Uma pena né gente? – falou Miguel.
- É... – falou Paulo César.
Apenas ele, Tiago e Paulo César eram testemunhas do que realmente houvera com a garota, mas serviu de experiência para os amigos. Luiz não viu o que ocorreu, mas soube cada detalhe. Pelo menos eles tinham a consciência que aquele show seria lembrado pelo resto de suas vidas, e as Donnas só continuavam respirando por causa da proteção deles e isso foi gratificante.
Sacrifícios foram feitos por um bem maior, e isso reconfortava os corações tristes dos garotos, que permaneceram em silêncio sobre o segredo de Alana, e sorriam com as lindas fotos que tiraram com ela.
*****
- Então você aceitou ser aluna de Tiago? – perguntou Pérola à garota em sua frente.
- Prefiro chamá-lo de Gladuriel, mas sim. Aceitei. – falou a garota com sua bela voz.
- E por que você prefere chamá-lo de Gladuriel? – perguntou Pérola.
- Eu o conheci por esse nome... – falou a garota.
- Ah sim. – disse Pérola – Ele já escolheu seu apelido?
- Sim. – respondeu a menina.
- E qual é? – perguntou Pérola.
- Ágata. – respondeu a menina com um sorriso.
- Que bom! – falou Pérola retribuindo o sorriso.
- E essa? Quem é? - perguntou Ágata.
- Bem, isso depois lhe será revelado...
*****
Extra:
- Na explicação sobre as graduações dos magos, existe uma peculiaridade na Escola de Magia. Os alunos recebem uma tiara comemorativa quando se graduam. Na tiara existe uma pedra que diz a cor da especialização, sendo elas: Azul quando Arcano, Vermelho quando Invocador e Negro quando necromante. Essas tiaras são usadas apenas em eventos dos magos e na escola. Cada nova categoria de graduação, a tiara é incrementada, mas a pedra continua a mesma.
O dia começou muito quente e Luiz Henrique acordou com mal humor. A noite anterior havia sido horrível, pois todo o álcool que ele havia consumido tinha sido convertido em ressaca. Mal sabia ele o que um dos seus amigos estava planejando, e que o próprio Luiz Henrique seria uma das peças desse planejamento. Ele levantou-se lentamente de sua cama e espreguiçou-se. Caminhou lentamente até o banheiro, onde lavou o rosto e se olhou no espelho. As olheiras eram perceptíveis e sua cabeça latejava, como se dentro dela houvesse uma fanfarra. Ele cobriu os olhos com as mãos e depois fechou a porta do banheiro, para em seguida executar sua higiene pessoal.
Ao sair do banheiro, Luiz nota uma chamada perdida em seu celular. Quando verificou de quem se tratava, apenas levantou a sobrancelha e jogou o celular de volta em cima da cama, indo então se vestir.
*****
Paulo César estava entediado em casa e aturando sua irmã mais nova pegando no seu pé para emprestar o mp4 dele.
- Ah, empresta aí Paulo! – falou Ana Paula, a irmã de PC.
- Eu já disse que eu to usando! – falou Paulo César um pouco alto demais.
- O que ta havendo aí heim? – gritou a mãe de Paulo César da cozinha da casa.
- O Paulo que não quer me emprestar o mp4, mãe! – gritou Paula em resposta.
- E nem vou emprestar! Eu to usando! – gritou Paulo César para que sua mãe escutasse.
- Chato! – gritou a irmã de Paulo César e saiu do quarto dele.
Paulo César foi até o computador e o ligou pra ajudar a passar o tempo, mas prestando atenção se sua irmã não havia notado o mafagafo escondido.
*****
Tiago encontrava-se senado à mesa da sala do apartamento que morava, junto com Pérola revendo algumas lições. Sua jovem aluna já caminhava para superá-lo e isso o deixava muito feliz.
- Mestre, então com esses gestos e palavras eu poderei utilizar a armadura arcana? – perguntou Pérola.
- Exatamente. Essa magia é útil pra criar uma armadura de energia ao redor de algum amigo ou de você mesma. Não é grande coisa, mas ajuda um bocado. – respondeu Tiago.
- Ah... Entendi. – falou Pérola.
- Pérola, meu anjo... Nossas aulas estão quase no fim... Vejo que você está indo muito bem no aprendizado e em breve você terá mais poder que eu... – falou Tiago.
- Não... Nem tanto... Ainda preciso de você... – falou Pérola.
- Claro que não precisa Pérola. Você poderia muito bem tentar ir pra Escola de Magia... – falou tristemente Tiago.
- Por que você não tenta Tiago? – perguntou Pérola.
- Já tentei uma vez... E quando se é reprovado, não há mais como ser aceito, a não ser que a direção me convide pra uma re-avaliação. – explicou Tiago. – Você tem conhecimento de sobra e com certeza vai passar no teste de conhecimento e de afinidade mágica...
- E como você foi reprovado tendo esse conhecimento e afinidade que tem hoje em dia? – perguntou Pérola.
- Falou certo, minha cara. Que tenho “hoje em dia”. – falou Tiago enfatizando com o gesto das aspas. – Na época eu nem sabia o que era uma conjuração direito... E a afinidade era apenas aceitável. Hoje eu me enquadro na categoria de “sábio”, que é um pouco mais do que o “graduado”.
- É... Mas, acho que vou preferir ser autodidata igual a você... – falou Pérola.
- Você só está tentando ser doce, meu anjo. Seria melhor você ir pra escola... Seria uma grande perda pra o mundo dos magos você ser uma ótima maga e não ser reconhecida... – falou tristemente Tiago.
- É, mas pra que reconhecimento se ele só fica entre os magos? – falou Rubi que estava saindo do banho enrolada numa enorme toalha azul de Tiago. – Esse reconhecimento, a meu ver, é descartável pra nós. Melhor apenas o conhecimento.
- De fato... Isso vai de cada um. Eu preferia ter me aprimorado pela escola, assim saberia bem mais e estaria realmente habilitado para ensinar. – falou Tiago.
- Saber compartilhar os conhecimentos é requisito básico pra ser um professor. Formação é apenas complemento. – falou Pérola – Você sabe disso, está na faculdade de História.
- Sei sim... – falou Tiago.
- Mas, mudando de assunto. Ouvi falar que no Festival Dosol aí vai ter uma das bandas que você gosta Tiago. – falou Rubi entrando no quarto para trocar de roupa.
- Qual banda?! – perguntou Tiago.
- Uma que são apenas mulheres. A banda The Donnas. – falou Rubi.
- Nossa... Você sabe quando será? – perguntou Tiago.
- Eu sei que é no mês que vem. É bom se informar melhor. Eu tinha visto a propaganda, e como eu sei que você gosta da banda... – falou Rubi.
- Ah, muito obrigado, Rubi. – agradeceu Tiago docemente. – Vou combinar com os meninos pra irmos pra esse show. Vamos Pérola?
- Não gosto tanto assim de Rock... – respondeu Pérola. – Mas, agradeço o convite. Também tenho que estudar, o vestibular é no mês que vem também, né?
- É verdade... – concordou Tiago – E você Rubi?
- Tenho que visitar meus pais lá na nossa terra... – respondeu Rubi.
- Ah, beleza. – falou Tiago conformado – Ok, então eu falo com os meninos mais tarde.
Cessada a conversa, Tiago e Pérola retornaram para a revisão de magia e logo depois um pouco de história pra ajudar no estudo do ensino médio também. Rubi juntou-se a eles logo depois pra contribuir um pouco da maneira que pudesse.
*****
Diana havia chegado à universidade cedo, como de costume. Entrou na sala de aula para deixar seus materiais e logo em depois seguiu para a cantina, onde comprou sua pipoca Bokus para comer antes da aula. Ela se sentia um tanto preocupada, pois estava na semana de provas e os professores estavam pegando pesado na matéria. Ela estava voltando da cantina, quando encontrou sua amiga Helaine e seu amigo Tyego chegando juntos.
- Tyeguinhiuuuuuu!! – gritou Diana ao ver Tyego e depois abraçá-lo. – Laininhaaaaaaaaa! – logo em seguida correndo e abraçando Helaine.
- Olá Diana! – falou sorridente Helaine.
- Hail... – falou Tyego sério, como de costume.
- Vocês estudaram pra prova de André?! – perguntou Diana um tanto eufórica.
- Eu li alguns textos... – falou Tyego – Ouvi dizer que ele vai pegar pesado... O pessoal da turma da manhã reclamou da prova.
- Eu também ouvi boatos sobre isso. – concordou Helaine.
- E agora?! Eu não estudei nadinha! To ferrada... – falou tristemente Diana e comendo sua pipoca.
A conversa seguiu em um ritmo desanimado, devido a futuros problemas e sofrimentos por antecipação dos amigos. Mas, depois o assunto mudou para coisas mais felizes, exatamente no momento em que Paulo César vem chegando junto com seu amigo Luiz Henrique. Os amigos se cumprimentam ao se verem e mais uma vez é tocado no assunto da prova. Paulo César já vinha desanimado de casa em decorrência de problemas familiares e Luiz vinha desanimado por achar que não havia estudado suficiente para a prova.
- Senhores. Vamos mudar de assunto que eu já estou ficando impaciente. – falou Tyego – Que tal jogarmos uma partida de UNO?
- A idéia é muito boa, Tapuia. – concordou Helaine – Ajudaria bastante a diminuir o estresse desse povo.
- Eu não sei jogar UNO. – falaram Diana e Luiz em uníssono.
- Aprende! – falou Paulo César.
Alguns minutos depois, antes dos amigos partirem pra alguma das salas vazias do bloco pra o seu duelo de UNO, chegou o seu amigo Henrique, que vinha da cede do CA, e Emili vinha pelo corredor do bloco A mesmo. Todos se encontraram em frente à sala A1. Diana se despediu do pessoal e seguiu para a sala de aula, onde suas amigas a aguardavam, e Luiz Lampreia disse que retornaria em breve e foi na cantina comer algo.
Henrique, ao ver sua filha postiça por causa da Aliança sorriu brevemente e maldosamente.
- Vem cá, filhinha. Dá um abraço no papai... – falou Henrique chamando Emili.
- Não... Você quer bater em mim... – falou Emili se escondendo atrás de Paulo César.
- Vem cá filhinha... – falou Henrique com doçura.
- Você num bate em mim não? – perguntou Emili também com doçura.
- Vem logo aqui, menina! – falou Henrique e puxou Emili pra dar um abraço – Fica com essas viadagens de “ai que ele vai bater em mim”. É pra obedecer ao pai!
- Aii, como ele é doce!! – falou Emili com ironia – Ta vendo como são as coisas?
- Num tem nada demais! Só quero abraçar a minha filhinha! – falou Henrique com um sorriso maligno.
Tiago vinha chegando na hora que a cena desenrolou-se. Emili esquivou-se dos fortes braços de Henrique e se escondeu atrás de Tiago.
- Me proteja Glah! – falou Emili em súplica. Tiago apenas lançou um olhar distante para Emili e depois para Henrique.
- E o que eu posso fazer? – perguntou finalmente Tiago.
- Não deixa que ele bata em mim! – falou Emili impaciente.
- Eu só quero te dar um abraço... – falou Henrique se aproximando e apenas abrindo os braços pra Emili.
Então quando ela cedeu e foi dar um abraço em Henrique, ele se segurou para não usar sua habilidade, mas deu uma tapa bem aplicada na nuca de Emili.
- Alfrêêêêêdo!! – gritou Henrique ao acertar sua filha postiça. Todos riram, com exceção de Emili que se perdeu ao meio de protestos.
- Nem me defendeu Glah! – gritou Emili pra Tiago. Ele apenas levantou os braços se isentando de qualquer culpa.
- Vocês que são pai e filha que se resolvam. Eu não tenho nada a ver com isso... – falou Tiago. Todos riram com a cara que Emili fez, mas dando um sorriso furtivo por baixo da falsa mágoa.
Alguns minutos depois começaram-se as aulas e os amigos foram para suas respectivas salas de aula. Na hora do intervalo, todos encontraram-se novamente no corredor, onde mais uma vês iniciaram uma conversa.
- E aí Tiago? Como estão as garotas? – perguntou Paulo César.
- Que garotas?! – perguntou Tiago distraído.
- Pérola e Rubi. – respondeu Paulo César.
- Ah sim! Estão bem. A Pérola teve um progresso muito bom e a Rubi praticamente não precisa mais de mim. Está me ajudando com Pérola. – falou Tiago orgulhoso. – Por falar nelas, a Rubi me falou que vai ter um show muito foda aqui em Natal.
- Que show seria? – perguntou Luiz Henrique.
- The Donnas. É uma banda só de mulheres de Punk Rock. – falou Tiago entusiasmado. – As donas são gatas, meu irmão!
- Opa! Já gostei! – falou Luiz Henrique.
- Eu também! – falou Paulo César.
- É a primeira vez que elas vêm ao Brasil? – perguntou Tyego.
- Não acredito que seja... – respondeu Tiago – Mas, com certeza a primeira vez que vem a Natal.
- Deve ser... – concorda Tyego.
- E aí galera? Vamos pra esse show? – perguntou Tiago.
- Rapaz... Só num to mais liso por falta de polimento... – falou tristemente Paulo César.
- E eu não poderei gastar com um show... Tenho outras prioridades... – falou Tyego.
- Luiz? – perguntou tristemente Tiago achando que ninguém o acompanharia no show.
- Rapaz... – Luiz Henrique ponderou bastante – Eu vou! – decidiu por fim.
- Muito bem! – sorriu Tiago – Vai ser massa!
- Com certeza! – falou Luiz Henrique.
- Bom show pra vocês! – falou Tyego.
- Cara... Vamos conosco Tapuia! – falou Tiago – O que acha de racharmos a de Tapuia, Lampreia?
- Acho uma boa! – respondeu Luiz Henrique com um sorriso.
- Pronto! – falou Tiago – E aí Tapuia? Vamos?
- Muito tentador... – falou Tyego colocando a mão no queixo pra parecer pensativo.
- Vamos Tapuia! O que é que custa? A gente já vai pagar! – falou Luiz Henrique.
- É verdade! Se fosse pra mim, eu ia! – falou Paulo César.
- Então pronto! Não gosto muito de ir a shows, mas fica pra próxima! O que acham de dar essa oportunidade a PC? – falou Tyego.
- Rapaz... – falou Tiago – Por mim, ta beleza! O que acha Lampreia?
- Ta ótimo! – respondeu Luiz Henrique.
- Então o senhor que vai conosco PC! – falou finalmente Tiago.
- ÊÊÊÊÊÊ!! Ganhei a entrada do show! – comemorou Paulo César.
Então no momento depois desse diálogo, perdidos no meio de outras conversas e dividindo entre si as expectativas para o show, os garotos que não estavam prestando muita atenção no movimento do corredor, graças à conversa envolvente, perderam o fio da meada ao avistarem uma estranha caminhando nos corredores.
A garota aparentava uns 20 anos de idade, tinha olhos azuis, pele pálida, mas levemente rosada (era notável que não era uma vampira), cabelos negros e escorridos até a cintura, em volta de 1,65m de altura, e trajava um vestido colado até o meio das coxas. O corpo parecia modelado por um dos melhores artesãos do mundo.
Não teve outra, os garotos que viam, babavam. Muitos dos que se encontravam com as namoradas sentados aos bancos do corredor estavam levando beliscões ou mesmo tapas pra desviarem os olhares, mas muitas vezes era inútil. Ela caminhou formosamente num rebolado de tirar o fôlego até o grupo que se reunia próximo aos garotos que conversavam sobre o show, que estavam sem fala. A moça notou os olhares cobiçosos em direção a ela e sorriu, e escondeu a boca com sua mão.
- Que gata! – foi a única coisa que Paulo César pôde dizer.
O silêncio se estendeu até que a moça caminhou até os garotos com um sorriso angelical.
- Boa noite, meninos! – falou a jovem, mas os garotos pensaram em uma gatinha miando. Ela tinha um sotaque de quem pertence ao sul/sudeste do país.
- O-oi... – gaguejou Paulo César.
- Olá! – falou Tiago e Luiz Henrique em uníssono.
- Estou procurando por um garoto chamado Miguel, vocês conhecem? – falou a menina com a voz melodiosa.
- Miguel... Miguel... Que Miguel? – perguntou Paulo César.
- Miguel de História, da turma de 2005. – falou a garota.
- Sim! – falou Luiz Henrique – Nós o conhecemos!
- Ótimo! – sorriu a garota – Vocês o viram por aí?
- Eu não vi não... – falou Tiago – Algum de vocês viu?
- Eu não vi. – respondeu Luiz Henrique.
- Nem eu... – falou Paulo César.
- Ah, que pena... – falou tristemente a garota – Tudo bem então! Obrigada!
- Disponha! – responderam os amigos em uníssono.
- Ah sim! Meu nome é Alana! Se o virem por aí, por favor, digam que eu estou à procura dele, ok? – falou a garota com um sorriso.
- Com certeza! – falou Luiz Henrique – Ah, só pra constar. Eu sou o Luiz Henrique, ele é o Tiago e esse aqui o PC.
A garota ocupou-se apenas em sorrir e acenar um “tchauzinho” para os garotos enquanto se distanciava.
Comentários rolaram soltos entre os garotos até o fim do intervalo. Eles voltaram para suas salas para continuarem suas aulas.
*****
Eram 22h45min mais ou menos o horário que ela chegaria em casa, após todos os treinamentos e aulas do dia, além do trabalho ao qual dedicava-se para manter o disfarce. Ao chegar em casa, ela verificou a secretária eletrônica, onde não havia recados. Ela então soltou expirou de tédio. Havia um bom tempo que ela não recebia novas missões, e as economias estavam baixas. “Esse maldito trabalho não cobre minhas necessidades...”, pensou ela com uma careta. Estava ansiosa para voltar a ativa, isso não haviam dúvidas.
Então, o que ela ansiava aconteceu. O telefone tocou. O regulamento era claro que ela não deveria falar com o mandante, apenas receber a missão pela secretária eletrônica. Uma falha gravíssima, na opinião dela, pois outras pessoas poderiam saber das missões, caso olhassem os recados. Então o telefone tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes, e na sexta vez, a secretária atendeu.
- Você sabe muito bem pra quem ligou! Não posso falar com você agora, então deixe o seu recado após o sinal, que talvez eu retorne... – falou a voz dela com certa arrogância. Ela não dava o número a ninguém, pois era exclusivo para as missões, então não podia ser um engano, ou algum amigo, pois era uma linha secreta. Nem a própria operadora telefônica local conhecia esse número. Logo em seguida ao falatório arrogante da secretária eletrônica, veio o sinal.
- Olá Leoa, pronta pra caçar? Você sabe muito bem quem está falando... Eu já te falei que adoro sua arrogância na secretária eletrônica? – fez uma breve pausa a voz masculina e fria ao telefone – Temos algo para você por ser uma das melhores... Vem uma atração internacional aí e nossos contratantes têm muita “influência”, se é que você me entende... Te informarei o alvo amanhã nesse mesmo horário, e dessa vez eu quero que você atenda o telefone! – desligou em seguida.
Não podia ser... Logo o chefe querendo quebrar as regras? Mas, as ordens foram claras. Ela seguiu para o banheiro, muito cansada e tomou um banho demorado. Logo depois, afundou em sua cama e adormeceu logo.
*****
Paulo César procurou por Pedin no horário da saída e o encontrou animado numa conversa com Khalil, Emili e Almir.
- Eu te falei que era muito simples... – disse Khalil procurando ser intelectual.
- Mesmo assim! Ainda acho que isso é conversa fiada! – reclamou Pedin.
- Irmão! Veja pelo lado bom! Pelo menos Khalil disse que é porque ele já provou! – falou Almir.
- Vai se rear Almir! – reclamou Khalil, ocasionando o riso dos dois.
Paulo César escondia bem o Mafagafo e queria logo entregá-lo a Pedin, então chamou Pedin e Emili para que o acompanhassem. Khalil e Almir se despediram dos outros e seguiram seus caminhos para a parada de ônibus. Pedin e Emili seguiram Paulo César até onde estavam outros aliados que haviam participado da missão que salvara a vida do seu amigo Tiago.
- Senhores... – começou a falar Paulo César – Eu finalmente vou entregar esse treco para Pedin, pois esse “galado” já comeu um par de chinelos meus e dois pares de sapatos da minha irmã!
- O que você vai me entregar?! – perguntou Pedin.
Paulo César então tirou o mafagafo da mochila, que, diga-se de passagem, tava comendo o caderno dele.
- Puta que pariu! – xingou Paulo César – Isso não! – tentou, em vão, arrancar o caderno da boca do bicho.
- O que é isso?! – admirou-se Emili. E Pedin se mostrou fascinado.
- É um mafagafo! – respondeu Pedin pegando o bichinho reclamão das mãos de Paulo César – Não sabia que eles existiam de verdade!
- Existem! E deu trabalho esse aí! – falou Paulo César com uma carranca – Quero outro caderno e um par de chinelos!
- Putz! E a culpa é minha?! – perguntou Pedin.
- Agora é! – falou Paulo César. Todos os presentes riram.
- Se fodeu Pedin! – falou Henrique rindo – Vai ter um baita de um prejuízo com essa bexiga.
E então Animal grunhiu e Pedin olhou admirado pra ele.
- Não sabia que eles falavam! – falou apressadamente Pedin. Todos se olharam incrédulos.
- Ele não falou, Pedin. – respondeu Tyego – Apenas emitiu grunhidos de protesto.
- Falou sim! Vocês não entenderam?! – disse Pedin incrédulo – Ele disse que Henrique estava errado!
Todos se olharam novamente.
- Interessante... – falou Tyego – Vejo como se eles tivessem uma ligação... Ligação essa que...
- Se formou no momento em que eles se viram. – interrompeu Rodrigo – Acho que ouvi a Pérola falando sobre isso um dia desses na casa de Tiago. Aquela menina aprende muito rápido...
- Sem dúvidas! – orgulhou-se Tiago – Aquela menina tem muito potencial. Quero ver ela aqui na faculdade, visse?
- É... – respondeu Henrique – Vai ser uma daquelas marxistas chatas que procuram o socialismo ideal.
- Ou talvez, se tivermos sucesso, se torne uma monarquista! – falou Rodrigo animado.
- Prefiro que ela seja marxista verde! – disse Tyego em deboche. Todos riram.
- Vamos Tapuia... Admita... Você é mais monarquista que eu! – falou Rodrigo.
- Jamais! – apressou-se em falar Tyego – Sou republicano com orgulho!
- Sei! – falou Rodrigo com sarcasmo.
Os amigos seguiram para a parada de ônibus animados imersos em diversos assuntos, e Pedin gostou muito do presente que havia ganhado. Falou que ele seria muito útil e que estava muitíssimo grato à PC por ter te dado aquela pequena criatura. Paulo César só fazia rir.
Os dias passaram lentamente, até que chegou a véspera do show. Os garotos estavam eufóricos. Finalmente iriam para o show de suas vidas, onde veriam mulheres lindas ao extremo e ainda iriam curtir uma boa música.
Luiz Henrique era um dos mais empolgados, assim como Tiago, que contavam os dias para o acontecimento. Paulo César estava em campo neutro, pois não costumava tanto ir a shows. Mas, também se encontrava animado na véspera, não tanto como os outros amigos dele, mas ainda animado. Inclusive no meio da aula as expectativas de Luiz Henrique e Tiago eram imensas, que até atrapalhavam a aula.
- Melhor sairmos Lampreia... – sugeriu Tiago aos sussurros.
- É mesmo. Vamos sair! – sussurrou Luiz Henrique levantando-se e saindo. Tiago imitou sua ação e foi imitado por Paulo César.
- Até tu PC?! – admirou-se Luiz Henrique. Paulo César olhou para ele por alguns segundos.
- A aula tava um porre! – admitiu Paulo César – Melhor estar aqui fora mesmo. É mais frio que a sala de aula.
- De fato, sem sombra de dúvidas, man! – falou Tiago e Luiz Henrique assentiu.
- Mas, me diz aí Tiago. Nem perguntei antes. – falou Paulo César – Alguma das meninas vai?
- Nenhuma. Pérola tem que estudar pro vestibular e Rubi vai a nossa terra. – falou Tiago.
- Ouvi dizer que você ta querendo uma nova aluna, é verdade? – perguntou Paulo César.
- Rapaz... Não sei dizer... Rubi terminou o “treinamento” dela. Vou ver se uma amiga minha específica ali gostaria da vaga...
- E Tiago ta dando aulas particulares é? – perguntou Luiz Henrique.
- De certa forma, sim. Faço um reforço de História para duas pessoas, sempre que posso. – falou Tiago sendo convincente para Luiz Henrique.
- É... E só meninas, heim cabra esperto? – falou Luiz Henrique.
- É melhor né?! – falou Tiago rindo.
- Com certeza! – concordou Luiz Henrique. – Mas, pelo que PC falou aí você batiza as meninas com nome de pedras... Por quê? Num seria melhor chamá-las pelo nome mesmo não?
- Rapaz... É uma longa história... – respondeu Tiago.
- Eu estou disposto a ouvir... – falou Luiz Henrique. Tiago e Paulo César se olharam em alerta.
- Fica pra outra ocasião... – falou Tiago.
- Ah ta... – falou derrotado Luiz Henrique.
- Mas, uma coisa não me sai da cabeça... – falou Paulo César – Qual o nome original de Pérola? Lembro que uma vez você me emprestou o celular pra ligar pra casa, mas eu não vi nos contatos suas alunas pelos nomes de pedras...
- Curioso você, heim meu irmão?! – falou Tiago meio irritado.
- Não me leve a mal... – se desculpou Paulo César – E aí? Qual o nome dela de verdade?
- Acho que eu não tenho direito de dar essa resposta... – falou Tiago meio sombrio.
- E por que não? – perguntou Luiz Henrique – Ela nunca vai saber que você falou o nome original dela.
- Não é certo. Isso tem que ter o consentimento dela, depois que herdou o apelido. – falou Tiago – É um antigo costume entre... Nós.
Paulo César compreendeu de imediato, mas Luiz Henrique ficou voando mais alto que águia.
- Heim?! – falou Luiz Henrique – Nós quem?! Você e elas?!
- É... Por assim dizer, sim. Entre eu e elas. – respondeu Tiago. – Você é bom em segredos, Lampreia?
- Com certeza! – falou entusiasmado Luiz Henrique – Seu segredo estará a salvo comigo!
- Posso realmente confiar, meu amigo? – falou Tiago em tom de súplica.
- Vai em frente! Não vai se decepcionar! – falou Luiz Henrique com sinceridade.
- Tudo bem então. – falou Tiago aliviado – Estou confiando a você algo muito secreto, que apenas algumas pessoas sabem. Em especial o pessoal da Aliança.
- Nossa! Eu vou saber um dos segredos da Aliança?! – admirou-se Luiz Henrique.
- Não. Um segredo meu, mas que é compartilhado em Aliança. Indiretamente você agora é um aliado. – falou Tiago firmemente.
- Estou honrado! – falou Luiz Henrique.
- Enfim... – começou Tiago – Eu há alguns anos venho estudando as artes mágicas. Magia, para os mais íntimos do termo.
“Primeiramente eu participei da seleção da Escola de Magia, da qual Helaine faz parte, e não passei...”
- Espera aí. – falou Luiz Henrique – Está me dizendo que você é um mago e Helaine também é uma maga?
- Sim. Somos “usuários de magia”, por assim dizer. Não podemos nos intitular “magos” ainda por não ter se graduado na magia... – explicou Tiago – Ela é estudante e eu um “mago autodidata”. Eu poderia até ser egoísta e me intitular de “mago”, mas não sou tão adepto do termo. O pessoal que me chama assim, mas sempre me identifico como “usuário de magia”.
“Continuando. Existem diversas especializações na magia. Uma delas é a arcana, outra é a invocação (que não deixa de ser uma magia arcana) e a necromancia.
“Dentro dessas três especializações temos os magos. Cada um chamado com o título da especialização. O Arcano é o mago tradicional. Aquele das lendas que você deve conhecer; o Invocador é um especialista em monstros variados. Desde um pequeno sapo, ao mais feroz dragão; o Necromante é uma espécie de invocador, mas suas artes são proibidas. Utiliza-se de magias negras para reviver os mortos como seus escravos e chamar aberrações, além de magias de destruição muito poderosas. As escolas de magia geralmente só ensinam as duas primeiras especializações.
“Enfim, eu me enquadro na especialização de Arcano...
- Espera aí. – foi a vez de Paulo César – Como eu nunca havia escutado essa história vamos por partes. Como você pode dizer que é Arcano se você falou que foi reprovado na seleção?
- Vamos lá. Não passei, mas estudei por conta própria. O mundo dos magos não me reconhece como um deles, por eu ser autodidata, mas em comparação de conhecimento eu me enquadro atualmente numa categoria já como acima do graduado. – respondeu Tiago.
- E quais são as categorias? – perguntou Luiz Henrique.
- Graduado, Sábio, Sênior e Arquimago. – respondeu pacientemente Tiago.
- E em conhecimento, onde você se enquadra? – perguntou Paulo César.
- Atualmente em Sábio. Mas, se eu me dedicasse um pouco mais aos “meus” estudos, já poderia estar caminhando para Sênior. – falou Tiago.
- Ah, então você ta ajudando as meninas, mas parou o seu estudo. – falou Luiz Henrique.
- De certa forma, sim. Eu continuo estudando, mas muito lentamente. – falou Tiago – Meus poderes estabilizaram, quando poderiam estar mais fortes. Mas, me sinto feliz ao ter essas meninas comigo. Pérola é meu orgulho!
- Disso eu sei... – falou Paulo César.
- Sim, mas continue a história. – falou Luiz – tava interessante.
- Vamos lá... Eu me enquadro na especialização Arcano, pois utilizo das magias tradicionais que você deve conhecer das lendas, como falei, e mais algumas que não é de conhecimento geral. – falou Tiago – E como tenho esse conhecimento e já me enquadraria na categoria Sábio, decido dar aulas de magia para as pessoas que tivessem maior ressonância com o “focus” ou “mana”. Em alguns lugares também conhecido como “ki” ou “chi”.
- Espera aí! – interrompeu Paulo César – Quer dizer que o “ki” é magia?!
- De certa forma, sim. Depende da doutrina a qual você segue. Nas artes marciais é uma espécie de força espiritual, mas os usuários de magia sabem que se trata da partícula básica para ser conjurada a magia. – explicou Tiago.
- Minha nossa! – falou Luiz – É muita informação, Brow!
- Aproveitem, pois é a única aula de conceito básico de magia que terão de graça! – riu Tiago.
- Engraçadinho... – falou Paulo César.
- Enfim, eu explico o que é a magia, exponho os conceitos, explico a parte Arcana, que é a minha e então começo as aulas. – explica Tiago – Geralmente eu vou ensinando o que sei da “língua antiga”, para depois ensinar as magias em si.
“Eu penei pra caramba pra chegar onde estou meu amigo. Num é brinquedo não. Mas, pelo menos as meninas tão se dando bem. E na hora que elas quiserem, elas podem fazer a seleção da escola, que sem dúvidas iriam passar. Eu até que gostaria que elas fizessem isso... Pelo menos elas teriam o reconhecimento no mundo dos magos que eu não tenho...” – falou tristemente Tiago.
- Tu falando assim ta parecendo um daqueles atores de filme de drama... – riu Paulo César. E os outros dois riram também.
- Conte a história dos apelidos! – sugeriu Luiz Henrique.
- Sim, isso. – concordou Tiago – Os apelidos são escolhidos pelos mestres em magia para seus alunos. São vários temas, mas o que eu achei mais interessante foi nomear como pedras preciosas. Existe toda uma filosofia, uma superstição em cima disso, pois, segundo o que dizem livros e alguns magos formados que conheço, aumenta o vínculo entre aluno e mestre, e aumenta a ressonância com o focus.
“Com a ressonância com o focus aumentada, fica mais fácil de aprender as magias, e você se cansa bem menos ao executá-las. Então no caso, depois que o apelido é selecionado, não se pode mais tratar a pessoa pelo nome original, a não ser que ela peça, mas isso diminui o rendimento nos ensinamentos. Por isso, pra eu dizer o nome original de Pérola ou Rubi, elas têm que dar o consentimento, ou então vocês terão que perguntar a elas mesmas.”
- Interessante... – falou depois Luiz Henrique – Em relação à ressonância... Você pode testar nossa ressonância para o focus?
- Posso. – falou rapidamente Tiago – Ta interessado nas aulas de magia, rapaz?
- Exatamente. – respondeu Luiz – Pelo menos eu seria útil para alguma coisa.
- Em mim não precisa. Eu sei que minha ressonância é aceitável, mas prefiro a arte da espada. – falou Paulo César.
- Beleza. – disse por fim Tiago. Ele então fechou os olhos e se concentrou por alguns segundos e depois apontou ambas as mãos para Luiz Henrique. – Feche os olhos Lampreia, e pense num campo tranqüilo.
Luiz Henrique fechou os olhos e obedeceu ao pedido de Tiago, mantendo a visão na mente apenas do campo tranqüilo, mas ainda um pouco ansioso.
- Esqueça o nervosismo, que é melhor... – falou Tiago.
- Tudo bem... – falou Luiz Henrique relaxando mais e ficando muito tranqüilo. Tinha em suas feições a serenidade.
Paulo César que observava, apenas manteve o silencio afim de não interferir no teste, mas pouco tempo depois Tiago estava abrindo os olhos e pedindo que Luiz Henrique fizesse o mesmo.
- Baixa. Muito baixa. – falou Tiago – Porém é possível ser usuário de magia se você melhorar isso.
- E como eu faço isso? – perguntou ansioso Luiz Henrique.
- Nem se preocupe, pois é um processo demorado. – respondeu Tiago.
Luiz Henrique fez uma careta.
- Mas, nada que você não possa fazer. – Tiago apressou-se em falar – É apenas treinar mais sua mente e corpo para a sintonia com o focus. Você vai ter que se livrar de tristezas que você tenha, mágoas e decepções. É interessante que você medite sobre a vida um tempo, assim o focus vem até você.
“Quando a pessoa está muito triste, ou magoada, até mesmo usuários de magia experientes podem perder temporariamente seus poderes. Depende de como ele é capaz de controlar seus sentimentos.”
- Ah, entendi. – respondeu Luiz Henrique.
Então tocou o sinal para o intervalo.
*****
Ela então se preparava para sua missão, que seria na data posterior. O chefe havia sido muito claro de quem eram seus alvos e o dinheiro que estava envolvido. “Com esse dinheiro vou poder me manter por mais de 1 ano até!”, pensava ela com um sorriso e abarrotada de expectativas. Seria uma missão muito fácil, visto que o local estaria lotado de pessoas, pelo menos assim esperava ela de um evento que trouxesse atração internacional.
Ela seguiu para o outro quarto do seu apartamento, onde havia uma porta que era trancada com senha, reconhecimento de voz, reconhecimento de íris, reconhecimento de digitais, reconhecimento de DNA, reconhecimento do formato dos dentes, medidor de temperatura corporal, medidor de atividades cerebrais e pulso. Ela mesma sabia que era um exagero ter gastado tanto com segurança sofisticada, mas era mais garantido o acesso à apenas ela.
O quarto era razoavelmente grande e com suportes pra armas nas quatro paredes, que eram reforçadas com material pesado e sofisticado (caso ela morresse, ninguém jamais descobriria o que existe nesse quarto). Não havia janela alguma e nem banheiro, apenas armas e munições por todos os lados e impecavelmente organizados por tipo, calibre etc. Eram armas sofisticadas e letais. Eram tantas opções, pra escolher apenas uma. Então ela observou com cuidado e decidiu por um rifle novo que ela nunca havia usado e queria ver do que a “criancinha” era capaz.
Arma selecionada, ela desmontou-a e pôs na maleta para o rifle. Era uma maleta muito discreta para uma arma tão grande, mas pelo menos não chamaria atenção e ela não seria detectada, pois seu rifle era feito de fibra de carbono reforçado, e não de metal.
Ela sorriu pra sua arma e tirou a maleta do quarto quando saiu, fechando o quarto e este sendo trancado automaticamente.
- Adoro quando é véspera... Sempre fico muito ansiosa... – falou a si mesma com um sorriso maléfico – As Donnas... Quem diria? Muita gente vai sentir falta delas...
Então ela deixou tudo preparado e saiu do apartamento para encerrar sua noite.
*****
Os amigos se juntaram com outros na hora do intervalo. A noite estava passando lentamente para os ansiosos rapazes. Luiz Henrique começou a ficar pensativo, buscando maior ressonância com o focus, enquanto os outros conversavam (como sempre).
- Man, as aulas hoje tão um saco! – falou Henrique (Erebus) chateado.
- Pra variar... – concordou Rodrigo-Sensei.
- Amanhã é o show do The Donnas! – falou Tiago animado.
- É veldade... – disse Henrique – Tire umas fotos pra eu ver.
- Com certeza! – respondeu Tiago.
- Ei, vocês viram Emili? – perguntou Pedin que vinha da cantina. Tiago olhou rapidamente para Rodrigo, que pareceu adivinhar seus pensamentos.
- Num vai me dizer que raptaram Emili de novo, vai? – falou Rodrigo com um sorriso.
- Não! – falou apressadamente Pedin – É que ela pediu pra comprar um chocolate pra ela.
Animal soltou alguns grunhidos de dentro da mochila que Pedin carregava o seu bicho de estimação.
- Eu sei Animal. Mas, eu não posso te dar esse chocolate que é dela. – respondeu Pedin para o mafagafo.
- Que porra é?! – admirou-se Henrique – O bicho fala com o Pedin?!
- interessante né? – falou Tyego – O calouro Pedin descobriu que entende o que o mafagafo fala.
- Deve ser por causa do sangue. – falou Saulo em deboche – Os mafagafos se entendem.
Todos riram inclusive Animal que estava dentro da mochila, emitiu sons de engasgo como se fosse um riso.
- Oi! – chegou Emili no meio do riso dos amigos – Eu quero rir também. O que foi?
- Hemera, o Pedin tava te procurando – falou Henrique.
- Ah sim! – falou Emili indo até Pedin e pegando o chocolate que ele havia comprado. Então ele e ela saíram do grupo que estavam e seguiram pra outro mais adiante, onde estavam concentrados os calouros.
Logo depois Alana, a magnífica amiga de Miguel, reaparece nos corredores. E já sorri para os garotos que reconhece.
- Boa noite, meninos! – falou animada Alana.
- Boa... Muito boa... – respondeu Paulo César.
- E Miguel? Viram? – perguntou ansiosa Alana.
- Não novamente... – respondeu Tiago.
E então Miguel vinha justamente de onde Alana tinha vindo, mas por estar sempre cheio o corredor, ela não havia visto. Miguel era acompanhado por Larissa, sua namorada.
- Miguel! – gritou Alana. Miguel olhou incrédulo para quem gritava.
- Alana? – falou Miguel com surpresa – Você aqui nos corredores da UFRN?
- É... Estou morando em Natal há uns quatro dias. – respondeu Alana.
- Mas, você já terminou seu curso não é? – perguntou Miguel.
- Sim. Fiz a seleção de Mestrado aqui na UFRN agora. – respondeu Alana. – Me dá um abraço, garoto! Faz tempo que não vejo você!
Então ela abraçou Miguel, e foi fuzilada pelo olhar de Larissa, mas os meninos apenas suspiraram de inveja.
- Ah sim! Que educação a minha! – falou rapidamente Miguel livrando-se do abraço da amiga. – Essa aqui é Larissa, minha namorada. Larissa essa aqui é Alana, uma velha amiga lá de São Paulo.
- Prazer... – falou friamente Larissa.
- O prazer é todo meu! – falou Alana com sinceridade – Ta cuidando bem dele não é?
- Com certeza... Melhor do que qualquer outra cuidaria. – respondeu Larissa.
- Er... Bem, pessoal. – falou Miguel meio sem jeito e se virando para os demais que observavam e, alguns sorrindo por causa da reação de Larissa – Essa é minha amiga Alana. Estudou comigo em São Paulo.
- Olá! – responderam os garotos.
- Nós tivemos o prazer de conhecê-la. – falou Tiago.
- Bom, não custa nada reapresentar, né? – falou Miguel.
- Não custa MESMO! – falou Tiago.
Então Miguel reapresentou os meninos e as meninas que estavam presentes, e os garotos se aproveitando da formalidade, sentiam-se honrados em dar os beijinhos nas faces de Alana, por mais que fosse costume na terra dela dar apenas um beijo, ela aceitou de bom grado o costume dos nordestinos (ou os que viviam ali).
Miguel, Alana, Larissa (mesmo contra a vontade ela se deu super bem com Alana), Helaine, Tiago, Paulo César, Patrícia, Henrique, Luiz Henrique e Tyego pareciam animados. Tiraram fotos e falaram sobre diversas coisas, inclusive sobre o show que haveria no dia posterior.
- Pois é! O Donnas em Natal! – falou animado Luiz Henrique.
- Nossa! Eu soube que elas iam pra São Paulo, mas não sabia que iam passar por aqui. – falou Alana.
- Gosta da banda? – perguntou Tiago.
- Acho boa. – respondeu Alana – Principalmente as músicas mais recentes.
- Eu não gosto. – falou Larissa – Prefiro o rock gótico. É mais legal.
- É... Isso sem dúvidas... – concordou Tiago – A minha filha tem um gosto muito bom. Só num gosta muito do Punk Rock.
- Então... – falou Alana – Eu gosto mais de MPB, mas curto umas bandas de rock muito legais.
- Ainda bem que vocês gostam... – falou Miguel.
O sinal tocou mais uma vez e então os protestos foram muitos. Não queriam cessar a conversa.
- Bem, então bom fim de aulas para vocês, pessoal! – falou Miguel – Tenho que ir pra casa, porque ainda vou terminar a monografia.
- É verdade... – concordou Larissa – E eu tenho que pegar meu ônibus. Acabaram as aulas pra mim hoje.
- Ok então. Até mais! – despediu-se Paulo César de Larissa e Miguel – E espero vê-la de novo, Alana.
- Verá. Estarei por aqui por um bom tempo. – falou Alana com um sorriso.
- Até!
E os rapazes entraram em suas salas e Alana seguiu com Miguel e Larissa.
Ao fim da aula, os rapazes se despediram e combinaram local e horário para se encontrarem para então seguirem para o festival.
Então Emili veio correndo em direção a eles com uma cara muito assustada.
- Glah! – chamou Emili quando Tiago e Paulo César estavam caminhando para a parada do circular. Luiz Henrique tinha se adiantado, pois seu ônibus tava chegando e ele precisou correr. – Eu preciso falar com vocês.
- Pode falar. – falou Tiago – Mas, aquele não é seu ônibus? O mesmo que Lampreia pega?
- É, mas o que eu tenho pra falar é muito urgente! – disse Emili.
- E o que seria? – perguntou Paulo César.
- Eu acabei de ter uma visão... – falou Emili fechando os olhos.
- Visão?! – assustaram-se ao mesmo tempo Tiago e PC.
- Sim... Eu não contei a vocês, mas eu posso ter algumas visões do futuro... – disse Emili.
- Prossiga... – falou Tiago admirado.
- E eu vi que nesse show que vocês vão... Alguém vai tentar matar as Donnas! Essa pessoa foi contratada justamente para esse propósito! – falou Emili.
- O QUÊ?! – gritou Paulo César.
- Pois é... Como eu sei que Glah usa magia e você é espadachim PC, eu acho que vocês podem salvá-las. – falou Emili.
- Só nós dois? Contra um assassino profissional? – falou Tiago – Não teremos chance alguma. E também provavelmente ele estará escondido.
- Ele vai ficar em um local bem cheio de pessoas. Onde não dê pra notar que ele portará a arma. – explicou Emili.
- Temos que avisar aos outros... – falou Tiago – Ou avisar a produção do show pra cancelar.
- Não acho que eles farão isso agora tão em cima da hora... – disse Paulo César.
- Putz. E agora? – falou Tiago com as mãos na cabeça.
- Agora, já que estaremos lá, vamos impedir. Eu duvido poder entrar com minha espada... – falou Paulo César.
- Já sei o que fazer pra resolver isso, PC! – falou Tiago – Você tem alguma luva ou pulseira?
- Não. – respondeu Paulo César.
- Aff... Eu tenho. Me dê a espada e amanhã eu te entrego. – falou Tiago.
- E o que tu vai fazer?! – perguntou Paulo César.
- Encantar a espada e a pulseira, pra que você possa escondê-la na pulseira. Dessa forma você pode ir pra onde quiser portando sua espada e sem levantar suspeitas. – explicou Tiago.
- Legal... – falou Paulo César entregando o guarda-chuva a Tiago. – Sorte que deu um chuvisco hoje.
- Então? Vocês vão salva-las? – perguntou Emili.
- Não temos alternativa. Não quero que nada aconteça a essas garotas. – falou Tiago – E ainda seria estragar meu show e de muita gente caso essa tragédia acontecesse.
- Que bom! – falou Emili – Pois, lá vem o circular.
Eles subiram no ônibus e seguiram pra suas casas.
Chegando em casa, Tiago ligou para Pérola.
- Alô? – falou Pérola.
- Loirinha. Preciso de sua ajuda. – falou Tiago.
- Ok mestre. Agora? – falou Pérola.
- Se você puder vir... – falou Tiago.
- Eu posso usar o... – começou Pérola.
- De jeito nenhum! – interrompeu Tiago – Eu ligo pra Rubi te pegar e trazer. Vou precisar de vocês duas.
- Mas, Tiago. São quase 23h. E ela trabalha amanhã. – falou Pérola – Eu posso ir.
- Eu vou precisar das duas. Apenas aguarde aí em sua casa, ok? – falou Tiago por fim.
- Ok. Tchau!
- Tchau. – falou Tiago e desligou, discando em seguida para Rubi.
- Oi... – falou docemente Rubi, como sempre que atendia ao telefone.
- Oi Rubi. – disse Tiago – Preciso de você e Pérola agora. É possível?
- Qual a urgência? – perguntou em alerta Rubi.
- Nada demais... É que eu preciso encantar uma pulseira para ser um compartimento mágico e preciso de vocês. É pra amanhã. – falou Tiago.
- Ah... – falou Rubi aliviada – Eu trabalho amanhã... Você sabe né?
- Sei sim... Por favor? – suplicou Tiago.
- Ok. Quer que eu passe lá em Pérola? Ela ta sabendo? – falou Rubi.
- Está... – respondeu Tiago – Muito obrigado mesmo Rubi... Eu nem devia estar mais te chamando pelo apelido, né?
- É melhor assim. Já estou acostumada. – respondeu docemente Rubi – Eu apareço aí em 15 minutos.
- Obrigado. – falou Tiago e se despediu.
Exatamente após 15 minutos bateram a porta do apartamento de Tiago. Ele foi até a porta e abriu para deixar suas alunas entrarem no apartamento.
- Bem vindas meninas. Muito obrigado por virem. – falou Tiago animado – Se eu fosse fazer isso sozinho iria levar a noite toda e mais metade do dia de amanhã, isso se eu não dormisse.
- Nossa! – falou Pérola – É difícil assim?
- Um pouco. – falou Tiago – Concorda Rubi?
- Sim. – respondeu a garota – Onde está aquele anel?
- Aqui. – mostrou Tiago a mão direita.
- O que ele faz? – perguntou Pérola.
- Um dia eu te mostro. – falou Tiago – Vamos começar?
- Vamos.
Tiago pegou uma pulseira de couro preta que ele tinha e começou os preparativos, tirando a espada do guarda-chuva.
- Sua tarefa é simples Pérola. Você vai encantar essa espada para a lâmina ficar mais afiada e mais forte. – falou Tiago.
- Ok. Isso será fácil. – disse Pérola.
- E nós vamos encantar a pulseira Rubi. – falou Tiago para Rubi.
- Sem problemas.
E então começaram as gesticulações e palavras na língua antiga para começarem os encantamentos.
*****
Paulo César chegou em casa e seguiu direto para o seu local de treino. Pegou uma espada extra e começou a treinar suas técnicas. Ele ainda não havia tido a oportunidade de testar algumas que aprendeu pouco depois da última “missão”, mas dessa vez ele iria com certeza usar a que tinha em mente. Então ele começou o treino, que durou até depois das 3 da manhã, quando ele sentiu-se satisfeito e que havia dominado com precisão a técnica.
*****
Ela olhou se havia algum recado na secretária eletrônica, sem sucesso. Não haveria outras missões tão cedo, e também não era costume do seu superior designar mais de uma missão ao mesmo tempo. Já houve casos em que ela tinha dois alvos ao mesmo tempo, mas foram fatos raríssimos. Também nesse caso não era apenas um alvo, eram quatro. Uma missão muito arriscada, ela sabia muito bem, pois tinha que ser rápida na recarga, mas esse problema estava resolvido. Ela era detentora de um rifle de repetição e ele havia sido o selecionado.
- Vai ser praticamente um tiro e quatro quedas. – falou a si mesma, na frente do espelho, onde preparava os seus cabelos negros para a noite de sono.
Ao chegar em seu quarto, que era praticamente uma obra de arte, com quadros, uma cama King Size da nobreza, esculturas em estatuetas, e alguns arranjos em locais estratégicos, com rosas e flores verdadeiras, para perfumar o quarto; um ar condicionado central (que servia também para o restante do apartamento) e mobília aristocrática, assim como a cama. Ao lado da cama, havia uma poltrona de carvalho, com espuma de ótima qualidade e revestida com veludo negro, dando um ar de grandeza à poltrona. Num raque que se encontrava atrás da poltrona, encontrava-se o som, que tinham caixas espalhadas por locais estratégicos do quarto, para que nada da música fosse perdido, e foi para onde ela se dirigiu. Agachou-se e pegou um DVD de músicas de Beethoven e Mozart, ligando em som de fundo e indo recolher-se em sua cama imensa.
Perdida em pensamentos e relaxando cada vez mais ao som dos clássicos, ela foi ficando sonolenta, para no fim adormecer e não ter sonhos.
*****
Sábado de manhã e Tiago dorme profundamente para recuperar as energias que gastou no encantamento da noite anterior. Em seu braço estava a pulseira de couro preta.
- Mestre. Mestre... Tiago... Acorda... – falou levemente Pérola apenas com a mão no ombro de Tiago.
- Hã? – falou Tiago sonolento – Só mais cinco minutos...
- Tiago. Acorda menino! – falou Pérola.
- Peraí... – falou Tiago escondendo-se em baixo do travesseiro.
- Ai, ai, ai, ai, ai... – falou Pérola e seguiu para a cozinha do apartamento, onde encheu um copo de água, em seguida voltando para o quarto.
Lá ela despejou a água em cima de Tiago que levantou-se de um pulo e conjurou automaticamente uma bola de fogo.
- Que foi isso?! – gritou Tiago desorientado olhando para Pérola.
- Eu estou te chamando há horas. – falou Pérola mostrando o copo, agora vazio.
- Maldição Pérola! – reclamou Tiago – Detesto ser acordado dessa maneira.
- Queria o que? Um beijinho? – falou Pérola com sarcasmo.
- Seria muito melhor... – falou tristemente Tiago.
- Haha! Dá próxima vez então eu dou um beijinho. – falou Pérola com um sorriso maroto.
- Engraçadinha... – falou Tiago olhando atravessado para ela – Que é que foi? Me acordasse por quê?
- Hoje é o dia do show e você me disse que ia me contar algo antes de eu ir embora. Como daqui a pouco eu vou pra casa, fale logo. – falou Pérola.
- Num acredito que a senhorita me acordou por causa disso não! – disse Tiago.
- Claro! Eu sou curiosa, você sabe. E também estou quase de saída. Vamos, diga logo. – falou Pérola.
- É de lascar... Eu no meio de meu sono magnífico aí vem essa menina e... – começou Tiago.
- Tiago! – interrompeu Pérola – Diga logo! Eu tenho que estudar!
- Ok , ok! – rendeu-se Tiago – “Logo”. – e caiu na risada depois. Pérola olhou incrédula para ele.
- Chato... – disse por fim.
- Muito obrigado! – agradeceu sinceramente Tiago.
- Num vai falar não? Eu vou embora. Tchau! – disse Pérola se virando para sair do quarto.
- Não! Espera! – correu Tiago e a segurou pelo braço – Eu vou falar. Sente aí.
E então ele falou tudo o que Emili havia previsto e as condições do local. Era por isso que ele havia convocado as meninas para concluir logo o encantamento, para Paulo César portar a espada no show.
- Ah, e outro detalhe. – acrescentou Tiago – Ele quer saber seu nome original.
- Ah ta. – falou Pérola – Depois você diz. Quando eu terminar o treinamento. Num to afim de perder um pouco da ressonância do focus por causa de uma curiosidade não...
- Se fosse você... – começou Tiago.
- Eu sei que eu sou curiosa! – interrompeu Pérola – Não precisa me lembrar.
- Muito bem. Vou tomar aquele banho e arrumar tudo aqui antes de fazer o almoço. – falou Tiago com um sorriso – Que hora é essa mesmo?
- Onze e quarenta. – respondeu Pérola – E eu ainda tenho que fazer o meu almoço.
- Fica aí e almoça comigo. – convidou Tiago.
- É... Pode ser... – falou Pérola meio sem jeito – Eu também to com preguiça de cozinhar. – e caiu na risada.
- É. Então fica aí! Deixe de pressa besta! – falou Tiago pegando sua toalha e indo para o banheiro tomar seu banho.
*****
Paulo César acordou com sua mãe chamando para almoçar. Estava com uma dor de cabeça tremenda e algumas dores musculares. O treino realmente deu resultado. Levantou-se preguiçosamente e decidiu que iria almoçar.
*****
Luiz Henrique acordou muito bem. Tinha dormido perfeitamente bem e acordou de bom humor. Sábado sempre era um dia bom, pelo menos ultimamente, que era quando acordava mais livre e quando mais se divertia, quando não havia provas para estudar. Levantou-se rapidamente, olhando para o relógio e constatando serem nove horas da manhã. Fez sua higiene pessoal e ligou seu Playstation II, pois o horário combinado com os rapazes era um pouco mais tarde, quase no fim da tarde.
*****
O dia foi se passando lentamente e no fim da tarde os garotos seguiram para o ponto de encontro, a loja C&A da Avenida Rio Branco. De lá seguiriam para onde seria o festival. Paulo César chegou quase no mesmo instante que Luiz Henrique. A diferença foram alguns metros de um ônibus para o outro. Então eles se cumprimentaram e começaram a conversar sobre diversos assuntos, enquanto esperavam por Tiago.
*****
- Tiago, num era pra você estar na C&A há uns quarenta minutos atrás não? – falou Pérola, que tinha ficado na casa de Tiago por insistência do mesmo, que foi até a casa dela com ela para pegar roupas para ela passar o dia. Tiago estava ocupado jogando Final Fantasy Tactics.
- Eita porra! Era mesmo! – falou Tiago aperreado. – Termina essa batalha pra mim aqui Pérola!
- Eu não sei nem pra onde vai. – falou ela pegando o “joypad” que Tiago entregava a ela.
- Vai apertando no número três aí do joypad pra fazer as ações. Só tem movimento e ataque! Num tem erro não! – falou Tiago seguindo para o banheiro e tomar seu banho.
*****
- Tiago ta demorando né? – falou Luiz Henrique. – Já passou mais de quarenta minutos do horário marcado.
- Deve ter perdido o ônibus. – falou Paulo César distraído.
- É... Talvez ele tenha visto alguma gata passando na rua e o ônibus passou direto. – disse Luiz Henrique.
- Ou talvez ele tenha esquecido que o horário era esse e ainda vai sair de casa. – falou por fim Paulo César, acreditando nessa teoria.
- Vou ligar pra ele e ver. – falou Luiz Henrique pegando o celular e discando para Tiago.
*****
O celular começou a tocar pouco depois que Tiago entrou no banheiro. Pérola foi até o celular e viu que era uma chamada de Luiz Henrique.
- Já tão ligando pra você. – falou Pérola – O nome aqui é Lampreia.
- Atende aí Pérola e diz que saio já de casa, por favor. – falou Tiago sob o som do chuveiro ligado.
- Ta. – falou Pérola e atendeu o celular – Oi?
- Oi! Quem é?! – admirou-se Luiz Henrique. – Tiago?! Você ta com problema de garganta?!
- Não, menino! Aqui é... – ela hesitou um pouco por não saber se falaria o nome original ou o apelido. Decidindo pelo apelido – Pérola.
- Ah sim... – falou Luiz – Cadê Tiago?! Aquele galado!
- Ta tomando banho. Disse que está saindo de casa daqui a pouco. – explicou Pérola – E pede desculpas pelo esquecimento.
- Esquecimento?! Aff... O que ele tava fazendo?! – perguntou Luiz.
- Jogando Final... Como é o nome mesmo Tiago? – falou Pérola gritando para Tiago.
- Final Fantasy Tactics! – gritou Tiago de dentro do banheiro.
- Final Fantasy Tactics... – repetiu com péssima pronúncia Pérola.
- Aff... Que galado! – falou Luiz – Estamos esperando ele! Diz, por favor a ele que se apresse ok? Se não ele vai sozinho!
- Com certeza! Direi o recado. Tchau!
- Tchau! Até mais! – falou Luiz e desligou o celular.
*****
- Mas que bicho galado! – falou Luiz Henrique – Jogando Final Fantasy enquanto a gente esperava.
- É típico dele! – riu Paulo César.
- Vamos esperar né? – falou Luiz Henrique – É o jeito!
- É...
O tempo passou e depois de 40 minutos Tiago chega num ônibus de Nova Parnamirim.
- Puta que o pariu! – reclamou Tiago assim que desceu do ônibus – Foi mal aí rapaz! Tava meio entretido com o jogo aí perdi a hora.
- Rapaz... Quase uma hora e meia de atraso! Esse homem é foda! – falou Luiz.
- Pelo menos ele chegou. – falou Paulo César olhando a pulseira preta que Tiago usava.
- Sim, isso é seu. – fala Tiago tirando a pulseira preta e entregando a Paulo César. – Pra usar é muito simples... – Tiago olhou de lado e verificou que havia pessoas passando ainda.
- Você me explica daqui a pouco. – falou Paulo César e Tiago assentiu. Eles seguiram avenida abaixo em direção à Ribeira.
Eles foram conversando sobre heavy metal, dentre outros estilos de rock, para chegarem preparados no festival. Então depois de um bom tempo, chegaram à um movimento, mas não era o festival de rock que eles estavam indo, e sim um bloco de carnaval fora de época que estava no caminho para o destino deles.
- Que porra é essa?! – perguntou Luiz Henrique.
- Sei lá... – falou Paulo César – Melhor nem saber. Vamos passar logo por isso que essas músicas são um porre!
- Vamos nessa!
Então apressaram o passo, mas antes de chegarem à esquina que deveriam virar para seguir para o festival, os rapazes encontram pessoas conhecidas da faculdade. Eles falam rapidamente com as pessoas e seguem seu caminho.
*****
Ela saiu no seu carro, um Fox preto, e estava no horário do início do festival por lá, mesmo sabendo que o show das Donnas só começaria efetivamente depois das 21h. Mas, como curtir shows de rock nunca é demais, ela sentiu-se satisfeita por poder ter esse lazer. Pegou sua pequena maleta e uma pistola discreta extra e colocou na bota que usava. Nesse dia ela trajava com um vestido preto de estilo medieval, com botas de couro legítimas e de cano alto, assim como salto também, onde ela poderia esconder uma pequena pistola numa boa. Usou como bolsa sua pequena maleta onde estava o rifle, que ficava atrás de um aveludado que tinha para justamente servir de disfarce. Mas, se a pessoa observasse, veria que era apenas um aveludado que servia para a arma não arranhar-se nas demais peças, e então ela levou a pistola pro precaução.
Chegando a frente dos seguranças ela entregou a senha do dia, seguido de um “boa tarde”. O segurança sorriu desajeitado. Ela sabia que era muito bonita, e a forma que havia se produzido para o dia, a deixara mais linda ainda. A pesar de o segurança ter caído em seus “encantos” ainda assim suspeitou da pequena maleta.
- O que tem na maleta, senhorita? – perguntou o segurança.
- Ah, o senhor não vai querer ver, vai? – falou sedutora ela – Apenas meu dinheiro, batom, lápis, um pouco de pó e outras coisinhas para precisões.
- Posso ver? – disse o segurança.
- O senhor não acredita em mim? – falou ela parecendo uma menininha.
- Desculpa... Estou fazendo o meu trabalho. – falou tristemente o segurança – Por mim eu deixaria entrar, mas não posso.
- Sei como é... – ela fingiu coçar atrás da coxa e pegou a pequena pistola, e apontou rapidamente na barriga do segurança que ficou surpreso. – Você não fala nada e abre a bolsa, ok?
O segurança pegou a maleta e abriu, constatando o aveludado com alguns pertences dela e após remexer constatar o rifle desmontado. Ele ficou apreensivo e muito pálido o segurança.
- Estou limpa, senhor? – ela fez de tudo para não verem a arma e depois sussurrou para o segurança – Bico calado e você vai entrar comigo.
- S-sim senhora... – concordou o segurança aos sussurros procurando poupar sua via – A senhora vem comigo. Ei Diego! Assuma aí o posto!
- Beleza. – falou o outro segurança posicionando-se onde esse esteve.
Ela o agarrou pelo braço, como se fosse um namorado, para esconder a arma que ela esmagava contra as costelas do segurança. Chegando dentro do local onde haveria o festival, e constatando a presença de muita gente, ela olhou para o pálido segurança.
- Você tem um rádio, não tem? – perguntou ela.
- Sim senhora... – falou o segurança estendendo o rádio para que ela visse.
- Remova a bateria e re-coloque no cinto. – ordenou a moça. O segurança removeu a bateria e estendeu para ela, que pegou e jogou atrás de um banheiro público que tinha no local. – Entre aí. – ela apontou com a cabeça para o banheiro público. O segurança obedeceu e ela ficou na porta esperando ele entrar, apontando a arma para ele, oculta pelo cubículo do banheiro. O segurança apenas pôde levantar as mãos em rendição.
- Eu sou pai de família, senhora. – falou tristemente.
- É mesmo? – perguntou ela, logo em seguida atirando na cabeça do homem, que caiu sentado na privada do banheiro público. O barulho do tiro foi abafado pelo som alto, além de ser uma arma sofisticada que já possuía uma espécie de silenciador de fábrica. O barulho do tiro era diminuído em 75%. Ela então fechou a porta do banheiro e deu um golpe com a arma, deixando trancada a porta.
Ela então suspirou, guardou a pistola na bota e entrou no galpão, onde já havia começado uma das bandas.
*****
Tiago, Luiz Henrique e Paulo César haviam chegado ao seu destino. Passavam das 17h30min e eles, antes de entrarem para o galpão onde haveria o show, sentaram-se em uma mesa de um pequeno carrinho que fazia sanduíches e vendia bebida. Beberam um pouco e comeram sanduíches, pois a fome estava apertando. Depois de um tempo conversando, eles seguiram para a entrada do festival. Lá, onde normalmente haveria dois seguranças na portaria, havia apenas um e quando os garotos chegaram, esse reclamava da demora do outro. “Namorar em serviço é osso...”, foi o que os meninos ainda escutaram. Todos pegaram suas entradas e entregaram ao segurança, sendo revistados logo em seguida. Nenhuma suspeita de porte de arma, os garotos adentraram o local. Paulo César sorriu e acariciou levemente a pulseira.
- Agora só falta você me dizer como funciona. – disse Paulo César.
- É. Aqui acho que dá pra explicar pelo fato de ter MUITA gente. – falou Tiago – Para sacar a espada você precisa fazer o movimento de pulso, como se quisesse que a espada saísse de sua manga da camisa, por exemplo. – e Tiago fez o movimento que deveria ser imitado, mas Paulo César apenas observou e assentiu.
- Beleza. Isso vai ser fácil. – disse Paulo César.
- Mans, eu estou afim de ir ao banheiro, ta ligado? – falou Luiz.
- Vai lá... – apontou Tiago para os banheiros públicos atrás deles. Luiz seguiu para um deles e quando foi abrir a porta, estava trancada. Pensando que estaria ocupado, ele seguiu para outro e entrou.
Os shows haviam começado e os meninos já estavam animados para curtir o som. Quando Luiz retornou, eles entraram no galpão para ver qual seria a banda e então começaram a curtir. Luiz saiu para comprar uma cerveja, enquanto Tiago e Paulo César observavam o local, mas ainda curtindo a música. Havia muitos locais propícios para um atirador profissional se posicionar, e isso era muito ruim, visto o fato de que aquele galpão estaria lotado na hora do show das Donnas. Então Luiz começou a demorar no barzinho, onde foi comprar a cerveja.
- Lampreia ta demorando. – observou Paulo César.
- Ta tão lotado assim pra demorar a comprar? – falou Tiago olhando ao redor e localizando Luiz Henrique conversando com uma garota – Ah, ta explicado!
Tiago bateu levemente no ombro de PC e apontou a localização de Luiz. De longe, a garota parecia estranhamente familiar. Então Luiz Henrique notou que eles observavam e chamou com um gesto. Os garotos se moveram entre as poucas pessoas que estavam no galpão e chegaram onde Luiz e a garota estavam. Logo perceberam que realmente ela era familiar. Era a magnífica amiga de Miguel, em uma produção muito decente e típica que alguém que gosta de metal. Usava um vestido estilo medieval preto e botas de couro de cano alto. Carregava uma maletinha discreta, que os meninos interpretaram como sendo sua bolsa.
- Então... – falou Alana após cumprimentar os meninos – É a primeira vez que venho a um show delas.
- Nós também! – respondeu Luiz – E venho me preparando para esse show desde que Tiago me chamou pra vir. Peguei muitas músicas delas e clipes.
- Eu também peguei a discografia quase toda. – falou Tiago.
- Eu peguei algumas mp3 delas com Tiago. – falou Paulo César.
- Então... Eu já conhecia a música delas. – falou Alana – É um estilo da hora!
- É sim! – falou Tiago pegando o folheto dos horários e das bandas – A próxima é MQN. Será que é boa?
- Vamos descobrir daqui a pouco. – falou Luiz Henrique.
- É... – concordou PC.
A banda subiu ao palco quando o pessoal estava perdido entre conversas. Alana viu uma pessoa conhecida e foi falar com ela, enquanto os rapazes suspiravam com o rebolado dela.
- Ai meu Zeus! – falou Tiago – Odin que me salve... Ave Rá!
- Três mitologias, Tiago? – perguntou Luiz.
- Diga que num merece! – falou Tiago apontando para aquela perfeição em forma de mulher.
- Merece... Com certeza merece... – falou Paulo César.
- Era querer demais uma dessas lá em casa cuidando de mim? – falou Tiago. Os meninos olharam para Tiago.
- Era. Melhor seria ela na minha casa! – falou Luiz Henrique.
- Não. Melhor seria ela no meu quarto. – falou Paulo César.
- Mermãos... Algum de vocês vai tentar pelo menos dar um beijo nela? – perguntou Tiago.
- Rapaz... Eu sou tímido. – falou Paulo César.
- Dependendo da birita... Eu tenho coragem! – falou decidido Luiz Henrique e mostrando uma cerveja RUIM pra caramba que ele tava tomando.
- No meu caso era querer demais... – falou Tiago tristemente.
- Tenta pow! – falou Luiz Henrique.
- Nada. To cansado de tomar fora. Fique a vontade. – falou Tiago com um sorriso.
- Beleza. Deixa ela voltar! – falou Luiz tomando um longo gole da cerveja e quase vomitando pelo sabor horrível da cerveja.
Depois de um tempinho Alana volta trazendo uma amiga. Uma garota bonita de um jeito normal e de baixa estatura. Mais ou menos 1,50m, tinha cabelos cacheados castanho-claros, olhos cor de mel, um rosto arredondado, porém bonito, e um corpo simples. Nenhuma escultura moldada pela própria Afrodite, mas agradável. Trajava uma calça de couro preta, blusa roxa com um decotão e um all star preto.
- Gente, essa é a Joanne. – apresentou sua amiga Alana – Joanne, esses são Luiz Henrique, Paulo César e Tiago.
- Olá! – falou alegremente Joanne com uma voz forte, típico de cantoras de Axé – Outro Tiago?
- É... Nós vamos dominar o mundo. – falou Tiago com um sorriso – Meu apelido é Gladuriel, pois todo Tiago NECESSITA de apelido, se não ninguém vai saber quem é.
- Gladu... O que?! – perguntou a garota. Os meninos riram.
- Gladuriel. – falou Tiago.
- Ah sim. Entendi. – falou a menina.
- E aí rapazes? O que ta sendo de bom? – perguntou Alana.
- Lampreia aí tava querendo falar com você. – falou Paulo César. Luiz protestou com um olhar para Paulo César. Um olhar de alerta ferrado.
- É? – falou Alana – Pode dizer, rapaz.
- Err... Bem... É que... Sabe... Tipo... Ah, sei lá! – falou Luiz sem jeito.
- Ih... – falou Joanne – Esse aí ta enrolado.
- Você num sabe o quanto... Bem Joanne. Que tal irmos comprar uma cerveja nós três? – propôs Tiago. A menina olhou sem entender para Tiago, e depois o olhar que ele lançou para Luiz e para Alana ela entendeu e deu uma leve piscadela.
- Sim, claro! – concordou Joanne e eles seguiram para o barzinho, deixando Luiz e Alana conversando. – E então senhores? Que curso os senhores fazem na UFRN?
- Já ta sabendo que somos da UFRN? – perguntou Paulo César.
- Alana falou. Mas, não falou o curso. – disse Joanne.
- História. – respondeu Tiago – Somos futuros professores e/ou pesquisadores. Depende de quem vá pra que área.
- Interessante. – disse Joanne – Eu faço Psicologia. Somos do mesmo setor.
- Que bom! – falou Paulo César – Raro a gente encontrar pessoas de Psicologia que são legais.
- É verdade... –riu Joanne – O povo lá é muito besta!
- É... – falou Paulo César – Mas, você está em que período?
Tiago saiu na deixa para que o amigo conversasse, já que ele havia se interessado em algum assunto com a Joanne. Ele seguiu para frente do palco, onde a banda começava a esquentar o show. Era uma banda de boa qualidade. Tiago analisou o som, o vocal e o estilo, e agradou bastante. Curtindo o som, pulando e cada vez mais empolgado, Tiago divertia-se sozinho lá na frente. Mais ou menos com uns 20 minutos de show, Luiz Henrique apareceu ao lado de Tiago pulando e dando pancada nele. Logo em seguida apareceu Paulo César caminhando normalmente e esquivando-se das pessoas empolgadas. Tiago parou de pular e olhou incrédulo para os amigos.
- Ué? Cadê as minas? – perguntou Tiago.
- Alana viu mais gente conhecida e foi falar, aí vim procurar você. – falou Luiz Henrique.
- Desse pelo menos um beijo nela?! – perguntou Tiago.
- Rapaz... – Luiz ficou todo errado.
- Fraco! – riu Tiago – E você PC?
- Eu o que? – perguntou PC.
- Eu te deixei a sós com a boy de Psicologia. – falou Tiago – E aí?
- E aí o que homem?! – perguntou PC.
- Puta que o pariu, meu amigo! – reclamou Tiago – Num ficasse com a menina não, porra?!
- Não. Ela foi pro outro galpão. Disse que não estava gostando dessa banda. – falou Paulo César.
- Aff... Essa banda é massa demais! – falou Tiago – Mas, que azarados os senhores heim?
- É né?! – falou Luiz Henrique – E você bonitão?! Cadê a mina?!
- Rapaz... – ficou todo errado Tiago.
- E ainda fala da gente! – disse Paulo César – Fraco!
Eles curtiram o restante do show da banda. Foi muito bom e os garotos curtiram, assim como a banda curtiu a animação da galera. Quando eles acabaram o show a galera ficou cantando um trecho de uma música que eles tinham tocado na saideira.
- HEY, HEY, HEY, HEY! – gritou a galera cantando – HEY, HEY, HEY, HEY NOW!! – o vocalista da banda voltou na mesma hora e pegou o microfone.
- HEY, HEY, HEY, HEY! – gritou a galera cantando – HEY, HEY, HEY, HEY NOW!! – dessa vez o vocalista acompanhou.
- Meu irmão! Desse jeito é foda! – falou o vocalista da banda – Vamos tocar mais uma!
A galera que curtia o show foi ao delírio. Então a banda voltou e tocou mais uma música, para depois encerrarem o show.
O organizador do festival falou sobre a banda que viria em seguida e depois dela seria o The Donnas. A galera foi ao delírio mais uma vez. Muitas pessoas gritando e assobiando. E nessa hora os garotos ficaram alerta para pessoas suspeitas que fossem chegando. Afinal eles haviam chegado há horas e ainda não avistaram ninguém muito suspeito.
*****
Alana ao ouvir que se aproximava do horário das Donnas procurou posicionar-se. Afinal, ela deveria acabar com isso logo. Mas, ficou em dúvida se deveria matar as Donnas no início do show, ou depois de estar no clímax. Decidiu pelo clímax, seria mais interessante e não chamaria atenção.
*****
Tiago mandou uma mensagem mágica para Rubi. “Acho que vou precisar dela aqui...”, pensou ele lançando a magia. “Rubi, preciso de você aqui no Festival Dosol... Eu sei que você está em nossa terra, mas as Donnas correm perigo! E Pérola não está autorizada a usar o Teletransporte. Por favor, se puder vir, venha.”
Passaram-se uns cinco minutos e Tiago recebeu uma mensagem mágica em resposta de Rubi. “Sinto muito, Tiago. Mas, você terá que protegê-las sem mim. Minha família ta precisando de mim e não posso abandoná-los por causa disso... Me desculpa...”. O tom de voz de Rubi na mensagem era tristonho, e então Tiago viu que não deveria intervir. Além de ser um problema de família e ela não gostava quando ele insistia nas coisas. “Melhor ela ficar lá mesmo... Droga vai ser difícil...”, pensou Tiago.
Então entrou no palco uma banda super chata, que fez os garotos morrerem de tédio enquanto aguardavam. Paulo César lançou a proposta de ficarem andando por um tempo para que fosse feita a ronda. Luiz ainda estava meio que por fora, e então Tiago o deixou por dentro.
- As Donnas tão correndo perigo, man! – falou Tiago – Por isso que queremos ficar fazendo essas rondas. A fim de encontrar algum suspeito.
- Ah, entendi... – falou Luiz – Acho que vou ajudar vocês.
- E o que você pode fazer? – perguntou Paulo César.
- Rapaz... Só mostrando. – disse Luiz Henrique.
- Acho que você vai ter a oportunidade... – falou Tiago apontando para umas pessoas pálidas que adentravam o galpão.
- Será que são eles?! – perguntou Paulo César.
- Não custa nada perguntar... – falou Tiago – Mas, vampiros no mundo normal são muito raros. Só vêm quando estão com fome.
- Então esses aí tão a fim de tomar um drink? – perguntou Paulo César.
- Vampiros?! – assustou-se Luiz Henrique.
- Não sabia que existiam? – perguntou Paulo César.
- Não senhor! – falou apressadamente Luiz Henrique.
- Esses ainda não estão com atitudes hostis... – falou Tiago. Mas, logo engoliu suas palavras quando viu os quatro rapazes e as três moças que haviam entrado no galpão, todos parecendo vampiros (e realmente o eram) começando a escolher suas presas.
Foi um movimento rápido, onde as moças conseguiram três rapazes rapidinho usando suas habilidades sobrenaturais e os levavam para um canto isolado. Os rapazes vampiros estavam escolhendo suas presas, foi quando Alana passou na frente de um deles, que seguiu diretamente para ela.
- Alana não! – falou Tiago apontando.
Por reflexo Luiz Henrique adiantou-se para defender a garota. Foi muito rápido. Luiz puxou uma espécie de linhas quase invisíveis, só não o eram pelo fato de cintilar com a luz, e amarrou o rapaz que chegava a Alana.
- O que é isso?! – protestou o rapaz vampiro. Os amigos dele rodearam Luiz Henrique.
- Ela não! – falou Luiz para o preso.
- Eu só ia conversar com ela, imbecil. – falou o vampiro.
- E depois sugar todo o sangue dela. – falou ameaçadoramente Luiz. O vampiro olhou em alerta. Olhou para os outros e fez um gesto com a cabeça para Luiz.
- Você vai morrer moleque! – falou o preso e os outros avançaram.
Tiago pensou rápido, por não poder usar sua magia ali, na frente de todo mundo. Então se aproximou dos vampiros que cercavam e avançavam para Luiz. Paulo César sacou a espada e avançou para ajudar.
Alana que estava no meio de tudo ficou em pânico, escondendo-se atrás das mãos e abaixada. Fingia muito bem nas horas que necessitava.
Então, num movimento rápido, Luiz despedaçou o vampiro que estava preso em suas linhas, reduzindo-o a pó e se preparando para receber os outros. O movimento de Paulo César foi rápido ao cortar a cabeça do rapaz a sua frente, que se aproximava de Luiz pelas costas, reduzindo-o a pó. Tiago chegou a outro e encostou a palma da mão nas costas do vampiro e usando uma combustão perfeita do corpo do vampiro. O último viu-se acuado entre as três ameaças que o cercavam, mas este estava perto de Alana e a pagou como refém.
- Nem mais um passo, ou a garota morre! – falou o vampiro mostrando as garras e pousando-as no pescoço da moça apavorada, que chorava. Os amigos ficaram onde estavam.
- Não preciso nem me preocupar com você. – falou Paulo César recolhendo a espada para a pulseira. Foi instinto quando ele encostou a espada na pulseira e essa sumiu logo em seguida. – Olha só! Adivinhei como guardava.
- Eu ia te dizer isso. – falou Tiago descontraído. O vampiro ficou sem entender, e quando viu o plano era tarde demais.
Luiz num movimento rápido foi para as costas do vampiro, que não percebeu o movimento, e enrolou suas linhas no pescoço dele, em seguida decapitando-o. O jovem vampiro soltou Alana e virou pó.
- Você está bem Alana? – perguntou Luiz com a mão no ombro dela. A garota só fez olhá-lo e ainda chorando abraçou-o.
- M-muit-to o-b-bridada, Lampreia... – falou em meio aos soluços Alana.
- De nada! Que bom que você está bem! – falou Luiz correspondendo o abraço da menina.
Tiago apenas sorriu e deu um leve soco no punho fechado de Paulo César. Agora sim eles sabiam o que Luiz Henrique era capaz de fazer. Ele tinha um treinamento em linhas invisíveis. Uma técnica muito boa para armadilhas, aprisionamento e eficaz em combate. O usuário de linhas deveria ser detentor de uma destreza fora do comum, e pelo visto, Luiz era um usuário excelente da arte.
Depois do momento de pânico, Alana recuperou-se e agradeceu a Luiz com um selinho e saiu rapidamente do local. Luiz ficou incrédulo olhando para os outros rapazes.
- Ué! Vai atrás dela, oh! – falou Tiago.
- Não cara... – falou Luiz.
- Por quê?! – perguntou Tiago.
- Vou ajudar vocês a defender as Donnas. – falou decidido Luiz Henrique. – Vamos começar a ronda?
- Isso é muito bom, cara... Gostei de ver o que esse homem utiliza para defender-se. – falou Tiago – Tem certeza que prefere a magia?
- Isso eu vejo depois, já que minha ressonância ta baixa. – falou Luiz – Vamos começar?
- Vamos.
Os garotos começaram a ronda pelo galpão, verificando todas as ameaças presentes. Ninguém havia percebido o ocorrido há pouco e as mulheres vampiras tinham fugido, após a morte dos seus amigos. O salão agora começava a ficar cheio enquanto a banda anunciava a última seqüência de músicas, e logo em seguida seria o The Donnas.
Pessoas acotovelavam-se em busca do melhor lugar perto do palco. Muitas pessoas portavam câmeras e celulares para tirarem fotos ou fazerem a cobertura do show. Nada de suspeito e a banda que estava no palco, encerra o show com um cover do The Ramones, levando a galera que gosta do Punk tradicional a cantar junto com o vocalista da banda e pedir bis. Após a saideira, entrou o intervalo para a passagem de som do The Donnas, e foi exatamente o horário que começou a aglomerar mais ainda o galpão, dificultando a busca dos garotos.
- Acho que não vamos encontrar nada assim. – desanimou Luiz Henrique.
- Pois é. – falou Tiago – Desse jeito é complicado.
- E aí? – perguntou Paulo César – Paramos ou seguimos em frente?
- Seguimos. É melhor do que deixar as Donnas ao léu não é mesmo? – falou Tiago.
Eles continuaram suas buscas. Foi passado o som, depois da montagem especial para o The Donnas e feito a anúncio que elas estavam chegando.
- E com vocês... Direto da Califórnia... THE DONNAS! – falou o apresentador super empolgado. A galera foi ao delírio. Muitos gritos e assobios.
- Muito bem pessoal. Está quase na hora. Abram bem os olhos. – falou Tiago. Os rapazes assentiram e ficaram olhando em todas as direções.
Esse galpão tinha um andar superior, e não era possível ver bem as pessoas que estavam lá em cima. Mas, a observação lá de cima seria melhor pra visualizar o local quase inteiro, ficando apenas a parte abaixo da plataforma sem condições de ser vigiada. Então Paulo César teve uma idéia.
- Rapaz. Estou vendo que ali de cima teremos uma vista melhor, mas em compensação não veremos abaixo da plataforma do segundo andar. – falou Paulo César – Teremos que nos separar. Dois ficam lá em cima e um aqui em baixo.
- Eu fico aqui em baixo. – adiantou-se Luiz Henrique.
- Então iremos lá pra cima. – falou Tiago – Olhos abertos, Lampreia! Não queremos perder essas moças.
Então as garotas da The Donnas começaram a adentrar o palco sob vivas, aplausos, assobios e muita empolgação. Uma a uma as garotas foram tomando suas posições no palco, até que a vocalista entrou por último, aclamada pelos fãs e chamada aos berros. Tiago e Paulo César tiveram dificuldade para chegar pelo menos à escada da plataforma, mas depois de muito tentarem conseguiram, quando já vinha explodindo a primeira música.
*****
Em cima da plataforma e num lugar afastado bem no meio, onde poderia ver claramente as Donnas, Alana posicionava-se para em seguida montar sua arma, sabendo ela que teria segundos para atirar, desmontar a arma e sair. Nada poderia dar errado. Ela era experiente, e não era a primeira vez que executava seus alvos na frente de centenas de pessoas, e não era percebida. Às vezes por uma única pessoa, que era silenciada antes dela abandonar o local.
Alana esperou pacientemente até pelo menos a terceira música, para começar a montar a arma e ocultá-la.
*****
Paulo César foi o primeiro a subir na plataforma, já que Tiago ficou retido com um pessoal que descia as escadas e arrastaram-no com eles. Então ele começou a averiguação do local em busca do possível assassino. Ele sabia, por instinto, que assassinos profissionais preferiam um lugar mais alto para verem melhor seus alvos, e com certeza com esse assassino não seria diferente. Ele seguiu pelo meio das pessoas e olhando cada rosto e cada expressão, sem sucesso para achar um suspeito. Até que ele percebeu uma pessoa num local um pouco afastado.
Tiago apareceu logo em seguida, e encontrou Paulo César parado olhando ao redor.
- E aí? – perguntou Tiago – Algum suspeito?
- Não exatamente. – falou Paulo César – Ninguém, aparentemente, com intenção de matar aqui.
- Lembre-se que é um assassino profissional. Com certeza não vai transparecer isso. – falou Tiago.
- É. Mas, eu conheço uma máscara quando vejo uma. – falou Paulo César – Principalmente quando se trata de esconder emoções.
- Eu quem não duvido. – falou Tiago olhando para os lados.
- Tem uma pessoa isolada ali. – disse Paulo César apontando para o vulto que estava isolado na parte do meio da plataforma, só que mais próximo da parede.
- Vamos verificar? – perguntou Tiago.
- É bom, né? – respondeu Paulo César com sarcasmo.
Eles então seguiram para a pessoa isolada.
*****
Posicionada num lugar perfeito e montando sua arma, Alana percebe duas pessoas se aproximando sorrateiras. “Maldição...”, pensa ela enquanto começa rapidamente a desmontar a arma, mas era tarde demais. Então ela teria de silenciar essas pessoas.
*****
Os garotos chegaram perto da pessoa que estava agachada e de costas fazendo algo que escondia. Eles notaram ser uma garota com um vestido medieval...
Alana pegou a pequena pistola na bota e levantou-se. Permaneceu de costas até as pessoas chegarem mais perto, para em seguida, agarrar a pessoa mais próxima e apontar a pistola na cabeça. Ela pegou em cheio Paulo César, que nada fez a não ser soltar uma exclamação de surpresa.
Tiago não acreditava no que via. Alana, a amiga perfeita de Miguel, com uma pistola pequena na cabeça de Paulo César.
- Você?! – perguntou Tiago – Você é a assassina?!
- Caramba! – falou Paulo César – Que azar! Pego de surpresa e pela frente!
- Ah não... – falou tristemente Alana e soltou Paulo César. Os garotos observaram um rifle quase montado no chão.
- Por que você aceitou esse trabalho, Alana...? Por que você é assassina...? – perguntou Tiago.
- Meus motivos não interessam a você. – falou friamente Alana – Que pena que vocês que me viram... Eu tinha até gostado de vocês...
- Vai nos matar também?! – perguntou Paulo César.
- Não posso deixar testemunhas... – falou Alana.
- Mas somos seus amigos... – falou Tiago.
- Poderia ser minha mãe... A norma é clara... Se eu não eliminar a testemunha, eu serei eliminada. – falou friamente Alana.
- Então... – começou a falar Tiago – Vamos impedir você.
- Vocês juram né? – falou Alana.
- Temos “poder de fogo” pra isso. – falou Tiago mostrando um pouco de sua magia.
- Como você é bobo... – riu Alana – Isso não vai funcionar comigo.
- Como assim?! – perguntou Tiago.
- Eu tenho focus negativa e magia não funciona comigo. – falou Alana.
- Focus negativa?! Nunca ouvi falar nisso... – disse Tiago desfazendo a bola de fogo que havia na mão.
- Eu acho que é quando a pessoa não sofre efeito nenhum sob a magia, é como se fosse uma imunidade. – falou Paulo César – Pelo menos é o que eu entendi.
- Exatamente. – concordou Alana – Eu sou imune à magia. Então, nada feito.
- E agora? – perguntou Tiago a Paulo César.
- Vocês morrem. – fala Alana – O que é uma pena...
- Não precisa nos matar, Alana. – falou Tiago.
- Preciso. É regra. Eu não quero morrer. – falou Alana. Então ela apontou a arma para os garotos. – Quem primeiro?
- Bom, pelo menos vou morrer feliz... – falou Tiago – Vim para um show das Donnas...
- Ok, então mato você primeiro. – E Alana puxou o gatilho.
O movimento foi rápido, e Tiago usou uma espécie de parede de fogo em espiral que durou alguns segundos. Quando o fogo, que chamou um pouco de atenção pela luz se extinguiu, Tiago havia desaparecido. O que surpreendeu Alana e deu brecha para Paulo César agir, puxando rapidamente a espada e cortando a pistola ao meio. Ele mesmo admirou-se com isso, pois não sabia que sua lâmina estava tão afiada. Alana olhou incrédula.
- Uma espada. Que interessante. – falou a jovem.
- É... E sua pistola quebrou?! Que interessante... – falou PC.
- Eu tenho outros meios de lutar com você, Paulo. – falou Alana.
- Eu não queria ter que lutar com você. – falou PC – Ah sim! Detalhe: Miguel ficará muito triste quando souber o que a amiga dele realmente é.
- Você não viverá para contar a história. – falou Alana.
- Veremos. – disse Paulo César.
Alana botou a cabeça para funcionar. Afinal, iria lutar com alguém portando uma espada, e ela mesma não possuía nenhuma arma branca no momento, mas tinha seu trunfo. Tinha adquirido uma habilidade sobrenatural e essa cairia muito bem agora, pelo menos para as defesas da lâmina da espada. Só precisaria tomar cuidado de usar apenas os braços e tudo estava certo.
Paulo César olhava a expressão pensativa de Alana e notou que ela estava bolando uma estratégia. O mais impressionante foi que poucos segundos haviam passado e ela sorriu, demonstrando já ter um plano, e ele não tinha nenhum, mas tinha a força de ataque. Outro detalhe que ele observou foi que o rifle estava quase montado e ela poderia tentar montá-lo enquanto se esquivava, mas ela não parecia interessada no rifle.
Até que algo inesperado aconteceu. Alana foi atingida em cheio por uma bola de fogo, que explodiu mesmo no peito da garota e arremessando-a contra a parede. Paulo César olhou para trás e viu Tiago.
- Ela é imune a magia. – lembrou Paulo César.
- Podia ser blefe. – falou Tiago – Eu tinha que verificar.
Alana então se levantou, mostrando não ter sofrido grandes danos com a magia e sua roupa intacta. Um anel que ela tinha no dedo possuía uma pedra que agora brilhava. Mas, os garotos não haviam percebido.
- Eu sou imune. – ela disse.
- Acabei de ver que sim, mas ainda sofre o impacto. – falou Tiago. – Vai PC!
E Paulo César avançou com tudo. Ele foi por um lado e Tiago pelo outro, mas pegando distância. Foi aí que Paulo César viu a estratégia de Alana, pois ela apenas adiantou os braços para defender. Paulo César pensou logicamente ter algum truque, ou ela era louca o suficiente para perder os braços. Então ele decidiu manter o ataque e ver o que ela seria capaz de fazer apenas com as mãos, e constatou que era um truque. Ao acertar em cheio o braço direito dela, sentiu o impacto de como se a lâmina tivesse encontrado outra. Aproveitando a oportunidade, Tiago lançou um relâmpago na garota, que o aparou na mão e revelando o anel brilhante.
- O anel! – gritou PC – A imunidade dela é o anel!
A batalha continuou com PC atacando e ela defendendo, assim como os ataques de Tiago que se mostravam inúteis. E então pareceu Luiz Henrique, que havia decidido aparecer por ter visto as luzes da batalha. O mais impressionante era o efeito que as Donnas tinham sobre o público, pois esses não notaram a luta que ocorria.
- O que é isso?! – perguntou Luiz Henrique ao ver Paulo César acertando um corte que levou alguns fios de cabelo de Alana.
- Achamos nosso assassino! – falou Tiago.
- Ela?! – perguntou Luiz.
- Ah não! Você também não! – falou tristemente Alana quando destruía uma bola de fogo jogada por Tiago. – Mais um que terei que matar. Que pena.
Tiago então recuou para perto de Luiz, enquanto PC acertou de raspão um golpe abaixo do peito de Alana, deixando um corte no vestido e sangue escorrendo. Isso fez os sentidos de alerta dos garotos gritarem. “Então quer dizer que a invulnerabilidade é apenas nos braços e naquele anel...”, pensou Paulo César.
- Ela é imune a magia por causa daquele anel. – apontou Tiago – Temos que destruí-lo.
- Cara... Logo ela... – falou Luiz.
- Pois é... Também fiquei chateado... – falou Tiago – Agora é bom a gente bolar um plano rápido.
- Já sei. – falou Luiz – Ta vendo ali que o rifle ta quase montado?
- Sim... – falou Tiago sem entender – Melhor assim não?
- Eu acho que vou me aproximar rapidamente, pegar o rifle, montar e atirar nela, cara... – falou Luiz com uma careta por causa da idéia.
- Ou pelo menos destruir a pedra do anel, se te perturba a idéia de matá-la. – fala Tiago.
- Eu acho que não seria necessário matá-la... – falou Luiz.
- Cara... Ela deixou bem claro. Ou ela ou nós três! – falou Tiago seriamente.
- Putz... – falou Luiz – Beleza então... Tirem a atenção dela.
- Você sabe montar rifle? – perguntou Tiago e Paulo César acertou a pedra do anel, fazendo-o jogar faíscas. – Opa!
- NÃO! – gritou Alana pegando o rifle quase montado e a maletinha e pulando no meio das pessoas que se agitavam com o show.
- Maldição! – gritou Paulo César – Por pouco não a parti ao meio!
- Vamos segui-la! – gritou Luiz Henrique correndo na direção que ela tomou e sendo seguido pelos amigos.
Alana movia-se rápido entre as pessoas aglomeradas e planejava outra forma de executar a missão, nem que pra isso ela fosse ao próximo show, que seria em sua terra natal. Ela sabia quando bater em retirada, e ter perdido a imunidade à magia era inadmissível. Morreria facilmente e isso não era bom.
Os garotos passavam pelas pessoas com dificuldade, mas conseguiram avistar Alana saindo do galpão e seguindo para a saída do show. Lá fora eles a viram entrando num carro e dando a partida. Havia muitas testemunhas para Tiago usar a magia ali, mas Luiz usou sua destreza. Rapidamente arrombou um carro e fez ligação direta. Os meninos não gostaram da idéia, mas entraram no veículo. Eles ainda viram Alana saindo a toda e virando a esquina quando o carro ligou. Luiz dirigiu, já que Tiago seria a arma a distância dos rapazes e então foram a toda atrás de Alana.
- Puta que pariu Lampreia! – falou Tiago – Roubar um carro?!
- Ou isso, ou ela fugia. – falou tranquilamente Luiz Henrique.
- Seremos perseguidos pela polícia! – falou Tiago – Seremos presos, cara!
- Não se resolvermos logo esse assunto e devolvermos o carro. – falou Luiz.
- Pessoas viram que a gente roubou. – falou Paulo César – Não seria uma boa voltar lá.
- E agora?! – perguntou Tiago.
- Agora a gente pega ela, acaba logo com isso e deixa o carro lá perto, só que reparado para não ficarem nossas digitais. – falou Luiz acelerando mais o carro.
Mais a frente eles perderam Alana de vista, mas Luiz foi seguindo pelas únicas saídas da Ribeira e então a localizaram saindo apressada, quase atropelando pessoas que estavam no carnaval fora de época. Vai ver ela teria se atrasado por causa deles. E então a perseguição começou. Tiago baixou o vidro do Celta que eles haviam roubado e posicionou-se para lançar suas magias. O horário era bom para ele usar abertamente seus poderes. Então foi aí que ele começou a lançar bolas de fogo em direção ao carro inimigo. Alana fazia manobras para livrar-se dos projeteis. Eles seguiam em direção a Tirol, e Tiago acertou árvores e lixeiros, deixando para trás os rastros de destruição.
- Odeio quando isso acontece... – falou Tiago – Ainda bem que não sou formado pela escola de magia, se não estaria encrencado.
- Presta atenção! Ela vai escapar! – gritou Paulo César.
- Ta ok! Ta ok! – falou Tiago voltando ao seu lugar na janela.
- Num tem algo mais eficiente que bolas de fogo não? – perguntou PC.
- De conjuração rápida? Não! – respondeu Tiago.
O tempo foi correndo e Luiz fazia muitas manobras em curvas que eram feitas ou improvisadas por Alana e em uma dessas, uma bola de fogo acertou o pneu traseiro do Fox de Alana, fazendo-o rodar e parar. Luiz derrapou o Celta e então os garotos saíram a postos do carro.
Demorou um pouco e Alana saiu do carro já dando o primeiro tiro, que errou por pouco a cabeça de Luiz.
- Odeio quando está sem a mira precisa. – reclamou Alana. A resposta que ela teve foi um relâmpago que passou cantando próximo a sua orelha. – Ei! Vocês não têm senso de humor?
Luiz já estava nas costas dela quando ela percebeu a distração. No lugar de usar suas linhas invisíveis, ele a abraçou por trás.
- Não precisa fazer isso, Alana. – falou Luiz Henrique.
Alana então parou um pouco, como se estivesse ponderando sobre isso. A resposta dela foi uma coronhada de rifle nas costelas do rapaz, fazendo-o cuspir sangue e cair encolhido aos pés dela.
- Sinto muito Luiz. – falou Alana de olho nos outros dois – Mas as regras são claras e eu não posso mais deixá-los viver depois de descobrirem o que sou.
Ela então experimentou atirar novamente, fazendo os garotos se separarem. Paulo César escondeu-se atrás de um poste e Tiago lançou-se atrás do Celta. Alana então virou-se para bater mais uma vez em Luiz, dessa vez na cabeça para ele perder a consciência e então ela continuar a enfrentar os rapazes, mas essa precaução sela custou caro, pois quando ela se virou para posicionar o rifle, Paulo César atravessou-a com a lâmina na barriga dela, como uma faca quente na manteiga.
- Argh... – foi só o que Alana pôde dizer.
- Eu não queria que fosse assim... – falou Paulo César.
- Não... Você fez o certo... – falou Alana com dificuldade – Eu mesma faria isso... Foi a melhor escolha... – falou escorrendo sangue de sua boca.
- Você me perdoaria se eu pedisse perdão...? – falou tristemente Paulo César.
- Claro... – falou Alana – Nossa... Eu devo estar péssima...
- Não mais do que ficará... – falou Tiago – Eu lamento Alana. E gostaria que você me perdoasse também.
- Estão... Perdoados... – falou Alana – E diga a Luiz... Que eu peço desculpas pelos danos que causei a ele...
- Você pode viver se quiser Alana. – falou Tiago – Eu posso te curar.
- Acho... Que... Essa não seria... Uma boa... Idéia... – falou a garota que sangrava bastante pela ferida que a lâmina havia provocado. Alguns milímetros a mais do que a lâmina real da espada. – Eu teria... Que matar vocês... E... Continuar... A minha missão... É melhor assim...
- Seu recado será dado a Luiz... – falou Paulo César com lágrimas nos olhos.
- Obrigada... – falou Alana que também chorava – Foi um... Prazer conhecê-los... E... Ser morta por vocês...
Então Tiago, que também não segurou as lágrimas, encostou a mão nas costas da garota e pediu para PC afastar-se do carro. Feito, mesmo com o sofrimento evidente da garota ao se mexer, os três foram para o meio da rua.
- Alguma última palavra Alana? – perguntou Tiago.
- Só... Obrigada... E... Adeus... – falou com dificuldade a moça. Então Tiago usou a magia desintegração, onde as partículas da garota começaram a serem destruídas . – Ah... E... Outra coisa... Por... Favor... Não digam... Não digam a Miguel... Por favor... Me... Prometam...
- Tudo bem... Nós prometemos...– falou Tiago. Em últimos instantes, enquanto a forma dela ainda era compreensível, ela sorriu. A morte dela foi indolor, livrando-se até da dor que sentia quando estava trespassada pela lâmina.
Paulo César ficou durante um tempo na posição que estava quando estava quando Alana sumiu completamente, deixando apenas a sua lâmina suja com o sangue dela.
- Não era pra ter sido assim... – falou Paulo César.
- Não mesmo... Mas, infelizmente foi... – respondeu Tiago. – Agora vou cuidar de Luiz pra irmos embora.
Paulo César apenas tirou um lenço do bolso, limpou o sangue de Alana da espada e guardou o lenço no bolso. Ele iria conviver com o fato de que havia matado aquela moça e que sua única lembrança eram as pequenas fotos que haviam tirado naquele intervalo com o celular de Tiago, e o lenço com o sangue dela.
Não demorou muito para Luiz recuperar-se. Tiago pegou o rifle de Alana e entregou a ele.
- Eu nem vi quando ela se foi... – falou Luiz ao derramar suas lágrimas.
- Ela pediu desculpas pelo que fez a você... – falou Tiago passando o braço pelo ombro do amigo, dando uma leve pressão e depois o soltando. – Vamos embora. Pode ficar com o rifle se quiser...
- Ficarei... – falou Luiz ao levantar-se, procurar e achar a maletinha do rifle, desmontá-lo e guardá-lo e tirando os bens pessoais de Alana da pequena maleta. A habilitação dela estava lá, mas ele não quis ficar com essa lembrança. Já bastavam as fotos com os belíssimos sorrisos da moça. – Melhor ter lembranças dos momentos bons... Mas, também dos ruins...
- É... – falou Tiago.
Ele então incendiou o carro de Alana e eles saíram do local, para voltar para perto do local do show. A viagem foi em silêncio e Tiago dirigia. Chegando à esquina anterior ao estacionamento que o carro estava, eles observaram e não viram pessoas nesse estacionamento, então levaram o carro para o mesmo local e lá se livraram das digitais. Luiz Henrique usou seus fios para remendar os que ele arrebentara do carro, e ficou quase imperceptível. Então eles saíram do carro, deixando-o trancado novamente e não mais voltando para o show, indo direto pegar o ônibus que seria para casa.
Os garotos tiveram de esperar algumas horas para amanhecer, mas seguiram para suas residências e dormiram um sono triste pelo ocorrido.
*****
As primeiras pessoas que Emili procurou na universidade na segunda-feira de noite foi Tiago e Paulo César, encontrando-os conversando com seus colegas e Miguel.
- Glah! – chamou Emili. Tiago foi até onde ela estava.
- Oi, minha linda. – falou Tiago.
- Deu tudo certo? Eu não consegui ver nada... – falou Emili. – Estava preocupada com vocês.
- Sim... Deu tudo certo sim... – falou tristemente Tiago.
- Você não deveria estar feliz?! – admirou-se Emili.
- Por um lado, sim. Afinal, conseguimos proteger as Donnas. Eu, PC e Lampreia. – falou Tiago – Mas, por outro... Desculpa não falar o que me deixou triste, pois eu fiz uma promessa...
- Não, sem problemas. – falou docemente Emili. – Que bom então que vocês estão bem e elas também.
- É...
Tiago e Emili se juntaram aos demais justamente quando Miguel falava sobre sua amiga.
- Ela deixou um e-mail dizendo que estava voltando para São Paulo, pois ocorreram problemas na família dela... Uma pena né gente? – falou Miguel.
- É... – falou Paulo César.
Apenas ele, Tiago e Paulo César eram testemunhas do que realmente houvera com a garota, mas serviu de experiência para os amigos. Luiz não viu o que ocorreu, mas soube cada detalhe. Pelo menos eles tinham a consciência que aquele show seria lembrado pelo resto de suas vidas, e as Donnas só continuavam respirando por causa da proteção deles e isso foi gratificante.
Sacrifícios foram feitos por um bem maior, e isso reconfortava os corações tristes dos garotos, que permaneceram em silêncio sobre o segredo de Alana, e sorriam com as lindas fotos que tiraram com ela.
*****
- Então você aceitou ser aluna de Tiago? – perguntou Pérola à garota em sua frente.
- Prefiro chamá-lo de Gladuriel, mas sim. Aceitei. – falou a garota com sua bela voz.
- E por que você prefere chamá-lo de Gladuriel? – perguntou Pérola.
- Eu o conheci por esse nome... – falou a garota.
- Ah sim. – disse Pérola – Ele já escolheu seu apelido?
- Sim. – respondeu a menina.
- E qual é? – perguntou Pérola.
- Ágata. – respondeu a menina com um sorriso.
- Que bom! – falou Pérola retribuindo o sorriso.
- E essa? Quem é? - perguntou Ágata.
- Bem, isso depois lhe será revelado...
*****
Extra:
- Na explicação sobre as graduações dos magos, existe uma peculiaridade na Escola de Magia. Os alunos recebem uma tiara comemorativa quando se graduam. Na tiara existe uma pedra que diz a cor da especialização, sendo elas: Azul quando Arcano, Vermelho quando Invocador e Negro quando necromante. Essas tiaras são usadas apenas em eventos dos magos e na escola. Cada nova categoria de graduação, a tiara é incrementada, mas a pedra continua a mesma.
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